Resumo da notícia
- O Brasil alcançou produção recorde de 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem, com o Rio Grande do Sul liderando e respondendo por 81% da produção nacional.
- O aumento da produção se deve à melhoria do manejo e avanços no cultivo, mesmo após duas safras afetadas por chuvas, mas a produção pode cair em 2027 se as chuvas se intensificarem.
- O Ibraoliva alerta para a necessidade de fiscalização rigorosa dos azeites importados e planeja ampliar ações para fortalecer a presença do azeite brasileiro no mercado nacional.
O Brasil produziu 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem. O resultado veio após duas safras prejudicadas pelo excesso de chuvas.

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) divulgou os dados durante a Expointer, em Esteio (RS). Apesar do recorde, a entidade prevê uma produção menor em 2027.
Rio Grande do Sul lidera
O Rio Grande do Sul respondeu por 81% da produção nacional. O estado também concentra a maior área cultivada do país, com cerca de 7,1 mil hectares, ou 69% dos 10,3 mil hectares plantados no Brasil.
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A cadeia reúne mais de 620 produtores e 77 lagares em funcionamento. As unidades estão distribuídas por cerca de 280 municípios de oito estados.
No Rio Grande do Sul, o Ibraoliva reúne 390 olivicultores em aproximadamente 120 municípios. Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul concentram parte relevante da estrutura de processamento gaúcha, segundo o presidente do instituto, Flávio Obino Filho.
Manejo aumenta produtividade
A área cultivada ficou praticamente estável, mas a produção cresceu. Para o Ibraoliva, o resultado mostra que o avanço da atividade não depende apenas da expansão dos olivais.
A entidade atribui o aumento à melhoria do manejo, à adaptação das plantas ao clima e aos avanços na colheita e no processamento. O desempenho ocorreu mesmo depois de duas safras afetadas pelas chuvas.
Próxima safra pode cair
O Ibraoliva prevê queda na produção de 2027 caso as chuvas se intensifiquem durante a primavera no Rio Grande do Sul. A entidade defende mais investimentos em pesquisa para reduzir a variação entre as safras.
“Temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva”, afirmou Obino. Segundo ele, o instituto reforçou parcerias com a Universidade Federal de Santa Maria e a Universidade Federal de Pelotas.
Setor cobra fiscalização
O instituto também acompanha a fiscalização do Ministério da Agricultura sobre os azeites importados. Segundo a entidade, laudos recentes apontaram que produtos estrangeiros vendidos como extravirgens não atendiam aos padrões da categoria.
A discussão ganhou força depois que o governo zerou a alíquota de importação do azeite extravirgem. Para o azeite virgem, a tarifa permaneceu em 9%.
Além da fiscalização, o Ibraoliva defende ações para ampliar a presença do produto nacional no mercado. “Vamos ampliar ações de divulgação do consumo de azeite brasileiro e estimular a venda cooperativada entre marcas para aumentar a escala e melhorar a competitividade do produto nacional”, completou Obino.
Novos polos avançam
A Serra da Mantiqueira, que abrange áreas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, é o segundo maior polo produtor do país. A região vem ampliando o cultivo e o processamento de azeitonas.
Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo também aparecem como áreas promissoras para a olivicultura. Assim, a produção nacional começa a se espalhar para além do Rio Grande do Sul.