Previsão discutida pela Datagro aponta risco de menor chuva no centro-norte a partir de novembro, enquanto retenção de fêmeas muda o ciclo do rebanho
gado de corte
Foto: Wenderson Araujo - Sistema CNA Senar

O El Niño aparece como um dos fatores de risco para a oferta de gado no Brasil nos próximos meses. Segundo análise apresentada pela Datagro Pecuária no 6º Fórum Pecuária Brasil, um cenário de El Niño muito forte pode reduzir as chuvas no centro-norte a partir de novembro e alterar a disponibilidade de animais para abate em 2027.

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Além disso, o clima coincide com uma fase de mudança no ciclo pecuário. Enquanto as pastagens influenciam a permanência dos animais no campo, a retenção de fêmeas pode reduzir a oferta imediata de bovinos para abate.

Menos chuva pode afetar as pastagens

Segundo João Otávio Figueiredo, líder da área de Pecuária da Datagro, o primeiro semestre de 2026 teve condições climáticas favoráveis em várias regiões produtoras. As chuvas ajudaram na formação das pastagens e permitiram maior permanência dos animais no campo.

Agora, porém, o cenário preocupa. “A gente está vendo que não está chovendo muito bem no centro-norte brasileiro”, afirmou Figueiredo.

O analista também ressaltou que previsões climáticas de longo prazo apresentam elevada incerteza.

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Ainda assim, o Cemaden apontou maior probabilidade de chuvas abaixo da média no centro-norte no trimestre setembro-outubro-novembro. O INPE também registrou essa tendência em seu boletim mais recente sobre o El Niño.

Retenção de fêmeas também pesa

Se as pastagens perderem qualidade, os pecuaristas podem antecipar a venda de animais. Assim, a menor disponibilidade de alimento pode alterar o ritmo de terminação e a oferta de gado.

Ao mesmo tempo, os produtores avançam na retenção de fêmeas para recompor o rebanho. Segundo Guilherme Jank, analista da Datagro Pecuária, as chuvas favoráveis contribuíram para melhorar as condições produtivas e estimular esse movimento.

Com isso, a retenção reduz a disponibilidade de fêmeas para abate no curto prazo, mas pode contribuir para a reconstrução do rebanho.

Os dados do IBGE mostram a dimensão do mercado. No primeiro trimestre de 2026, foram abatidos 10,29 milhões de bovinos sob inspeção sanitária. As fêmeas representaram 49,9% desse total.

Oferta pode mudar em 2027

No primeiro semestre, a Datagro citou aproximadamente 21 milhões de bovinos abatidos. Na comparação apresentada durante o fórum, o abate total recuava 5,9%, enquanto o abate de fêmeas caía 12%.

Por isso, mudanças nas chuvas podem afetar a disponibilidade de pasto, o ritmo de terminação e a decisão dos produtores entre vender ou reter animais.

A projeção para 2027, porém, ainda depende do comportamento do clima e das decisões dos pecuaristas. A própria Datagro ressalta a incerteza das previsões de longo prazo.

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