8ª edição do Concurso Tribos celebra a evolução dos produtores indígenas e premia microlote com 91,11 pontos em Rondônia
concurso robusta amazonico
Foto: Divulgação

O Robusta Amazônico produzido por comunidades indígenas de Rondônia conquistou destaque na 8ª edição do Concurso Tribos 2026. O evento foi realizado na quarta-feira (14), em Cacoal (RO), e premiou o microlote de Manasses Oykoeter Suruí, do povo Paiter Suruí, que alcançou 91,11 pontos na avaliação sensorial.

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Promovida pela Rituais Cafés Especiais, marca do Grupo 3corações, a iniciativa valoriza a cafeicultura indígena e incentiva a produção de cafés especiais na Amazônia. Além disso, o projeto fortalece a geração de renda e amplia as oportunidades para as comunidades envolvidas.

Nesta edição, o concurso recebeu 150 amostras. Também registrou participação recorde de mulheres indígenas produtoras de café. Outro destaque foi o desempenho dos microlotes, com mais cafés acima de 90 pontos do que nas edições anteriores.

Qualidade do café produzido por indígenas

O café vencedor apresentou notas sensoriais de jasmim, chá-verde, cacau, doce de leite, ameixa em calda, especiarias, caramelo e chocolate branco. A bebida também se destacou pelo corpo cremoso, pela acidez agradável e refrescante e pelo final doce e persistente.

Para Manasses, o reconhecimento representa o resultado do trabalho desenvolvido pela família em todas as etapas da produção.

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“É uma grande alegria para mim e para a minha família, porque é o resultado de um trabalho que fazemos desde o plantio até a colheita, até chegar à xícara. A iniciativa do Grupo 3corações tem nos motivado bastante a trabalhar na cafeicultura, porque nos mostra que podemos fazer um produto de qualidade”, celebra Manasses Oykoeter Suruí.

O desempenho reforça o potencial do café Robusta Amazônico para o mercado de cafés de alta qualidade. Ao mesmo tempo, mostra como o conhecimento técnico e o cuidado em cada etapa podem agregar valor à produção realizada nos territórios indígenas.

Projeto Tribos fortalece comunidades indígenas

O Projeto Tribos atua desde 2019 nas terras indígenas Sete de Setembro e Rio Branco. Nessas áreas, o cultivo do café faz parte da realidade de diversas famílias há décadas. Desde o início da iniciativa, o trabalho busca ampliar a qualidade da produção por meio de infraestrutura, parcerias, inovação e capacitação técnica.

Atualmente, o projeto envolve 169 famílias de 35 aldeias e sete etnias, com impacto estimado sobre cerca de 2 mil indígenas. Além disso, reúne investimentos de R$ 20 milhões e destina 100% do lucro do projeto às comunidades participantes.

Outro diferencial é a garantia de compra da produção. Desde o primeiro ano, o projeto já adquiriu mais de 730 toneladas de café das comunidades. Dessa forma, os produtores contam com uma perspectiva de comercialização que contribui para o planejamento da atividade e para a valorização dos grãos.

Desde 2019, a iniciativa também comprou mais de 1.200 sacas de microlotes de cafés especiais para a linha Rituais Cafés Especiais. A remuneração varia conforme a qualidade dos cafés, o que incentiva o aprimoramento contínuo da produção.

Em 2024, o trabalho alcançou outro marco: um café canéfora do projeto recebeu 100 pontos e conquistou reconhecimento como o melhor da categoria no mundo. Assim, a trajetória do Robusta Amazônico demonstra a capacidade dos produtores indígenas de Rondônia de alcançar padrões elevados de qualidade.

Concurso premia os dez melhores microlotes

O Concurso Tribos 2026 distribuiu mais de R$ 130 mil em premiações aos dez primeiros colocados. Além dos valores em dinheiro, os cafés classificados receberam ofertas diferenciadas de compra.

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A saca do café campeão foi adquirida por R$ 5 mil. O valor supera em mais de cinco vezes a média de R$ 900 por saca de café commodity mencionada pela organização e corresponde a cerca do dobro do valor atribuído a cafés especiais já valorizados.

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O segundo colocado recebeu R$ 15 mil, além de R$ 4.500 por saca. Já o terceiro ganhou R$ 10 mil e R$ 4 mil por saca. Entre o quarto e o décimo lugar, os produtores receberam R$ 3 mil por saca, além de prêmios adicionais que variaram conforme a classificação.

Os cafés que atenderam aos critérios do concurso, mas ficaram fora do Top 10, também podem integrar a linha Rituais, com apresentação personalizada. Com isso, a iniciativa amplia as possibilidades de comercialização dos cafés produzidos por comunidades indígenas.

Confira a classificação dos dez primeiros colocados:

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  1. Manasses Oykoeter Suruí — 91,11 pontos
  2. Joel Oyyeter Suruí — 90,68 pontos
  3. Goemanhama Rifate Suruí — 90,57 pontos
  4. Iremar Suruí — 90,29 pontos
  5. Denilson Suruí — 90,07 pontos
  6. Eleno Suruí — 89,86 pontos
  7. Maria Kawangawa Cinta Larga Suruí — 89,86 pontos
  8. Motira Labiway Suruí — 89,71 pontos
  9. Wilson Suruí — 89,68 pontos
  10. Ferrari Suruí — 89,61 pontos

Capacitação amplia oportunidades na cafeicultura

Além de reconhecer a qualidade dos grãos, o Projeto Tribos investe na formação de novos profissionais. Nesse sentido, a Copa Barista prepara jovens indígenas para atuar no universo dos cafés especiais. Ao longo de duas edições, a competição capacitou 56 participantes.

A programação também inclui a Copa Harmonizações, que desafia baristas a desenvolver receitas com café. Em 2026, Thomas Oypagawaromb Flegler Suruí, de 19 anos, venceu com o drink Aurora Tropical, preparado com café coado, suco de laranja, xarope de maçã-verde e água com gás.

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Já Pamasoe Sameiwai E Waled Ibikayed Estéfane Suruí, de 24 anos, apresentou o drink Pamasoe, que combina café, água de coco, xarope de pêssego, água tônica e limão.

Ao explicar a escolha do nome de sua criação, o barista destacou a ligação com sua identidade e sua cultura.

“É um nome em Tupi-Mondé e está relacionado ao sentido de ‘nosso saber’ ou ‘nossa sabedoria’. Acho que combina bastante com o drink porque é um nome meu também”, conta o barista.

Dessa maneira, as competições ampliam o contato dos jovens com diferentes possibilidades profissionais e valorizam a cultura indígena na.

Valorização da origem e da produção sustentável

Para Patricia Carvalho, líder do Projeto Tribos no Grupo 3corações, o concurso representa mais do que uma disputa pela pontuação sensorial. A iniciativa também reconhece o trabalho das comunidades e os resultados alcançados com o desenvolvimento da cafeicultura indígena.

“O Concurso Tribos não premia apenas xícaras extraordinárias, ele celebra a autonomia, a dedicação e o orgulho dos produtores indígenas que transformaram suas comunidades através da cafeicultura na Amazônia. Chegar ao patamar de 90+ pontos prova que, quando unimos empreendedorismo, conhecimento e um ciclo sustentável, não há limites para a prosperidade fruto do Robusta Amazônico”, ressalta Patricia Carvalho, Líder do Projeto Tribos no Grupo 3corações.

O projeto também integra parceiros que contribuem para o desenvolvimento da atividade, entre eles Funai, Coopaiter, Garah Itxá, Coopsur, Coopirb, Embrapa, Emater-RO, AGRICAFÉ, Semagri, AGROCAF, Armazém de Café Cacoal, Cafeama e Câmara Setorial do Café de Rondônia.

Segundo Anderson Spada, Head de Marketing do Grupo 3corações, a iniciativa reúne qualidade, origem e sustentabilidade para ampliar o alcance dos cafés produzidos pelas comunidades.

“O Projeto Tribos representa muito bem os diferenciais da Rituais Cafés Especiais – nossa marca premium dentro do Grupo 3corações – que tem como essência unir cafés especiais de qualidade excepcional, com origem e cadeia sustentável, a um alcance nacional, através de nossa estrutura. Temos muito orgulho de fomentar projetos como este, que valorizam a diversidade e excelência brasileira”, destaca Anderson Spada, Head de Marketing do Grupo 3corações.

Com a valorização dos microlotes, a capacitação técnica e a compra da produção, o Projeto Tribos busca fortalecer a autonomia das famílias e ampliar a presença dos cafés especiais brasileiros no mercado. Ao mesmo tempo, a iniciativa evidencia a contribuição dos produtores indígenas para a qualidade e a diversidade da cafeicultura nacional.