O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou disputas comerciais no início de seu mandato. Nesta quarta-feira (2/4), ele anunciou tarifas recíprocas para cem países. O Brasil ficou na faixa de 10%, além dos 25% já aplicados sobre aço e alumínio. A China enfrentará sobretaxa de 34%, enquanto a União Europeia terá 20%.
No agronegócio, Brasil e Estados Unidos competem na venda global de soja e algodão. No entanto, os americanos são o segundo maior destino das exportações agrícolas brasileiras. Segundo o Ministério da Agricultura, o setor enviou 9,43 milhões de toneladas para os EUA em 2024, gerando US$ 12,09 bilhões. Ou seja, o país ficou atrás apenas da China, elevando sua participação nas exportações agropecuárias de 5,9% para 7,4%.
Entenda o impacto das tarifas
Mesmo sem enfrentar as tarifas mais altas, o Brasil pode sofrer impactos. Alguns segmentos do agronegócio estarão mais expostos. Confira os principais setores afetados.
Produtos florestais
O segmento de madeira, celulose e papel liderou as exportações para os Estados Unidos em 2024. O faturamento foi de US$ 3,73 bilhões, representando 30,88% do total, segundo o Agrostat. O Brasil exportou 4,9 milhões de toneladas para os EUA, equivalendo a 52,2% de todo o volume enviado pelo setor agropecuário brasileiro ao mercado americano.
A celulose foi o principal item exportado, com 3,02 milhões de toneladas e receita de US$ 1,68 bilhão, representando 13,94% do total. A madeira perfilada ocupou a quinta posição entre os produtos do setor, com 252,59 mil toneladas e receita de US$ 480,94 milhões. O papel ficou na 11ª posição, com 203,91 mil toneladas exportadas e faturamento de US$ 267,03 milhões.
Café

Os Estados Unidos são o maior comprador do café brasileiro. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país recebeu 16,1% do volume total exportado pelo Brasil em 2024, um aumento de 34% em relação a 2023.
Em geral, o café representou 5% do volume total exportado para os EUA, com 471,53 mil toneladas, ou 7,85 milhões de sacas de 60 quilos. Em receita, o segmento gerou US$ 2,07 bilhões, equivalente a 17,16% do faturamento total do agronegócio brasileiro para o país. O café verde foi o item mais exportado, somando 453,23 mil toneladas. O café solúvel registrou 17,4 mil toneladas e US$ 172,88 milhões em faturamento. Já o café torrado e moído teve 807 toneladas embarcadas e receita de US$ 5,46 milhões.
Carnes

O setor de carnes ocupou a terceira posição nas exportações para os Estados Unidos. O volume embarcado foi de 248,5 mil toneladas, representando 2,63% do total enviado. A receita atingiu US$ 1,4 bilhão, ou 11,65% do faturamento.
A carne bovina in natura liderou, com 189,24 mil toneladas exportadas e receita de US$ 942,73 milhões. Ao mesmo tempo, a carne bovina industrializada teve 38,08 mil toneladas enviadas, gerando US$ 393,55 milhões. Na sequência, a carne suína in natura ficou na terceira posição do setor, com 18,43 mil toneladas e faturamento de US$ 59,4 milhões.
Suco de laranja
O segmento de sucos ocupou a quarta posição nas exportações agropecuárias brasileiras para os Estados Unidos. O volume exportado foi de 1,32 milhão de toneladas, representando 14,06% do total. A receita somou US$ 1,19 bilhão, equivalente a 9,87% do faturamento.
O suco de laranja dominou o setor. Nos últimos anos, a produção americana sofreu quedas devido a doenças como o greening, principal ameaça à citricultura global. O Brasil aproveitou a demanda e enviou 1,21 milhão de toneladas em 2024, equivalente a 12,9% do volume agropecuário exportado para os Estados Unidos. Em resumo, a receita totalizou US$ 1,04 bilhão, representando 8,65% do faturamento do setor agropecuário brasileiro para o mercado americano.
Complexo sucroalcooleiro
O açúcar e o etanol ocuparam a quinta posição entre os segmentos mais exportados para os Estados Unidos. O volume embarcado foi de 1,38 milhão de toneladas, representando 14,65% do total. O faturamento chegou a US$ 794,28 milhões, equivalente a 6,57% do total.
O açúcar bruto liderou o setor, com 883,36 mil toneladas exportadas e receita de US$ 442,02 milhões. O álcool etílico ficou em segundo lugar, com 247,77 mil toneladas enviadas e US$ 181,82 milhões faturados. O açúcar refinado registrou 283,58 mil toneladas exportadas e receita de US$ 164,25 milhões.
Portanto, mesmo sem estar entre os países mais atingidos pelas tarifas de Trump, o Brasil pode sofrer impactos no agronegócio. A relação comercial entre os dois países segue forte, mas a política protecionista americana pode trazer desafios para setores estratégicos.
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