A podridão de ramos, também chamada de podridão peduncular ou gomose de ramo, tem avançado nos pomares de laranja nos últimos meses. A doença, causada por fungos da família Botryosphaeriaceae, preocupa os citricultores devido ao impacto na produção.
Altas temperaturas, seca prolongada e infecções como o greening aumentam a vulnerabilidade das plantas. Os fungos Bot, como Lasiodiplodia e Dothiorella, podem permanecer sem causar danos, mas se tornam patogênicos em situações de estresse. Além dos citros, esses microrganismos afetam videiras e amendoeiras em diferentes regiões do mundo.
Os sintomas incluem podridões em ramos, pedúnculos e frutos, rachaduras na casca e, em casos graves, secamento parcial ou total da copa. Também há exsudação de goma nos tecidos mais jovens. “O fungo pode estar em estágio endofítico, sem prejudicar a planta, ou patogênico, quando degrada células para absorver nutrientes”, explica Thiago Carraro, pós-doutorando do Fundecitrus.
Nos pomares paulistas, o estresse térmico e hídrico tem favorecido a disseminação da doença. “O calor extremo e a falta de chuva entre fevereiro e março enfraqueceram as plantas, facilitando a infecção pelos fungos Bot. Quando voltou a chover, os sintomas apareceram”, afirma Geraldo Silva Junior, pesquisador do Fundecitrus. Ele alerta que surtos também ocorrem nos meses de setembro e outubro.
Manejo exige diagnóstico preciso

Outros fungos podem causar podridão de ramos e pedúnculos, tornando o diagnóstico correto essencial para evitar perdas produtivas. O controle eficaz exige monitoramento constante, manejo integrado e medidas preventivas. Entre as estratégias recomendadas estão o uso de protetores solares para reduzir o estresse térmico e o controle de outras doenças, como o greening.
“A citricultura já enfrenta o greening há mais de 20 anos e agora precisa lidar com plantas estressadas que expressam sintomas da podridão de ramos”, ressalta Geraldo.
No Brasil, ainda há poucos estudos sobre a eficácia de produtos contra a doença. Em outras culturas, os fungicidas mais eficientes são triazois (DMI), estrobilurinas (QoI), carboxamidas (SDHI), multissítios e indutores de resistência. “O ideal é aplicar os fungicidas de forma preventiva, principalmente após períodos de estresse seguidos por chuvas”, destaca o pesquisador.
O Fundecitrus já iniciou estudos para identificar as espécies de fungos Bot presentes nos pomares paulistas. A pesquisa também investiga a relação da doença com o greening e outros fatores de estresse, além da eficácia de produtos químicos e biológicos no controle da infecção.
Os citricultores podem esclarecer dúvidas e receber orientações pelo telefone 0800-110-2155, pelo WhatsApp (16) 99629-2471 ou nos demais canais de comunicação do Fundecitrus. Agrônomos da instituição também estão disponíveis para auxiliar no manejo da doença.
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