O agro brasileiro não está apenas quebrando recordes de exportações – agora está transformando o país em um polo de consumo de luxo. Segundo o ranking Luxury Lab Global 2024, da Euromonitor International, o Brasil subiu para o 9º lugar entre os mercados de luxo que mais crescem no mundo, representando 25% do segmento na América Latina. E o motor por trás desse movimento? A nova geração de produtores rurais e empresários do agro, que está elevando a demanda por bens e experiências premium em regiões antes pouco exploradas pelo luxo.

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Com US$ 164,4 bilhões em exportações em 2024, o agronegócio não só fortaleceu a economia nacional como também criou uma nova classe de consumidores de alto poder aquisitivo em estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná.

Mato Grosso, por exemplo, saltou do 11º para o 2º lugar no ranking de PIB per capita desde 2002, ultrapassando até mesmo São Paulo.

Cidades como Ribeirão Preto (SP), Sorriso (MT) e Lucas do Rio Verde (MT) estão se tornando polos de consumo de carros de luxo, joias, vinhos finos e turismo premium.

O eixo Rio-SP já não domina sozinho o mercado de luxo – o interior agropecuário está redesenhando o mapa do consumo de alto padrão no Brasil.

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Empresas de luxo apostam no poder do agro

A Bridge+55, agência boutique especializada em experiências de luxo, identificou essa tendência e decidiu criar eventos exclusivos voltados para o público do agro. Durante a Agrishow 2024, a empresa realizou o “Experiência Absolutta”, um jantar sofisticado em Ribeirão Preto que reuniu grandes nomes do setor com marcas premium.

Beatriz Gerlack,, CEO da Bridge+55; Foto: Divulgação

Beatriz Gerlack, fundadora e CEO da Bridge+55, explica: “Há uma demanda crescente da nova geração do agro por experiências personalizadas, com hospitalidade de excelência. Eles querem luxo, mas também eficiência – conexões que otimizem seu tempo. Nosso papel é criar narrativas sofisticadas que estejam à altura dessa potência econômica.”

Mercado de luxo deve crescer 20% até 2029

Mesmo diante de cenários econômicos desafiadores, o setor de luxo no Brasil continua em expansão, com projeção de crescimento de 20% nos próximos cinco anos. Alguns fatores que explicam esse movimento:

  •  Aumento da renda em cidades agroindustriais
  •  Maior acesso a marcas internacionais via e-commerce
  •  Eventos segmentados (como os da Bridge+55) que aproximam o luxo do agro

O que vem por aí?

  • Expansão de boutiques de grifes em cidades do interior
  • Mais experiências de luxo customizadas para o público rural
  • Crescimento do turismo de alto padrão em destinos como Bonito (MS) e Chapada dos Guimarães (MT)

Agronegócio também impulsiona mercado imobiliário de luxo no litoral catarinense

O crescimento do agronegócio brasileiro tem impactado diretamente o mercado imobiliário de alto padrão, especialmente em regiões valorizadas como o litoral norte de Santa Catarina. Segundo o corretor de imóveis de Balneário Camboriú, Bruno Cassola, o setor agroindustrial tem ampliado o poder aquisitivo de produtores e investidores rurais, que cada vez mais direcionam parte de seu capital para imóveis de luxo.

Capitalizados pela safra recorde de grãos e pela valorização de commodities como café e laranja, empresários do campo investem mais, segundo o corretor de imóveis de Balneário Camboriú, Bruno Cassola

“O fortalecimento do agronegócio, especialmente com o aumento das exportações de soja, café, carne bovina, celulose, carne de frango e algodão, tem ampliado o poder aquisitivo de grandes produtores e investidores rurais, e impactado diversos setores. Para esse público, a compra de imóveis de luxo se tornou uma forma segura e estratégica de diversificar seu patrimônio, garantindo liquidez e proteção contra a inflação, por exemplo. Atualmente, mais de 30% dos clientes e investidores de imóveis de luxo no litoral de Santa Catarina são do agro”, explica Cassola.

Estratégias das construtoras para atender o público do agronegócio

O aumento do interesse do setor agropecuário no mercado imobiliário de luxo levou incorporadoras a desenvolverem condições comerciais adaptadas à realidade desses investidores. “A oferta de facilidades alinhadas à realidade do produtor rural tem ampliado o volume de negócios e acelerado o fechamento de contratos. Consequentemente, isso tem aquecido o setor. Entre essas facilidades, estão condições de pagamento adaptadas ao calendário da safra e maior flexibilidade nas negociações durante os períodos de alta liquidez no campo”, destaca o especialista, que atua há quase 20 anos no mercado de imóveis de alto padrão.

Perfis e motivações dos compradores do agronegócio

Bruno Cassola ressalta que entender os diferentes perfis dos compradores é fundamental para oferecer o imóvel ideal. “Há produtores e investidores rurais que buscam imóveis como investimento, com foco em cidades com alta valorização imobiliária, localização estratégica e potencial de revenda. Já os que procuram uma segunda moradia para aproveitar com a família costumam considerar outros atributos além da rentabilidade, como vista para o mar, áreas de lazer completas, segurança, acabamentos, design e serviços exclusivos. Entender essas motivações é essencial para oferecer o produto certo. Enquanto o investidor pensa em retorno e segurança financeira, o comprador da segunda moradia é atraído pelo imóvel dos sonhos, onde terá conforto e qualidade de vida”, afirma.

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