Resumo da notícia
- A moagem de cana no Norte e Nordeste somou 13,73 milhões de toneladas até setembro, recuando 1,1% frente ao ano anterior, com 70,22% do total destinado à produção de etanol.
A moagem de cana-de-açúcar no Norte e Nordeste do país, somou 13,730 milhões de toneladas até o dia 30 de setembro, na safra 2026/27. O volume representa 23,1% da projeção para a temporada, de 59,545 milhões de toneladas, e recua 1,1% diante do registro no mesmo intervalo do ciclo anterior.
Apesar da queda na moagem, as usinas ampliaram a destinação da cana ao etanol. Do total processado até a data, 70,22% foram destinados à produção do biocombustível. Os números foram levantados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e compilados pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), entidade que reúne 35 usinas em 11 estados das duas regiões.
- Açúcar sobe, mas cana segue sem remuneração suficiente
- Excesso de chuva atrasa colheita e reduz qualidade da cana
Norte recua e Nordeste avança
Na Região Norte, as usinas processaram 4,670 milhões de toneladas até 30 de setembro, queda de 3,9% em relação ao mesmo período da safra anterior. No Nordeste, a moagem alcançou 9,060 milhões de toneladas, alta de 0,3% na comparação anual.
O avanço da safra também ocorre em ritmos diferentes. Enquanto no Norte já processou 59,8% do volume previsto, o Nordeste atingiu 17,5% da estimativa regional.
Para o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, a evolução segue as expectativas iniciais. Segundo ele, as mudanças impostas pelos Estados Unidos reduziram a cota de exportação de açúcar brasileiro para o mercado americano e alteraram a dinâmica de produção no Norte e, principalmente, no Nordeste, que preenche essa cota prioritariamente.
“As mudanças impostas pelos Estados Unidos, que reduziram a cota de exportação de açúcar brasileiro para o mercado americano, alteraram a dinâmica de produção no Norte e principalmente no Nordeste, que preenche essa cota prioritariamente. A tendência é a produção de etanol nas duas regiões permanecer nessa proporção ao longo da safra 2026-2027”, explicou Cunha.
Etanol cresce com apoio do milho
A produção total de etanol no Norte e Nordeste chegou a 1,421 milhão de metros cúbicos até 30 de setembro, alta de 45,4% ante o mesmo período da safra passada. O resultado considera o biocombustível produzido a partir da cana e também o fabricado com milho.
No recorte de cana, a produção somou 685,230 mil metros cúbicos, um recuo de 6% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior. Desse total, 281,162 mil metros cúbicos foram de etanol anidro e 404,068 mil de hidratado.
Já o etanol de milho alcançou 736 mil metros cúbicos, sendo 498,015 mil metros cúbicos de anidro e 237,985 mil de hidratado. Assim, o milho respondeu pela maior parte do crescimento do etanol na região no período.
Enquanto isso, a produção de açúcar somou 491,8 toneladas até 30 de setembro, alta de 3,3% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior.
Qualidade da cana cai
O Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana para a produção de açúcar e etanol, recuou 3,4% até 30 de setembro em comparação com o mesmo período do ciclo anterior. Além disso, por tonelada de cana, o índice caiu 2,3%.
Os estoques também diminuíram quando, até 30 de setembro, havia 220,486 mil metros cúbicos de etanol de cana armazenados, evidenciando uma queda de 7,20% em relação à mesma data da safra anterior. Da mesma forma, o estoque de etanol de milho somou 4,096 mil metros cúbicos, redução de 59,93%. Somados, portanto, os estoques de etanol da safra 2026/27 totalizaram 224,582 mil metros cúbicos.


