Colheita 2025 registra crescimento de até 50% na produção
Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

A metáfora indígena não poderia ser mais certeira: “quando os olhos se abrem, é tempo de guaraná”. As sementes da planta, que realmente lembram pupilas humanas, agora revelam números que fazem os produtores amazonenses celebrarem uma das melhores safras dos últimos anos.

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Guaranazeiro no Campo Experimental da Embrapa em Manaus. Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

Apesar das preocupações iniciais com o calor extremo e os efeitos das mudanças climáticas que tem afetado diversas culturas pelo Brasil, o guaraná amazonense mostra resiliência. A safra atual surpreende com um crescimento expressivo que varia entre 20% e 50%, dependendo da área de cultivo.

Números confirmam crescimento robusto da produção

André Atroch, pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, acompanha de perto os guaranazais do estado. Através de visitas regulares aos campos, monitoramento nas áreas experimentais e contato direto com grupos de produtores, ele consegue ter uma visão privilegiada do que acontece nas plantações.

“Os produtores comentam que estão colhendo bem mais guaraná do que no ano passado. Esse aumento é perceptível nas áreas que temos acompanhado”, revela Atroch. O pesquisador destaca um detalhe que chama atenção de quem visita as propriedades: “O que tem se observado nas áreas é as plantas muito carregadas, muito cheias de guaraná”.

Os números consolidam essa impressão visual. Enquanto produtores de pequeno e médio porte reportam ganhos entre 20% e 30% comparado a 2024, grandes empresas do setor apresentam resultados ainda mais impressionantes – alguns chegam perto dos 50% de crescimento na colheita.

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O estado do Amazonas, que tradicionalmente produz entre 600 e 700 toneladas anuais de guaraná em rama (sementes secas com 13% de umidade), pode alcançar entre 700 e 800 toneladas neste ano. Um salto significativo para uma cultura tão importante economica e culturalmente para a região.

Condições climáticas favoreceram desenvolvimento das plantas

Diferente de safras anteriores, 2025 trouxe um presente raro aos cultivadores: estabilidade climática nos momentos certos. Setembro, mês crítico para a floração do guaraná, transcorreu sem os extremos que costumam prejudicar a cultura.

Não houve secas prolongadas capazes de secar as flores ainda na planta. Também não vieram chuvas torrenciais que derrubam as delicadas florações. Sim, os termômetros registraram alguns dos dias mais quentes das últimas duas décadas, mas isso não chegou a comprometer o desenvolvimento dos frutos.

Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

“Para o guaraná, o tempo foi normal. Mesmo com alguns dias de calor extremo, isso não chegou a comprometer a safra”, explica Atroch, aliviado com um cenário que poderia ter sido bem diferente.

Chuvas de novembro trazem última preocupação da temporada

Agora, com a colheita ainda em andamento, surge uma preocupação pontual, mas importante. As chuvas que chegaram a Manaus em novembro podem representar um desafio para o fechamento da safra.

Precipitações muito intensas tem o poder de provocar a queda prematura de frutos que já estão maduros ou até mesmo causar o apodrecimento de cachos que ainda permanecem nas plantas. Os produtores agora correm contra o tempo para colher o máximo possível antes que eventuais temporais causem perdas desnecessárias.

Mesmo com essa última variável climática no horizonte, a expectativa geral entre pesquisadores e produtores é otimista. O balanço final deve confirmar 2025 como um ano de recuperação e crescimento expressivo para o guaraná amazonense. Uma notícia que anima não apenas os cultivadores, mas toda a cadeia produtiva que depende dessa planta símbolo da Amazônia.