Dieta com energia acima da necessidade pode antecipar o acúmulo de gordura e comprometer a evolução do bovino para a fase de terminação
Confinamento boi gordo
Foto: Henrique-Ferrera/Divulgação.

Na recria confinada, o excesso de energia na dieta pode acelerar o ganho de peso e favorecer a deposição antecipada de gordura. Por isso, o produtor precisa equilibrar a alimentação para desenvolver o bovino sem comprometer a etapa seguinte.

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O chamado “boi bolinha” é o animal que ganha peso, mas acumula gordura de forma excessiva e precoce. Na prática, ele pode apresentar uma condição corporal mais elevada do que a desejada para aquela fase, enquanto ainda está em desenvolvimento. O problema está justamente nesse desequilíbrio: parte do alimento destinado ao crescimento passa a contribuir mais para a formação de gordura.

Segundo o zootecnista Rafael Neiva Assunção, o desafio está em elevar o resultado da recria sem antecipar esse processo e prejudicar as etapas seguintes.

“O que a gente tem feito, estudado, é aumentar o desempenho dos animais durante essa fase, sem prejudicar o desempenho futuro dos animais”, explica Neiva.

Por que o excesso de energia preocupa

Durante a recria, o produtor busca crescimento e formação adequada do animal. Entretanto, quando a dieta fornece mais energia do que o necessário para esse objetivo, o bovino pode direcionar uma parcela maior do ganho para a deposição de gordura.

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Assim, o “boi bolinha” não significa simplesmente um animal mais pesado. O termo chama atenção para a forma como esse peso foi acumulado. Um bovino pode apresentar bom ganho de peso e, ainda assim, chegar à fase seguinte com gordura em excesso.

Por isso, o acompanhamento da condição corporal e da evolução do lote ajuda a orientar os ajustes na alimentação. Dessa forma, o produtor consegue buscar crescimento sem antecipar excessivamente a terminação.

Equilíbrio entre recria e terminação

A recria confinada pode manter o crescimento dos bovinos durante o período seco. Entretanto, a estratégia exige atenção à composição da dieta e à resposta dos animais.

Além disso, o resultado dessa fase não deve ser analisado isoladamente. O manejo alimentar também precisa considerar as condições que o bovino levará para a terminação.

Rafael Neiva Assunção estudou estratégias de suplementação e sistemas de recria e terminação de bovinos de corte em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Viçosa.

Nesse contexto, acompanhar a evolução do lote ao longo do ciclo permite avaliar os efeitos das estratégias nutricionais e evitar que uma decisão tomada na recria prejudique a etapa seguinte. Por isso, o objetivo não é simplesmente fazer o bovino ganhar peso mais rapidamente. O produtor precisa conduzir esse crescimento de maneira compatível com o desenvolvimento do animal e com os resultados esperados na terminação.