O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), firmado nesta sexta-feira (6) após 25 anos de negociações, manteve as condições originais para o comércio de produtos agropecuários. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro esclareceu que não houve mudanças em relação ao texto de 2019.

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Porém, a decisão contraria países como França e Polônia, que buscavam restringir produtos sul-americanos para proteger seus mercados. Além disso, ainda há resistência de Itália, Países Baixos e Áustria, que podem se opor à ratificação do tratado.

Produtos com tarifas zeradas e cotas definidas

Conforme o documento divulgado pelo governo brasileiro, café e sete tipos de frutas do Mercosul poderão entrar na UE sem tarifas nem cotas. Ou seja, as frutas beneficiadas incluem abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã.

Por outro lado, produtos como carne, etanol e açúcar terão tarifas reduzidas gradualmente e estarão sujeitos a cotas específicas. Portanto, se as exportações ultrapassarem essas cotas, pagarão as alíquotas atuais.

Café e frutas

  • Café: tarifas entre 7,5% e 11% serão eliminadas em até sete anos.
  • Uvas de mesa: tarifa de 11% será zerada imediatamente.
  • Abacate: tarifa de 4% deixará de existir em quatro anos.
  • Limões e limas: alíquota de 14% cairá em até sete anos.
  • Melão e melancia: tarifa de 9% chegará a zero em sete anos.
  • Maçã: alíquota de 10% será eliminada em dez anos.

Produtos agropecuários com tarifas e cotas

  • Etanol industrial: cota inicial de 450 mil toneladas isenta de tributos.
  • Etanol combustível: cota de 200 mil toneladas com tarifa reduzida, expandindo ao longo de cinco anos.
  • Açúcar: cota inicial de 180 mil toneladas sem tarifas; excedentes pagarão até €98 por tonelada.
  • Carne bovina: cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida para 7,5%.
  • Carne de aves: cota de 180 mil toneladas isenta, dividida entre cortes com osso e desossados.
  • Carne suína: cota inicial de 25 mil toneladas com tarifa reduzida de €83 por tonelada.

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Outras mercadorias beneficiadas

  • Suco de laranja: o acordo prevê alíquota zerada em até 10 anos.
  • Cachaça: o acordo eliminará as tarifas para garrafas de até 2 litros em quatro anos.
  • Queijos: cota de 30 mil toneladas com tarifa decrescente em 10 anos.
  • Mel: cota inicial de 45 mil toneladas sem tributos, ampliando em cinco anos.

Impacto econômico e equilíbrio

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o acordo beneficiará 95% dos bens exportados pelo Mercosul, representando 92% do valor das exportações brasileiras à UE. Contudo, 3% dos produtos, principalmente agrícolas, continuarão sujeitos a barreiras ambientais e sanitárias.

Em resumo, o governo brasileiro destacou que o tratado busca equilibrar a abertura de mercados com a proteção de setores sensíveis, preservando os interesses de ambas as partes.