Resumo da notícia
- O uso de touros Senepol na estação de monta pode aumentar a receita bruta em cerca de R$ 500 por bezerro, graças ao ganho de peso na desmama, que eleva o valor do animal no mercado.
- Bezerros meio-sangue Senepol apresentam maior peso à desmama e novilhas com precocidade sexual e habilidade materna, beneficiando a formação de matrizes e programas de inseminação artificial.
- A escolha criteriosa de touros Senepol, considerando origem e desempenho, é fundamental para garantir eficiência na monta e resultados positivos ao longo de gerações no rebanho.
O uso de touros Senepol registrados na estação de monta pode aumentar a receita bruta em aproximadamente R$ 500 por bezerro, segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). Adaptada ao calor, a raça é utilizada em cruzamentos que buscam melhorar o desempenho produtivo dos rebanhos.
A diferença aparece no peso à desmama. Enquanto um bezerro zebuíno desmama com cerca de 200 quilos, o meio-sangue pode alcançar 230 quilos. Considerando o preço de R$ 17 por quilo vivo, os 30 quilos adicionais representam R$ 510 por cabeça. Assim, a receita bruta estimada passa de R$ 3,4 mil para R$ 3,9 mil por animal.
Esse cálculo, porém, depende do peso efetivamente alcançado e da cotação praticada na região. Além disso, a diferença representa faturamento bruto, sem descontar os custos de produção.
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Valorização do bezerro reforça a estratégia
As perspectivas para a pecuária em 2027 também influenciam o planejamento dos criadores. A redução das escalas de abate e a retenção de fêmeas apontam para uma possível nova onda de valorização dos bezerros. Nesse cenário, o peso adicional à desmama pode ampliar a receita, desde que o ganho compense os custos envolvidos.
O cruzamento também pode favorecer a formação de matrizes para reposição. As novilhas meio-sangue apresentam potencial de precocidade sexual e habilidade materna. Segundo a associação, elas podem atingir a puberdade por volta dos 15 meses, conforme o desenvolvimento e a condição corporal.
Além disso, essas fêmeas podem atuar como receptoras de embriões e participar de programas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Para alcançar bons resultados, entretanto, o pecuarista precisa garantir nutrição adequada, sanidade e manejo reprodutivo eficiente.
Eficiência na estação de monta
Durante a estação de monta, as características do reprodutor influenciam os resultados da próxima safra. Alta libido, capacidade de percorrer grandes distâncias e adaptação ao calor favorecem o trabalho em sistemas de monta natural.
De acordo com a ABCB Senepol, um touro da raça pode cobrir mais de 40 vacas quando recebe manejo adequado. A proporção ideal, contudo, varia conforme a idade e a condição corporal do macho, o tamanho do lote, o relevo e as condições das pastagens.
Por isso, a escolha exige atenção à procedência e aos critérios de seleção. Maurício Borges, superintendente técnico da entidade, alerta para os riscos de adquirir reprodutores sem informações confiáveis sobre origem e desempenho.
“O efeito da genética se prolonga por gerações dentro de um rebanho. Por isso, a procedência e os critérios de seleção precisam ser considerados na compra de um touro Senepol”, recomenda Maurício Borges, Superintendente Técnico da ABCB Senepol.
O alerta vale especialmente para os chamados “touros de ponta de boiada”, escolhidos pela aparência, sem informações confiáveis sobre genealogia e desempenho. Segundo Borges, essa prática pode comprometer os resultados das próximas safras, já que o reprodutor transmite características genéticas às gerações seguintes.
O registro genealógico da associação oferece informações adicionais para orientar a compra. A inspeção técnica verifica o padrão racial e a funcionalidade do animal, com atenção a aspectos como umbigo e aprumos.
Melhoramento genético orienta a escolha
Os indicadores dos Programas de Melhoramento Genético do Senepol (PMGS) ajudam o criador a selecionar reprodutores alinhados aos objetivos da propriedade. Com esses dados, é possível comparar características produtivas e planejar acasalamentos com critérios mais consistentes.
A seleção também utiliza marcadores genéticos para características de interesse econômico. Entre elas está a presença do gene associado ao pelo curto, conhecido como Slick Hair, característica relacionada à adaptação ao calor.
Outro ponto envolve a avaliação de mutações no gene da miostatina. Dependendo da variante, alterações podem influenciar o desenvolvimento muscular e outras características produtivas. Por isso, a análise deve considerar os efeitos específicos de cada mutação e os objetivos do programa de seleção.
Na prática, a combinação de genealogia, avaliações de desempenho e informações genéticas permite direcionar os acasalamentos. Dessa forma, o produtor pode priorizar características importantes para as etapas de cria, recria e engorda.
Desempenho pode se estender até o abate
No ciclo completo, os ganhos podem chegar à fase de terminação. Segundo dados divulgados pela ABCB Senepol, bovinos cruzados podem superar 18 arrobas aos 24 meses, com rendimento de carcaça médio de 54%.
O resultado depende da combinação genética, da alimentação, do manejo sanitário e das condições de criação. Já a espessura de gordura subcutânea, a maciez da carne e a heterose, fenômeno pelo qual determinados cruzamentos podem favorecer características produtivas e que influenciam a qualidade da carcaça.
Esses atributos podem ajudar a atender às exigências dos frigoríficos e abrir oportunidades de remuneração diferenciada, conforme os critérios de cada comprador. Além disso, linhagens selecionadas para marmoreio, característica relacionada à gordura entremeada no músculo, podem contribuir para as propriedades sensoriais da carne.
O presidente da ABCB Senepol, Leonardo Lima Keller Gonçalves, destaca as características que, segundo ele, tornam a raça uma opção para os sistemas modernos de produção.
“O touro Senepol é um pacote tecnológico completo, oferecendo docilidade, fertilidade, precocidade e tantas outras vantagens estratégicas à pecuária moderna. A maioria dos usuários recebem ágio por qualidade de carcaça e de carne”, afirma Leonardo Lima Keller Gonçalves.
O dirigente também relaciona o uso desses reprodutores sobre matrizes F1, hoje presentes em diversas fazendas brasileiras, à produção de animais tricross, que reúnem três grupos genéticos. Segundo ele, essa estratégia contribuiu para tornar mais frequente a obtenção de novilhos de 20 ou 21 arrobas aos 16 meses.
Esses resultados variam conforme os cruzamentos e o sistema de criação. Por isso, a escolha de um reprodutor registrado precisa estar associada ao planejamento reprodutivo, à alimentação e ao manejo. A combinação desses fatores pode favorecer a produtividade e melhorar o aproveitamento econômico do rebanho.