Resumo da notícia
- Starlink busca aprovação da Anatel para expandir sua rede no Brasil, conectando dispositivos móveis diretamente aos satélites e ampliando o acesso em áreas sem infraestrutura terrestre.
- A tecnologia direct-to-device permite comunicação direta entre celulares e satélites, funcionando como torres de telefonia no espaço, com potencial para oferecer voz, dados e mensagens em regiões remotas.
- Anatel mantém sandbox regulatório para testes de telefonia móvel via satélite, prorrogado até 2029, e pode liberar uso comercial da tecnologia, garantindo segurança e eficiência no uso do espectro.
A Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, prepara uma nova frente de atuação no Brasil. A companhia busca autorização regulatória que pode ampliar o uso de sua rede para conectar dispositivos móveis diretamente aos satélites. Com isso, a tecnologia poderá levar comunicação a locais onde as redes terrestres não chegam.
O movimento passa pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e coloca a empresa de Elon Musk diante de um mercado maior do que aquele atendido atualmente pela banda larga via satélite.
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Em julho, a agência abriu a Consulta Pública nº 29 para discutir uma alteração no direito de exploração do sistema Starlink. Nesse processo, está em avaliação a autorização de 10 + 10 MHz na Banda S, assim como uma demanda técnica envolvendo largura de 15 + 15 MHz.
Entre os pontos analisados estão os possíveis efeitos sobre capacidade de transmissão, qualidade das aplicações direct-to-device, competição e uso eficiente do espectro.
É justamente nesse ponto que a discussão ganha peso econômico. A Starlink ficou conhecida no Brasil pela internet fornecida por antenas instaladas em casas, empresas e propriedades rurais. Agora, a conexão direta com dispositivos móveis pode abrir outra frente de negócios.
Celular pode conversar diretamente com satélite
A tecnologia é conhecida como direct-to-device (D2D). Em linhas gerais, ela permite que um dispositivo estabeleça comunicação com satélites sem depender exclusivamente de uma torre terrestre próxima.
A Starlink já desenvolve esse modelo internacionalmente. Na prática, seus satélites Direct to Cell funcionam como torres de telefonia instaladas no espaço, levando sinal a regiões onde a infraestrutura convencional é limitada ou inexistente.
A implantação começou com serviços mais básicos, como mensagens de texto. A estratégia, porém, prevê ampliar gradualmente as possibilidades de comunicação, incluindo dados, voz e dispositivos conectados. Segundo a Starlink, a primeira geração da constelação Direct to Cell já supera 650 satélites em órbita baixa.
Apesar desse avanço, o serviço ainda não está liberado comercialmente para consumidores brasileiros. Antes disso, o processo regulatório precisa avançar e definir as condições de operação no país.
Anatel abriu espaço para nova tecnologia
Enquanto essa discussão avança, a Anatel mantém um sandbox regulatório destinado a aplicações de telefonia móvel por satélite.
O ambiente permite que operadoras autorizadas realizem testes com aplicações direct-to-device utilizando temporariamente frequências destinadas à telefonia celular.
Em agosto, a Anatel prorrogou esse modelo experimental até 22 de abril de 2029. Ao mesmo tempo, a agência passou a permitir caráter comercial para aplicações desenvolvidas dentro do projeto, desde que respeitadas as condições estabelecidas.
A cautela tem uma razão. A comunicação entre celulares e satélites precisa utilizar o espectro sem causar interferências prejudiciais nas redes terrestres.
Por isso, a discussão envolve um ativo valioso do mercado de telecomunicações: as frequências utilizadas para transmitir dados e voz.
Starlink abre nova frente de negócios
Hoje, o serviço mais conhecido da Starlink depende de um terminal instalado pelo usuário. Com a comunicação direta, entretanto, essa lógica pode mudar.
A rede espacial passa a ter condições de alcançar dispositivos móveis em locais sem cobertura convencional, aproximando a Starlink de serviços tradicionalmente oferecidos pelas operadoras de telefonia.
Segundo a companhia, sua rede Direct to Cell já realizou ao menos uma conexão com mais de 12 milhões de pessoas internacionalmente. A Starlink também informou ter encerrado 2025 com mais de 9 milhões de clientes em mais de 155 países e mercados.
Ainda assim, a tecnologia não precisa necessariamente substituir as redes tradicionais. Em muitas regiões, pode funcionar como complemento da infraestrutura terrestre.
Áreas rurais podem ser beneficiadas
No Brasil, o impacto tende a ser mais perceptível longe dos grandes centros. Em propriedades rurais, rodovias, fronteiras e municípios pouco povoados, instalar torres pode ter custo elevado diante do número de consumidores atendidos.
É justamente nessa conta que o satélite ganha força.
No campo, por sua vez, conectividade deixou de significar apenas acesso à internet na sede da fazenda. Máquinas agrícolas, sensores, sistemas de monitoramento, rastreamento e plataformas de gestão dependem cada vez mais da transmissão de dados.
Por enquanto, o processo na Anatel não representa o lançamento imediato do serviço no Brasil. Ainda assim, mostra que a Starlink pretende avançar para além das antenas convencionais e entrar em uma nova etapa da disputa pela conectividade em regiões onde o sinal terrestre não chega.