Resumo da notícia
- Donald Trump anunciou que Brasil e Argentina serão os principais fornecedores da carne bovina importada pelos EUA para ajudar a conter a alta dos preços ao consumidor.
- A medida autoriza a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra em 90 dias, dividida em três parcelas, para ampliar a oferta e pressionar os preços para baixo.
- O rebanho americano está no menor nível em 75 anos, com queda na produção prevista para 2026, devido a secas, incêndios e restrições, justificando a necessidade das importações extras.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Brasil e Argentina estarão entre os principais fornecedores da carne bovina importada pelo país para ajudar a conter os preços ao consumidor.
Trump fez a declaração durante a assinatura de duas ordens executivas voltadas ao setor pecuário americano. Até então, o governo dos EUA não havia informado quais países forneceriam o volume adicional de carne autorizado recentemente. “A carne está vindo da Argentina, está vindo do Brasil e de alguns outros lugares. Temos nossos inspetores lá. Ela é muito limpa, é muito boa”, afirmou Trump na Casa Branca.
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Questionado sobre quais países fornecerão carne dentro da medida anunciada em agosto para conter a alta dos preços, Trump disse que, neste momento, os volumes virão principalmente de Brasil e Argentina. “Pode haver outros países, mas agora são principalmente Argentina e Brasil. Estamos fazendo isso de forma muito limitada porque nossos pecuaristas conseguem atender ao mercado”, disse.
Quantidade adicional
A medida permite a entrada adicional de 300 mil toneladas métricas de carne bovina magra, com tarifa dentro da cota, durante 90 dias. O objetivo do governo americano é ampliar a oferta de matéria-prima utilizada na produção de carne moída e pressionar os preços para baixo.
A cota foi dividida em três parcelas de 100 mil toneladas. A primeira começou em 1º de setembro e vai até 30 de setembro. A segunda será aberta em outubro, enquanto a terceira começa em 31 de outubro e poderá ser utilizada até o fim de novembro ou até o preenchimento do volume autorizado.
A proclamação oficial estabelece que as 300 mil toneladas adicionais serão destinadas à categoria “outros países ou áreas”. A Argentina já tinha uma ampliação específica de 80 mil toneladas para 2026, determinada anteriormente pelo governo americano. Essa quantidade permanece separada da nova cota.
Rebanho americano está no menor nível em 75 anos
A abertura temporária da cota ocorre em um cenário de oferta restrita de gado nos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, o rebanho americano chegou ao menor nível em 75 anos.
O governo também estima queda de aproximadamente 4% na produção de carne bovina em 2026 em relação ao ano anterior. Secas, incêndios e restrições à entrada de animais vivos do México estão entre os fatores citados pela administração americana.
Trump afirmou que a importação adicional deve dar “um pouco de ajuda” aos pecuaristas americanos enquanto o rebanho se recupera e, ao mesmo tempo, contribuir para reduzir os preços pagos pelos consumidores. “Nossos pecuaristas realmente precisavam de um pouco de ajuda e querem ver os preços caírem”, disse.
EUA estudam ampliar identificação da origem da carne
Durante o mesmo evento, Trump também assinou uma ordem executiva relacionada à identificação da origem da carne bovina.
A medida, porém, não criou imediatamente uma nova exigência de rotulagem obrigatória. O texto determina que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos faça, em até 90 dias, uma revisão das normas e das bases legais que poderiam permitir a adoção da identificação obrigatória do país de origem para produtos de carne bovina.
Depois dessa análise, o governo poderá propor mudanças regulatórias ou recomendações ao Congresso, conforme a legislação americana permitir.
Trump quer ampliar processamento por pecuaristas
Outra ordem executiva assinada em 4 de setembro busca facilitar o processamento e a venda de carne por produtores americanos. O governo pretende reduzir barreiras para que pecuaristas possam abater, processar, embalar e vender seus produtos diretamente aos consumidores, além de ampliar a atuação de pequenos e médios processadores.
A ordem também determina medidas para fortalecer a fiscalização de possíveis práticas anticompetitivas no mercado de gado e carne e prevê ações para ampliar a capacidade de processamento de frigoríficos menores. “Pela primeira vez, vamos dar aos fazendeiros e pecuaristas o direito de processar sua própria comida”, afirmou Trump.
O presidente também disse que os pecuaristas americanos estão reconstruindo seus rebanhos. Segundo ele, a recuperação da produção doméstica poderá reduzir a necessidade de importações no futuro.