Capturas em três municípios do Sul de Minas levantam preocupação sobre possíveis impactos na fauna aquática
piranhas
Foto: Flickr

Pescadores encontraram piranhas no Lago de Furnas durante pescarias em Guapé, Carmo do Rio Claro e São José da Barra. Os registros confirmam a presença dos peixes nesses pontos, mas ainda não esclarecem a origem dos exemplares nem mostram se a espécie formou uma população no reservatório.

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Os pescadores retiraram os exemplares das redes junto com outras espécies. Em Guapé, um pescador relatou ter machucado a mão ao retirar uma piranha. Em Carmo do Rio Claro, um profissional com mais de 38 anos de atividade afirmou ter capturado o peixe pela primeira vez. Já em São José da Barra, outro pescador registrou um exemplar durante uma pescaria.

Por que a presença preocupa

O principal risco ambiental envolve a predação de peixes que já vivem no Lago de Furnas. Se as piranhas conseguirem se estabelecer e formar uma população no reservatório, elas poderão incluir espécies nativas entre suas presas e aumentar a pressão sobre determinadas populações.

Segundo o biólogo Michael Silveira Reis, lambaris e mandis estão entre os peixes que podem sofrer ataques. O especialista citou o Astyanax fasciatus e o mandi como possíveis presas.

“Nós temos endêmica aqui na nossa região, o Astyanax fasciatus, que é o lambari do rabo amarelo e o lambari do rabo vermelho. E é muito comum também o mandi. Então, esses peixes podem ser predados, podem se tornar vítimas por um ataque desses animais, no caso da piranha”, explicou.

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Na prática, uma população estabelecida poderia mudar a relação entre predadores e presas no reservatório. A retirada de determinados peixes pela predação também poderia afetar outras espécies que dependem deles na cadeia alimentar.

No entanto, os registros atuais não comprovam que esse impacto já esteja ocorrendo. Os técnicos ainda precisam acompanhar a ocorrência, identificar os exemplares e verificar se as piranhas estão se reproduzindo e ampliando sua distribuição.

Como as piranhas podem ter chegado ao lago

A origem das piranhas no Lago de Furnas ainda não foi confirmada. Portanto, não é possível apontar uma causa específica para a chegada dos peixes ao reservatório.

O biólogo Michael Silveira Reis levanta algumas hipóteses. Uma delas envolve a soltura intencional de peixes criados em cativeiro. Outra possibilidade seria a fuga acidental de alevinos de algum tanque de criação próximo à bacia.

O especialista também aponta a água de lastro de embarcações como uma possível forma de transporte. Segundo ele, esse mecanismo pode levar organismos aquáticos de uma região para outra quando os responsáveis não controlam adequadamente a movimentação da água.

Essas possibilidades ainda precisam de investigação. Até que os técnicos identifiquem a origem dos exemplares, a causa da presença das piranhas permanece desconhecida.

O que o pescador deve fazer

Ao encontrar uma piranha, o pescador deve registrar a ocorrência e comunicar as autoridades ambientais. Essas informações podem ajudar os técnicos a mapear a distribuição dos peixes e acompanhar novos registros.

Sempre que possível, o pescador deve informar o município, o ponto ou a área aproximada da captura e a data. Uma fotografia também pode ajudar na identificação do exemplar, desde que o registro não coloque a pessoa em risco.

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O pescador também deve ter cuidado durante o manejo. Como as piranhas possuem dentes capazes de causar ferimentos, o contato direto com a boca do peixe oferece risco. O relato de um ferimento ocorrido durante a retirada de um exemplar em Guapé reforça essa orientação.

Além disso, novos registros em diferentes pontos do reservatório podem ajudar os técnicos a descobrir se a ocorrência permanece localizada ou se a espécie aparece em outras áreas.

Por isso, pescadores e moradores que encontrarem novos exemplares devem comunicar as autoridades ambientais e fornecer o máximo possível de informações sobre a captura. Esses dados podem ajudar os técnicos a diferenciar uma ocorrência pontual de uma eventual expansão da espécie no Lago de Furnas.