Fenômeno deve se fortalecer nos próximos meses, elevando a atenção sobre calor e irregularidade das chuvas nas lavouras de café
café
Foto: Divulgação.

O El Niño já está estabelecido e deve se fortalecer nos próximos meses, aumentando a atenção sobre o clima na cafeicultura brasileira. Na safra 2026/27, temperaturas elevadas e chuvas irregulares preocupam principalmente as lavouras de sequeiro.

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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que o fenômeno deve persistir até fevereiro de 2027. Além disso, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), aponta mais de 90% de chance de um evento muito forte.

Os efeitos, porém, variam entre as regiões produtoras e dependem das condições de cada lavoura.

Chuva irregular preocupa o cafeeiro

Segundo o engenheiro agrônomo Ricardo Teixeira, o clima está entre os fatores que mais ameaçam a produtividade porque o produtor tem pouca capacidade de interferir nas condições atmosféricas.

Nesse cenário, as lavouras de sequeiro ficam mais expostas à irregularidade das chuvas. A irrigação pode reduzir parte do risco de déficit hídrico, quando for técnica e economicamente viável.

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A falta de água pode limitar a fotossíntese e prejudicar a absorção e o transporte de nutrientes, afetando o desenvolvimento dos frutos.

Calor pode afetar a produção

As temperaturas elevadas também exigem atenção. Durante o estresse térmico, o cafeeiro pode fechar os estômatos, estruturas que controlam as trocas gasosas e a perda de água.

Com isso, a planta reduz a transpiração e sua capacidade de regular a temperatura. O estresse pode afetar a florada, a formação dos frutos e o enchimento dos grãos, além de interferir na qualidade da bebida.

Por isso, o produtor precisa acompanhar o clima durante todo o ciclo, e não apenas na colheita.

Manejo ajuda a reduzir a vulnerabilidade

Diante do cenário, o produtor deve adaptar o manejo às condições da propriedade. Irrigação, conservação do solo e planejamento nutricional podem ajudar a reduzir a exposição ao estresse hídrico e térmico.

Ainda assim, nenhuma dessas práticas elimina os efeitos de um evento climático de grande escala. Região, variedade, disponibilidade de água e sistema de produção devem orientar as decisões.

A Conab estimou inicialmente a produção brasileira de café em 66,2 milhões de sacas beneficiadas em 2026. Esse número se refere à safra 2026 e não representa uma previsão consolidada para a safra 2026/27.

Com o El Niño em fortalecimento, acompanhar as previsões meteorológicas e as condições de água no solo ganha importância no planejamento da próxima safra. O impacto sobre produtividade e qualidade dependerá da evolução do fenômeno e das condições de cada região produtora.

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