Resumo da notícia
- O governo liberou até R$ 270 milhões em subvenção para produtores independentes de cana do Nordeste, pagando R$ 12 por tonelada na safra 2025/2026 para minimizar prejuízos da estiagem e queda nos preços.
- A subvenção é válida para cana entregue entre agosto de 2025 e julho de 2026, com prazo para envio de documentação à Conab até outubro de 2026; pagamento será feito via Pix após análise dos dados.
- A medida visa beneficiar cerca de 16 a 17 mil produtores e preservar 60 mil empregos, enfrentando desafios como a redução do preço da tonelada e tarifas adicionais que afetam as exportações para os EUA.
O governo anunciou uma subvenção de até R$ 270 milhões para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. O programa prevê o pagamento de R$ 12 por tonelada comercializada na safra 2025/2026.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a medida pretende reduzir os prejuízos causados pela estiagem, pela queda nos preços do açúcar e pelas dificuldades de exportação.
Apoio por tonelada
O benefício vale para a cana produzida e entregue a usinas, destilarias ou cooperativas do Nordeste entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026.
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A Medida Provisória nº 1.374/2026 autorizou o pagamento. Já o Decreto nº 13.092/2026 regulamentou o programa.
O ministro da Agricultura, André de Paula, discutiu a operacionalização da medida nesta segunda-feira (31), em João Pessoa (PB). A reunião ocorreu na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), com a participação de produtores e representantes do setor.
Quem pode receber
Podem solicitar a subvenção produtores independentes, pessoas físicas ou jurídicas. Cooperativas e associações também poderão pedir os valores correspondentes à produção de seus cooperados ou associados.
Para receber, o produtor precisa comprovar a comercialização da cana dentro do período previsto. Além disso, deve apresentar documentos que comprovem sua regularidade e os dados da produção.
Prazo termina em outubro
Os produtores devem enviar a documentação eletrônica à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até 30 de outubro de 2026.
A Conab analisará os dados dos beneficiários, os comprovantes de venda e as informações sobre os prejuízos. Depois da aprovação, a companhia fará o pagamento por Pix.
Por isso, os interessados devem acompanhar as orientações da Conab e das entidades representativas do setor.
Preços pressionam produtores
O presidente da Asplan, José Inácio de Morais, afirmou que o preço recebido pelos produtores caiu de cerca de R$ 175 para aproximadamente R$ 137 por tonelada.
Segundo Morais, o pagamento adicional ajudará a reduzir parte das perdas. “Ser agricultor é difícil, e nós precisamos, sim, de políticas públicas e dessa união”, declarou.
Além da estiagem e dos preços internacionais mais baixos, o setor enfrenta dificuldades para exportar açúcar aos Estados Unidos. Uma tarifa adicional de 50% atingiu uma cota de aproximadamente 155 mil toneladas, reduzindo a competitividade do produto nordestino.
Governo estima preservar empregos
O governo estima que o programa atenda entre 16 mil e 17 mil produtores. Também calcula que a medida contribua para manter cerca de 60 mil empregos nos canaviais nordestinos.
A cadeia sucroenergética movimenta ainda usinas, destilarias, transporte e comércio exterior. Em 2025, o Nordeste exportou aproximadamente 1,63 milhão de toneladas de açúcar e subprodutos, com receita estimada em US$ 719 milhões.
Alagoas liderou as exportações regionais, seguida por Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Com a subvenção, o governo pretende preservar a renda dos produtores independentes e conter a retração da atividade canavieira na região.