Em junho, 62% dos navios destinados à exportação de café enfrentaram atrasos nos principais portos brasileiros. Um levantamento do Cecafé, que representa 77% dos exportadores, revelou que o Brasil deixou de enviar 1,232 milhão de sacas de café ao exterior, resultando na perda de US$ 294,671 milhões em receita.

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Porto de Santos registra maior prazo de atraso

O Boletim Detention Zero (DTZ), da ElloX Digital e Cecafé, informou que 254 dos 413 navios previstos para exportação de café sofreram atrasos ou mudanças de escala, por exemplo. O Porto de Santos registrou o maior prazo de atraso, com até 42 dias entre a abertura do primeiro e do último deadline.

Perdas financeiras

Além da perda de US$ 294,671 milhões, conforme explicado acima, os 30 exportadores também tiveram um prejuízo de R$ 4,7 milhões devido a custos extras, como armazenagem adicional e pré-stacking.

Custos adicionais

Do levantamento do Cecafé, 93% dos exportadores relataram pagamentos extras com pré-stacking, 87% com detentions, 70% com armazenagem adicional e 20% com gate antecipado. Além disso, as principais dificuldades incluíram alterações de atracações, rolagens de carga e falta de contêineres.

Desempenho dos portos

O Porto de Santos, responsável por 69,1% das exportações de café no primeiro semestre, teve o maior índice de atrasos, com 82% dos navios afetados. O complexo portuário do Rio de Janeiro, que responde por 27,9% das exportações de café, teve um índice de atraso de 51% em junho.

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Situação crítica no Porto de Vitória

O Porto de Vitória também enfrenta problemas logísticos. De acordo com o CCCV, há filas de navios, escassez de contêineres e dificuldades nos sistemas de atendimento. Em junho, 33% das empresas relataram que a situação piorou muito.

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Impacto no comércio exterior

Segundo Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, as limitações de infraestrutura e falta de espaço nos portos estão prejudicando as exportações de café. Ele alerta para a necessidade urgente de melhorias na capacidade física e na infraestrutura dos portos brasileiros.

Heron sugere que as autoridades públicas devem ser mais sensíveis aos prejuízos causados aos exportadores. Ele propõe a retomada do projeto original do STS10 no Porto de Santos para evitar um colapso ainda maior no sistema portuário.

Ou seja, a situação atual está prejudicando a eficiência dos produtores e exportadores brasileiros, comprometendo a capacidade do país de manter níveis significativos de exportação e receita cambial. Portanto, é necessário investir em melhorias para reduzir os gargalos logísticos e evitar perdas financeiras futuras.