Pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) avalia folhas e ramos da planta como alternativa para alimentar bovinos durante a estiagem
Cultivo de mandioca em sistema de plantio de direto
Cultivo de mandioca em sistema de plantio de direto - Foto: Silva, Mauricilia/Embrapa.

Parte da mandioca que normalmente fica no campo após a colheita está sendo avaliada como alimento para bovinos durante a seca. Para isso, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realiza um estudo em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).

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A pesquisa analisa principalmente o terço superior da planta, formado por folhas e ramos que costumam ser descartados. Até agora, a equipe avaliou algumas variedades destinadas à indústria. No entanto, as variedades de mandioca de mesa ainda serão analisadas.

Parte aérea apresenta mais de 15% de proteína

O Grupo de Estudos e Extensão em Forragicultura e Conservação de Forragens (GEFOR), da UFMT, conduz o estudo. Até o momento, os resultados apresentados pela equipe mostram que a parte aérea da mandioca apresentou mais de 15% de proteína bruta, ultrapassando 20% em algumas cultivares.

Além disso, os pesquisadores apontam que as pastagens podem apresentar entre 5% e 6% de proteína bruta durante a seca.

“A parte aérea da mandioca, em nossos dados, superou os 15% de proteína bruta, chegando a mais de 20% em algumas cultivares específicas. É um alimento que, além de manter o animal, garante ganho de peso em plena seca”, destacou o professor Joadil Gonçalves de Abreu.

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Além do teor de proteína, os testes de campo registraram 28 toneladas de massa verde por hectare. Para efeito de comparação, a equipe cita cerca de 35 toneladas por hectare para híbridos de milho usados na produção de silagem.

“Quando comparamos a produção de massa verde, percebemos que a mandioca se aproxima da produtividade do milho para silagem, mas com uma grande vantagem: ela suporta muito melhor os períodos de estiagem”, destaca Joadil.

Apesar desses resultados, a pesquisa ainda está em andamento. Portanto, os dados não permitem uma recomendação geral para o uso do material na alimentação dos rebanhos.

Empaer avalia variedades em Mato Grosso

A Empaer pesquisa mandioca desde 2012. Nesse período, a instituição passou a avaliar materiais adaptados a diferentes regiões de Mato Grosso.

Atualmente, o Campo Experimental de Tangará da Serra mantém 70 materiais genéticos de mandioca de mesa e 25 destinados à indústria. A equipe avalia, entre outros aspectos, produtividade, resistência a doenças, teor de amido, arquitetura da planta e adaptação às diferentes regiões do estado.

“Não avaliamos apenas produtividade. Observamos resistência a doenças, qualidade culinária, teor de amido, arquitetura da planta e adaptação às diferentes regiões do estado. O objetivo é recomendar ao produtor materiais que realmente tragam retorno econômico”, afirmou a pesquisadora e engenheira agrônoma Dolorice Moreti.

Material precisa passar por processamento adequado

Entretanto, o aproveitamento da parte aérea exige cuidado. A mandioca contém compostos que podem liberar ácido cianídrico, substância que oferece risco aos animais. Por isso, os pesquisadores destacam que o material não deve ser fornecido fresco.

Nesse sentido, o estudo avalia o processamento do material, incluindo a secagem, antes do fornecimento aos animais. A utilização deve seguir orientação técnica e os procedimentos avaliados pela pesquisa.

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Por enquanto, portanto, o estudo ainda não estabelece uma recomendação ampla para diferentes sistemas de produção.

Pesquisa continua

A UFMT e a Empaer ainda precisam avaliar as variedades de mandioca de mesa e ampliar os estudos sobre o aproveitamento da parte aérea.

Além disso, a parceria prevê um Dia de Campo no início do próximo ano agrícola, em Santo Antônio de Leverger e região, para apresentar os resultados obtidos.

Assim, os dados já apontam diferenças nutricionais entre os materiais avaliados. No entanto, a pesquisa ainda precisa avançar antes que o uso da parte aérea da mandioca possa receber uma recomendação ampla para a alimentação dos animais

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