Resumo da notícia
- As tarifas de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros elevaram os preços internacionais do café arábica em quase 35% desde agosto, causando a maior alta mensal desde 2014, mesmo durante o pico da colheita brasileira.
- O impacto das tarifas gerou um "curto-circuito" no mercado global, forçando o Brasil a redirecionar cargas, renegociar contratos e elevar custos de frete e prêmios para lotes isentos de tarifas.
- Grandes torrefadoras americanas já anunciam repasses dos custos adicionais aos consumidores, com projeção de aumento de até 9% no preço médio da xícara de café nos EUA em 2025.
- Apesar da alta nos preços, o consumo diário de café nos EUA permanece estável, enquanto analistas preveem queda nos preços do café robusta até o fim de 2025 devido a safras maiores no Brasil e Vietnã.
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros provocaram uma explosão nos preços internacionais do café. Os futuros de arábica dispararam quase 35% desde o início de agosto, registrando a maior alta mensal desde 2014.
O movimento surpreende especialistas por ocorrer justamente durante o pico da colheita brasileira. Tradicionalmente, o aumento na oferta de grãos deveria pressionar as cotações para baixo. O Brasil responde por cerca de um terço das importações americanas de café.
Mercado em “curto-circuito” força rearranjo global
O tarifaço americano detonou o que analistas chamam de “curto-circuito” no mercado mundial. Os futuros do café arábica na ICE subiram 1,8%, chegando a US$ 2,98 por libra-peso.
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O Brasil, maior produtor global, precisa redirecionar cargas e renegociar contratos. Esse rearranjo elevou fretes, prêmios por lotes isentos de tarifas e reprecificou toda a cadeia produtiva.
Safra brasileira em números
A Conab estima a safra brasileira de 2025 entre 51,8 e 55,7 milhões de sacas. A produção enfrenta um cenário de recuperação após desafios climáticos dos anos anteriores.
Segundo a Cooperativa de Guaxupé (Cooxupé), no sul de Minas Gerais, a colheita já alcançou 91% das lavouras. O café arábica fechou o pregão em R$ 2.390 por saca, conforme dados da Minasul de Varginha (MG).
Indústria americana prepara reajustes
As grandes torrefadoras americanas já sinalizam repasses aos consumidores. A J.M. Smucker, dona das marcas Folgers e Café Bustelo, planeja novos aumentos “no começo do inverno” para compensar as tarifas impostas.
A Keurig Dr Pepper alertou que o impacto ficará mais evidente no segundo semestre. A Westrock Coffee também indicou que repassará os custos adicionais aos clientes.
Cerca de 66% dos adultos americanos consomem café diariamente, com média de três xícaras por dia. Esse padrão permanece estável há quatro anos, mesmo com inflação e preços elevados.
Projeções indicam aumento acumulado de 9% no valor médio de uma xícara nos EUA em 2025. O impacto pode alterar hábitos de consumo em médio prazo.
Analistas projetam que os preços do café robusta encerrem 2025 em US$ 3.500 por tonelada, queda de 27% em relação aos valores atuais. As previsões baseiam-se na expectativa de safras maiores no Brasil e Vietnã.
Em condições climáticas normais, o preço do café arábica na ICE se estabilizaria entre 220 e 250 centavos por libra-peso. Mesmo assim, representaria alta de 45% em relação aos patamares históricos.
O cenário atual contraria a lógica de mercado. Agosto marca o auge da colheita brasileira, quando maior disponibilidade de grãos deveria reduzir preços. As tarifas americanas inverteram essa dinâmica tradicional.