Setor busca alternativas para manter embarques diante de alta nos custos e risco de atrasos
Com bloqueio no Golfo, exportadores ajustam logística enquanto custos e riscos aumentam. (Foto: Shady Alassar/Anadolu via Getty Images)

O agronegócio brasileiro mergulha em um verdadeiro pesadelo logístico. O Estreito de Ormuz, essa artéria vital do comércio global, fechou no fim de fevereiro de 2026 em meio às tensões entre Irã, EUA e Israel. Remessas de frango, grãos e soja agora desviam para o Mar Vermelho, um caminho que dobra custos de frete e acende temores de atrasos que pesam direto no seu bolso.

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Rotas redirecionadas

Enquanto os exportadores correm para manter os produtos rolando, grandes transportadoras redirecionam navios carregados com os 95 mil contêineres de frango brasileiro do ano passado, rumo ao Oriente Médio. Ricardo Santin, do comando da ABPA, diz que nenhum rompimento grande aconteceu ainda; navios em trânsito tentam passagem, enquanto o Ministério da Agricultura ajusta papéis para novos portos. Ainda assim, fretes de contêineres refrigerados quase dobraram da noite pro dia, corroendo lucros em cada etapa.

Mudança de rotas após bloqueio pressiona fretes, atrasa cargas e afeta insumos agrícolas

O desvio pelo Mar Vermelho salva alguns negócios, mas armazéns lotam com cargas congeladas que não esperam pra sempre. Negociantes miram portos turcos como rota alternativa esperta pra Ásia Central, burlando o bloqueio do Golfo por completo.

Escassez de fertilizantes já é um problema

O Brasil importa 85% dos fertilizantes, e 20-30% do suprimento mundial passa por Ormuz. Preços da ureia saltaram 36% em dias, enquanto o enxofre pros fosfatos atrasa, encarecendo soja, milho e algodão em todo o Cerrado.

Daniel Kümmel, da Abitrigo, alerta pro baque imediato. “Esse fechamento do Estreito de Ormuz já impacta diretamente nossos negócios, porque fretes marítimos vão mudar, a questão dos seguros e a questão também do petróleo em si.” Estoques de trigo aguentam três meses, mas pães podem subir de preço no país todo se o rolo se arrastar. Um dólar mais forte engorda a receita de exportação em reais, mas agrotóxicos e máquinas importadas mordem de volta.

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Produtor rural vive momento de tensão

O agro fica de olho em cada faísca do conflito. Problemas logísticos dominam sobre proibições totais, somando-se aos engasgos globais de navios. Especialistas da UFG apontam a falta de ureia e enxofre como as verdadeiras assassinas de produtividade na próxima safra.

Produtores se viram onde dá, mas o tabuleiro segue instável. Uma guerra prolongada pode forçar cortes no plantio ou margens de navalha. Todo mundo acompanha os fios diplomáticos, torcendo por um alívio antes do próximo ciclo de cultivo decolar.