Resumo da notícia
- O aumento das dívidas no campo preocupa produtores, com alta de 56,4% nos pedidos de recuperação judicial e inadimplência rural de 8,3%, dificultando o acesso ao crédito para a próxima safra.
- Renegociações sem orientação técnica podem elevar juros e criar uma "bola de neve" de dívidas, prejudicando o score e limitando o crédito rural dos agricultores.
- Compliance ambiental rigoroso nas instituições financeiras exige regularização de pendências para garantir liberação de crédito e evitar bloqueios nos financiamentos rurais.
O aumento das dívidas no campo preocupa produtores e especialistas do agronegócio. Após perdas causadas pelo clima e pela queda na rentabilidade da soja, muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter o fluxo financeiro e garantir acesso ao crédito da próxima safra.
Dados da Serasa Experian apontam crescimento de 56,4% nos pedidos de recuperação judicial no agro, enquanto a inadimplência rural já atinge 8,3%. Segundo o advogado especializado em agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, muitos produtores ainda cometem o erro de renegociar dívidas diretamente com os bancos sem orientação técnica.
Renegociação pode comprometer crédito rural
De acordo com o especialista, operações conhecidas no mercado como “mata-mata” acabam elevando juros e acumulando novas dívidas, além de prejudicar o score e reduzir o limite de crédito do produtor.
“O produtor deixa a dívida vencer e tenta resolver sozinho junto à instituição financeira. Nesse momento, o banco oferece uma renegociação conhecida como ‘operação mata-mata’, que aumenta juros, gera uma nova cédula para quitar a anterior e transforma o débito em uma bola de neve”, explica.
De acordo com o especialista, mesmo quando o agricultor consegue um acordo imediato, os impactos futuros podem comprometer a saúde financeira da propriedade.
“Muitas dessas renegociações afetam diretamente o score, reduzem o limite de crédito e prejudicam o nome do produtor. Com isso, ele enfrenta dificuldades para acessar financiamentos no próximo Plano Safra”, afirma Santos.
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Reestruturação financeira e regularização do nome
A primeira etapa envolve reorganizar contratos ativos com bancos e fornecedores de insumos, ajustando o fluxo de pagamento e eliminando restrições cadastrais.
“A principal medida é reestruturar financeiramente os contratos, criar novos cronogramas de pagamento e buscar alternativas legais, como prorrogação e alongamento das dívidas, para limpar o nome do produtor”, orienta.
Além disso, o especialista também recomenda agir antes do vencimento das obrigações ou buscar soluções técnicas adequadas para impedir prejuízos cadastrais. Isso evita a deterioração do score e preserva a capacidade de financiamento da atividade rural.
Questões ambientais podem travar financiamentos
Outro fator decisivo envolve o compliance ambiental. Atualmente, instituições financeiras analisam pendências ambientais com rigor antes de liberar crédito rural.
“O produtor precisa garantir que não existam notificações, multas, processos ambientais ou desmatamentos irregulares vinculados à fazenda. Essas situações estão entre os principais fatores que bloqueiam financiamentos”, alerta Pedro Henrique.
Blindagem jurídica pode garantir a próxima safra
Para os produtores que atravessam dificuldades após a colheita, a recomendação é buscar suporte jurídico o quanto antes. Em vez de aceitar condições impostas pelas instituições financeiras, o agricultor pode recorrer ao Manual do Crédito Rural (MCR), que prevê a possibilidade de prorrogação das dívidas em casos de quebra de safra ou problemas de mercado.
Segundo o advogado, uma reestruturação conduzida de forma técnica ajuda a manter o nome limpo e preserva o acesso às linhas de crédito subsidiadas pelo governo.
“O produtor não pode esperar o lançamento do próximo Plano Safra para descobrir que perdeu acesso ao crédito. O momento ideal para auditar dívidas, organizar certidões e buscar o alongamento legal é agora, entre maio e junho. A antecipação é fundamental para garantir limite de crédito e viabilizar a próxima safra”, conclui.