Comboio enfrentou estradas de terra, travessias de rios e 206 km entre Correntina e Bom Jesus da Lapa
Expedição de tratores percorre 206 km pelo Oeste da Bahia
Foto: Tiago Lima/Divulgação

Foram 206 quilômetros, três dias de viagem e 14 tratores encarando estradas de terra, trechos sinuosos, rios, áreas de Caatinga e Cerrado e algumas das principais regiões agrícolas do Oeste da Bahia.

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A viagem começou em Correntina e terminou diante do Santuário do Bom Jesus da Lapa, às margens do Rio São Francisco. No caminho, máquinas de diferentes gerações transformaram uma rota pelo interior baiano em uma expedição marcada por poeira, travessias, mudanças bruscas de paisagem e encontros com moradores das comunidades.

A quinta edição do Viajando com V de Valtra – Caminhos do Oeste Baiano colocou lado a lado tratores históricos e modelos atuais. Mais do que mostrar máquinas, porém, o percurso revelou diferentes faces de uma região onde agricultura, natureza, cultura e história dividem o mesmo território.

Primeiro desafio: 55 quilômetros por estradas rurais

A aventura começou na sexta-feira (18), na região das 7 Ilhas, em Correntina.

Os 14 tratores deixaram o município em direção a Santa Maria da Vitória. No primeiro dia, o comboio percorreu 55 quilômetros, principalmente por estradas vicinais e caminhos de terra.

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Era apenas o início.

Expedição de tratores percorre 206 km pelo Oeste da Bahia
Foto: Tiago Lima/Divulgação

O roteiro completo previa três dias de deslocamento até Bom Jesus da Lapa, passando por propriedades rurais, pequenas comunidades e regiões onde a produção agrícola convive com paisagens preservadas do Oeste baiano.

Foto: Tiago Lima/Divulgação

O comboio também chamava atenção por reunir máquinas separadas por décadas de evolução tecnológica. Modelos clássicos da Valmet viajaram ao lado de tratores atuais equipados com transmissão CVT, gerenciamento eletrônico e recursos de agricultura de precisão.

Na estrada, essa diferença de gerações se tornou parte da própria paisagem.

O trecho mais longo atravessou Caatinga e Cerrado

O segundo dia aumentou o desafio.

A caravana deixou Santa Maria da Vitória e enfrentou 87 quilômetros, o maior percurso diário da expedição.

A rota passou por Barreiros, Cana Brava e pela Agrovila do PA Jacarandá. Ao longo do caminho, as máquinas cruzaram estradas de terra e trechos sinuosos cercados por serras, formações rochosas, leitos de rios e vegetação típica da Caatinga e do Cerrado.

Em alguns pontos, a própria geografia determinou o ritmo da viagem.

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Uma das cenas mais marcantes aconteceu na Fazenda Bem Bom, onde os tratores precisaram embarcar em uma balsa para continuar o percurso.

Foto: Tiago Lima/Divulgação

Era uma demonstração prática de que aqueles 206 quilômetros não representavam apenas uma distância no mapa.

A rota alternava estradas rurais, cursos d’água, comunidades e áreas agrícolas em uma região onde a paisagem pode mudar completamente em poucos quilômetros.

Do caminho de terra para a agricultura irrigada

Depois de 87 quilômetros, o comboio chegou à Fazenda Busato, onde encerrou o segundo dia.

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A parada marcou também uma mudança no cenário.

Depois das estradas e da vegetação nativa, os participantes encontraram uma área caracterizada pela agricultura irrigada e pela produção de algodão, soja e milho.

A propriedade utiliza pivôs centrais de irrigação e tecnologias de agricultura de precisão, cenário que criou um contraste com os tratores antigos que também participavam da viagem.

Expedição de tratores percorre 206 km pelo Oeste da Bahia
Foto: Tiago Lima/Divulgação

De um lado, máquinas que representam diferentes momentos da mecanização agrícola brasileira. Do outro, sistemas de telemetria, gerenciamento eletrônico e tecnologias voltadas ao controle das operações no campo.

Após o pernoite, ainda restavam 64 quilômetros.

E a última etapa guardava alguns dos cenários mais simbólicos da viagem.

Tratores entram em uma das regiões da banana

No domingo (20), a caravana deixou a Fazenda Busato para enfrentar o trecho final até Bom Jesus da Lapa.

O percurso passou pelo PA Piranhas, pelo Quilombo Lagoa das Piranhas e por Barra da Ipueira antes de entrar na região do Projeto de Irrigação Formoso.

Ali, a paisagem mudou novamente. A banana tomou conta do cenário.

A área reúne mais de 8,7 mil hectares destinados à cultura, enquanto a produção anual supera 200 mil toneladas. Bom Jesus da Lapa também conquistou uma Indicação Geográfica (IG) para a banana produzida na região.

Nesse ambiente, a mecanização assume características próprias. Os bananais exigem equipamentos capazes de circular pelos espaços mais estreitos entre as plantas, enquanto a irrigação ajuda a sustentar a produção em uma região marcada por períodos secos.

Assim, depois de atravessar áreas de Caatinga, Cerrado, fazendas de grãos e estradas rurais, os tratores entraram em outro retrato da agricultura baiana: a fruticultura irrigada.

O São Francisco no caminho

Faltava ainda um dos momentos mais aguardados. Depois de três dias de viagem, o comboio chegou ao Rio São Francisco.

Os 14 tratores cruzaram o rio pela Ponte Gercino Coelho em direção a Bom Jesus da Lapa.

Expedição de tratores percorre 206 km pelo Oeste da Bahia
Foto: Tiago Lima/Divulgação

A travessia funcionou quase como uma linha de chegada natural.

Durante os três dias, os participantes encontraram rios, áreas secas, formações rochosas, vegetação nativa e grandes áreas irrigadas. O percurso mostrou como esses ambientes convivem em uma mesma região.

“Passamos por rios caudalosos, como o Rio Corrente, e logo em seguida vemos a Caatinga seca, formações rochosas imensas e paisagens impressionantes”, relatou Fábio de Biase, gerente de vendas da Valtra Brasil.

Depois do São Francisco, restavam poucos quilômetros.

 206 quilômetros depois, Bom Jesus da Lapa

A viagem terminou no Santuário do Bom Jesus da Lapa, construído em meio às grutas do Morro do Bom Jesus.

O local deu um encerramento simbólico ao percurso.

O santuário ocupa uma formação calcária com mais de 90 metros de altura e faz parte da história da região desde o século XVII. Bom Jesus da Lapa se tornou um dos principais destinos religiosos do país e recebe milhões de visitantes.

Foto: Tiago Lima/Divulgação

Desta vez, porém, quem chegou às grutas chamou atenção de outra maneira.

Depois de 206 quilômetros, 14 tratores estacionaram no destino final da expedição.

O cansaço acumulado durante os três dias deu lugar à sensação de missão cumprida.

“Todo ano é um grande desafio, mas ao final sabemos que há uma grande recompensa. O cansaço se vai e somos tomados pela emoção”, contou o produtor rural e influenciador Allan Pasquini, um dos pilotos da viagem.

Uma viagem que mostrou vários Oeste baianos

O percurso entre Correntina e Bom Jesus da Lapa mostrou que os 206 quilômetros representavam muito mais do que a distância entre a largada e a chegada.

A paisagem mudou constantemente.

Houve estradas de terra, Caatinga, Cerrado, serras, rios, comunidades rurais, lavouras de grãos, algodão, bananais irrigados e a travessia do São Francisco.

Os próprios tratores ajudaram a contar outra transformação.

Modelos antigos, como o Valmet 80 ID e o Valmet 1280, dividiram a estrada com máquinas atuais equipadas com transmissão CVT e sistemas de agricultura de precisão.

Foto: Tiago Lima/Divulgação

A expedição integra um projeto iniciado em 2022. Nas edições anteriores, os tratores passaram pelo Caminho da Fé, em São Paulo; Caminhos de Caravaggio, no Rio Grande do Sul; Estrada Real, em Minas Gerais; e Caminhos dos Engenhos, em Pernambuco.

Em 2026, foi a vez do Oeste da Bahia.

Foram três dias para completar 206 quilômetros.

Uma distância relativamente pequena para uma viagem de carro. De trator, por estradas rurais, rios e diferentes paisagens do interior baiano, a história foi outra.