A indústria de café solúvel no Brasil ganhou um importante aliado na valorização da qualidade do produto com o lançamento dos Selos de Qualidade da ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel).
A novidade foi tema da entrevista da consultora Eliana Relvas ao Portal Agro em Campo, durante o 10º Coffee Dinner & Summit, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (03).
Segundo Eliana, a iniciativa surgiu da percepção de que o café solúvel já faz parte do cotidiano da maioria dos lares brasileiros, especialmente quando consumido com leite.
Nos últimos anos, no entanto, o setor vivenciou avanços significativos em tecnologia, aromas, sabores e diversificação de marcas.
Isso levou a ABICS a buscar um modelo de classificação sensorial também para o solúvel, como já ocorre com o café verde e o moído.
“Avaliando todas as tendências de mercado, a ABICS acabou criando um protocolo e uma metodologia em que os provadores avaliam 15 atributos e a sua intensidade percebida na bebida. Dessa forma, quando combinamos esses atributos com as intensidades, existe uma classificação dos produtos”, explicou Eliana.
Divisão dos selos de qualidade
Os selos de qualidade da ABICS foram divididos em três categorias:
- Excelência: para cafés com atributos intensos de acidez, doçura, frutado e aromas florais e de mel;
- Premium: destinado a bebidas com notas marcantes de chocolate, amêndoas e amadeirado, com potência média;
- Clássico: voltado a cafés com notas amadeiradas mais intensas, baixa acidez e maior força no paladar.
Além de orientar o consumidor final, a proposta também visa mostrar as diferentes possibilidades de uso do café solúvel.
“Hoje o café solúvel não é só uma xícara de café que as pessoas tomam. Ele pode ser usado como ingrediente. Devido à sua versatilidade, acaba sendo importante conhecer quais são os principais atributos e aplicar nas receitas”, esclareceu Eliana.
Como exemplo, ela explicou que em preparações como de cappuccinos, o selo Clássico pode ser o mais indicado, por combinar melhor com leite e especiarias.
De acordo com a consultora, a divisão também permite entender se o café solúvel terá melhor desempenho quando diluído em água, leite ou incorporado em sobremesas, como sorvetes.
“É uma forma diferente de provar e usar o café solúvel”.
Conforme divulgado pela ABICS, 21 marcas de café solúvel já foram certificadas com base no protocolo criado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). A metodologia é conduzida por profissionais capacitados e utiliza critérios internacionalmente reconhecidos.
Café solúvel é natural
Outro ponto reforçado por Eliana é o caráter natural do café solúvel, muitas vezes alvo de dúvidas entre consumidores.
“É importante ressaltar que o café solúvel não tem nenhum aditivo e nenhum conservante. O que faz ele se tornar um café solúvel e durar bastante tempo são todos os processos. De secagem, principalmente, e por isso ele dura mais tempo”, concluiu.