A recente série de fraudes envolvendo azeites de oliva no Brasil revela um problema multifacetado, impulsionado por fatores econômicos e pela falta de fiscalização rigorosa. Um dos motivos pelo crime é o atual preço do produto, que graças a uma quebra da safra das oliveiras, está em falta no mercado.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Com isso, o produto está mais difícil de ser encontrado, e o preço, mais elevado. Como o consumidor continua querendo o azeite em suas compras, fica tentador para empresas sem preocupação com o cliente partir para a adulteração, principalmente utilizando marcas novas com nomes pomposos para chamar a atenção.

A tendência é que essa falta da matéria prima na Europa, principal produtor e consumidor do azeite, continue nos próximos anos, então a previsão de retorno aos preços em que o consumidor brasileiro está acostumado é muito quase nula.

Adulteração do azeite de oliva

A adulteração ocorre principalmente pela mistura do azeite com outros óleos vegetais mais baratos, como soja e girassol, sem informar ao consumidor. Essa prática visa reduzir os custos de produção e aumentar as margens de lucro, já que o azeite de oliva possui um valor elevado no mercado.

Segundo especialistas, a alta lucratividade associada ao azeite — e a percepção do consumidor de que é um produto premium — torna a prática tentadora para empresas desonestas. Muitas marcas recorrem a essa fraude para se manterem competitivas em um mercado saturado e marcado pela forte concorrência de produtos importados de baixo custo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Leia mais:
+ Agro em Campo: Conheça as vencedoras do Prêmio Mulheres do Agro 2024
+ Agro em Campo: Salários no agro; empregos de até R$ 200 mil, revela pesquisa

Além disso, o controle ainda é considerado insuficiente, e a detecção de adulterações demanda tecnologia e análise criteriosa, algo que nem sempre é realizado com frequência ou de forma abrangente no país.

Outro fator que contribui é a ausência de uma cadeia de rastreabilidade bem estabelecida, o que facilita o comércio de produtos de origem duvidosa. Como resultado, consumidores correm o risco de adquirir um azeite que, na verdade, não possui as características nutricionais e de qualidade esperadas, o que afeta também a confiança no mercado como um todo.

Atuação da fiscalização

O Ministério da Agricultura tem intensificado as fiscalizações e aplicando medidas mais rígidas contra fraudes, interditando lotes e multando empresas envolvidas. Mas especialistas reforçam a importância de regulamentações mais rigorosas e de campanhas educativas para orientar os consumidores sobre como identificar produtos adulterados.

Neste ano, o Ministério da Agricultura proibiu a venda de diversas marcas de azeite de oliva devido a irregularidades e adulterações. Entre as marcas que tiveram seus produtos desclassificados estão: Málaga, Rio Negro, Quinta de Aveiro, Cordilheira, Serrano, Oviedo, Imperial, Ouro Negro, Carcavelos, Pérola Negra e La Ventosa. Essas marcas foram consideradas impróprias para consumo após análises que mostraram não conformidade com os padrões estabelecidos. Em algumas delas, a adulteração envolveu a mistura de outros óleos vegetais não identificados, um risco para a saúde do consumidor. Além disso, as empresas responsáveis estavam em situação irregular junto à Receita Federal, reforçando as suspeitas de fraude.

Para identificar um azeite adulterado, é importante ficar atento a alguns sinais:

  • Preços muito baixos: desconfie se o valor for significativamente menor que o de outros azeites.
  • Checar o registro: verifique se a empresa está registrada no Ministério da Agricultura.
  • Evitar produtos a granel: azeites vendidos dessa forma tendem a ser mais vulneráveis a adulterações.
  • Analisar a validade e os ingredientes: produtos de má qualidade podem apresentar dados inconsistentes.
  • Escolher azeites com envase recente: quanto mais recente o envase, menor a chance de alterações ou deteriorações no produto.

Essas medidas ajudam a reduzir os riscos de adquirir um azeite fraudado e garantir a qualidade do produto. Caso você tenha comprado algum dos produtos citados, recomenda-se procurar o estabelecimento para uma substituição, conforme as diretrizes do Código de Defesa do Consumidor​