Há 40 milhões de anos, a região onde hoje fica Curitiba (PR) era um vale pantanoso, com clima quente e fauna diversificada. Nesse cenário, vivia o Parutaetus oliveirai, uma nova espécie de tatu extinto descrita por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

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A descoberta foi publicada na renomada Journal of Vertebrate Paleontology. E traz novas informações sobre a biodiversidade do período Eoceno (56 a 33,9 milhões de anos atrás). O que ajuda a reconstruir o ambiente do Brasil pré-histórico.

Pesquisadores encontraram o fóssil do Parutaetus oliveirai na Formação Guabirotuba, um conjunto de rochas sedimentares localizado na região metropolitana de Curitiba. A espécie se destaca por:

  • Osteodermos mais espessos – as placas ósseas que formavam sua carapaça eram mais robustas que as de outros tatus conhecidos.
  • Maior quantidade de pelos – os forames pilíferos (aberturas para pelos) eram mais numerosos, indicando uma cobertura pilosa densa, possivelmente uma adaptação a um clima mais frio no final do Eoceno.
  • Tamanho similar ao tatu-peludo moderno – com cerca de 40 cm de comprimento, era menor que outras espécies extintas, como o Proeocoleophorus carlinii, que atingia o tamanho de um tatu-canastra.

Por que essa descoberta é importante?

Revela o clima do passado: a presença de um tatu com pelos mais densos sugere um período de resfriamento no Eoceno, contrastando com o clima quente e pantanoso predominante.

Ajuda a entender a evolução dos tatus: o Parutaetus oliveirai pertence aos Euphractinae, grupo que inclui o tatu-peludo moderno, mostrando uma linhagem evolutiva antiga na América do Sul.

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Mostra a riqueza paleontológica do Paraná: a Bacia Sedimentar de Curitiba já revelou fósseis de crocodilos, aves gigantes e outros mamíferos, consolidando-se como um dos principais sítios paleontológicos do Brasil.

O nome Parutaetus oliveirai é uma homenagem ao paleontólogo Édison Vicente Oliveira, que descreveu outras espécies de tatus extintos.

“Foi uma forma de agradecer pelas suas contribuições à paleontologia sul-americana”, explica Tabata Klimeck, uma das autoras do estudo e pesquisadora da UFPR.

O que mais existia na Curitiba de 40 milhões de anos atrás?

Além do Parutaetus oliveirai, a região abrigava:

  • Crocodilianos e tartarugas – comuns em ambientes pantanosos.
  • Aves carnívoras gigantes – predadores do topo da cadeia alimentar.
  • Marsupiais extintos – parentes antigos dos gambás e cangurus.
pesquisadora Tabata D’Maiella Freitas Kllimeck, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Zoologia da UFPR, e Fernando Antônio Sedor, coordenador do MCN-UFPR. Reprodução UFPR

A equipe da UFPR e UFSM continua estudando os fósseis da Formação Guabirotuba para identificar novas espécies e entender melhor a evolução dos mamíferos sul-americanos.

“Nossa equipe está pronta para continuar desenterrando histórias que esperaram milhões de anos para serem contadas”, afirma Klimeck. Mais informações da pesquisa estão no link.

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