Resumo da notícia
- A GWM Poer P30 tem ganhado espaço no mercado brasileiro de picapes, mas proprietários relatam problemas de manutenção, especialmente relacionados ao sistema de ARLA 32, freios, câmbio e suspensão.
- Reclamações envolvendo o ARLA 32 foram frequentes, com casos de panes repetidas; a GWM respondeu realizando diagnósticos e reparos, classificando a maioria dos casos como resolvidos.
- Problemas com freios também foram apontados, como desgaste prematuro das pastilhas, mas a fabricante justificou que a durabilidade varia conforme uso, relevo e condições de tráfego.
A GWM Poer P30 ganhou espaço no mercado brasileiro de picapes e passou a disputar consumidores que tradicionalmente procuram modelos a diesel para o trabalho, inclusive no campo. Ao mesmo tempo, proprietários começaram a registrar na internet experiências envolvendo manutenção e funcionamento da caminhonete.
Levantamento do Agro em Campo encontrou reclamações públicas no Reclame Aqui envolvendo ARLA 32, freios, câmbio, suspensão e outros componentes da Poer P30.
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A análise considerou relatos relacionados ao funcionamento ou manutenção do veículo. Além disso, o Agro em Campo verificou as respostas públicas apresentadas pela GWM nos respectivos casos.
ARLA 32 aparece em mais de um relato

Entre as reclamações analisadas, o sistema de ARLA 32 chama atenção por aparecer em diferentes casos.
José Domingos relatou no Reclame Aqui três ocorrências relacionadas ao sistema em sua Poer P30 2026.
Segundo ele, a primeira aconteceu em 16 de abril. Depois de passar por avaliação e reparos, a caminhonete foi liberada. No entanto, José afirma que o problema voltou em 6 de maio, quando o veículo precisou ser levado de guincho para atendimento.
Ainda conforme o proprietário, uma terceira ocorrência aconteceu em 25 de maio.
A GWM informou publicamente que realizou diagnósticos conforme os protocolos da fabricante e executou os reparos indicados. Depois do último atendimento, segundo a empresa, o veículo passou por uma avaliação mais aprofundada e foi entregue em condições normais de uso.
José posteriormente classificou a reclamação como resolvida, afirmou que voltaria a fazer negócio e deu nota 8 ao atendimento.
Outro caso foi relatado por Vinícius, proprietário de uma Poer P30 2025/2026.
Ele afirmou ter deixado a caminhonete em uma concessionária de Goiânia no dia 7 de maio depois de uma pane relacionada ao ARLA 32. Quando publicou a reclamação, 20 dias depois, dizia ainda não ter recebido diagnóstico definitivo.
Nesse caso, porém, a GWM apresentou uma explicação diferente.
Segundo a montadora, uma análise técnica concluiu que a ocorrência não estava relacionada a falha do produto ou de fabricação, mas à ação de um agente externo. A empresa informou que concluiu o reparo e entregou a caminhonete em 5 de junho.
Freios concentram diferentes reclamações

Os freios também aparecem em mais de um relato localizado pelo Agro em Campo.
Gabriel contou que levou sua Poer P30 para a primeira revisão com aproximadamente 12 mil quilômetros. Durante o serviço, segundo ele, recebeu a informação de que seria necessário substituir as pastilhas dianteiras.
O proprietário considerou o desgaste prematuro para a quilometragem do veículo.
A GWM respondeu que as pastilhas fazem parte dos componentes sujeitos ao desgaste natural. A fabricante acrescentou que a durabilidade varia conforme fatores como maneira de dirigir, relevo e condições de tráfego.
Outro proprietário, Sidinei, apresentou uma reclamação semelhante.
Segundo ele, sua Poer P30 precisou trocar as pastilhas pela primeira vez aos 10 mil quilômetros. Posteriormente, antes de chegar aos 22 mil quilômetros, teria surgido novamente a necessidade de substituição.
Sidinei não considerou a resposta da empresa satisfatória e classificou sua reclamação como não resolvida.
Há ainda um terceiro relato relacionado aos freios.
Júlio afirmou, em janeiro, que sua Poer P30 ficou retida em uma concessionária de Goiânia depois de apresentar ruído no sistema. Na resposta pública, a GWM informou que tratava o apontamento como uma questão de segurança e que peças haviam sido solicitadas para a conclusão do serviço.
Os casos não demonstram, isoladamente, que exista um defeito no sistema de freios da Poer P30. Entretanto, mostram que freios estão entre os componentes que aparecem repetidamente nas reclamações localizadas pelo levantamento.
Vazamento de óleo no câmbio

Luzia e Haroldo relataram outro tipo de problema.
Segundo o casal, uma Poer P30 zero-quilômetro apresentou vazamento de óleo no câmbio poucos dias depois da compra.
Quando a reclamação foi publicada, em julho, eles afirmavam que a caminhonete estava havia 19 dias na oficina.
Posteriormente, a GWM informou que o veículo havia sido reparado e entregue aos proprietários.
Luzia confirmou que recebeu a caminhonete, mas afirmou na consideração final publicada na plataforma que ainda precisaria utilizá-la por mais tempo para saber se os problemas haviam sido efetivamente solucionados.
Suspensão também aparece nos relatos

João relatou ter percebido estalos na suspensão de sua Poer P30 2025/2026 durante uma viagem de aproximadamente 1.300 quilômetros.
Além do problema relatado no veículo, ele reclamou inicialmente da dificuldade para conseguir atendimento durante a viagem.
A GWM informou posteriormente que a caminhonete passou por análise técnica e recebeu a intervenção necessária.
De acordo com a resposta da empresa, João confirmou posteriormente que os estalos não voltaram a ocorrer. Na avaliação final do Reclame Aqui, o proprietário classificou o caso como resolvido, disse que voltaria a fazer negócio e deu nota 10 ao atendimento.
Outro relato mais recente, publicado em agosto, descreve uma Poer P30 Exclusive 4×4 TD que teria passado quatro vezes pela concessionária desde que foi retirada zero-quilômetro em junho.
Entre os problemas apontados pelo consumidor estavam rangidos e desgaste em componentes da suspensão traseira, além de uma falha relacionada à câmera frontal.
Segundo o relato, a própria assistência técnica teria identificado a necessidade de substituir componentes da suspensão.
Reclamação não significa defeito generalizado
As reclamações representam experiências individuais dos proprietários. Portanto, o levantamento não permite concluir que os problemas sejam generalizados na frota da Poer P30.
O Reclame Aqui não representa uma amostra estatística dos proprietários da Poer P30. Consumidores que não tiveram problemas normalmente não registram reclamações na plataforma.
Além disso, parte dos casos analisados terminou com solução informada pela GWM e posteriormente reconhecida pelos próprios proprietários.
Para quem utiliza uma picape como ferramenta de trabalho, sobretudo no campo, a discussão também vai além do preço ou da potência do motor. Confiabilidade, manutenção, disponibilidade de peças e qualidade do pós-venda fazem parte do custo real de manter o veículo.