Resumo da notícia
- A indústria de máquinas agrícolas registrou receita líquida de R$ 36,30 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 22,4% em relação a 2025, com retração acentuada no mercado interno.
- As vendas internas caíram 25,7%, impactadas por queda nas comercializações de tratores e colheitadeiras para usuários finais, enquanto exportações cresceram 12,7% no acumulado do ano.
- Em agosto, a venda de tratores aumentou 3,88% em relação a julho, e colheitadeiras subiram 62,65%, mas ainda ficaram abaixo dos níveis de 2025, mostrando recuperação mensal parcial.
A indústria de máquinas agrícolas acumulou R$ 36,30 bilhões em receita líquida entre janeiro e agosto de 2026. O resultado representa uma queda de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O resultado mostra um cenário diferente entre os mercados. Enquanto a demanda brasileira por equipamentos perdeu força ao longo do ano, as vendas externas sustentaram crescimento no mesmo período. Para a indústria, essa diferença ajuda a explicar o comportamento do setor até agosto.
Somente em agosto, o setor movimentou R$ 4,79 bilhões, queda de 22,8% na comparação com agosto de 2025. Além disso, a receita recuou 1,7% em relação a julho deste ano.
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Mercado interno concentra retração
O mercado interno registrou uma queda ainda maior no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, a receita caiu 25,7%, para R$ 30,37 bilhões.
Esse movimento também aparece na comercialização de tratores destinados aos usuários finais. Em agosto, as empresas venderam 3.324 unidades, 25,5% menos do que no mesmo mês de 2025. Por outro lado, o resultado ficou 19,1% acima do registrado em julho.
As vendas de colheitadeiras apresentaram uma retração mais acentuada. Os fabricantes comercializaram 112 unidades para usuários finais em agosto, queda de 43,1% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 13,6% frente a julho.
Exportações crescem no acumulado
Enquanto o mercado interno perdeu força, as exportações apresentaram avanço nos primeiros oito meses do ano.
As vendas externas de máquinas agrícolas somaram US$ 1,15 bilhão entre janeiro e agosto, alta de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025. Em agosto, porém, as exportações chegaram a US$ 133,4 milhões, queda de 1,1% na comparação anual e de 5,5% frente a julho.
As importações também recuaram no acumulado. As compras externas somaram US$ 810,9 milhões até agosto, uma redução de 4% em relação aos oito primeiros meses de 2025.
Em agosto, entretanto, as importações alcançaram US$ 90,25 milhões. O valor ficou 4,9% acima do registrado no mesmo mês de 2025, mas 4,6% abaixo de julho.
Tratores e colheitadeiras
Em agosto, as empresas comercializaram 7.252 tratores, número 3,88% superior às 6.981 unidades negociadas em julho.
Desse total, 3.324 tratores chegaram aos usuários finais. Outros 3.440 foram vendidos para fábricas, queda de 34,1% em relação a agosto de 2025 e de 2,6% frente a julho.
Além disso, 488 tratores seguiram para exportação. O volume cresceu 6,6% na comparação anual, embora tenha recuado 26,1% em relação a julho.
No segmento de colheitadeiras, os fabricantes venderam 270 unidades em agosto. O resultado ficou 62,65% acima das 166 máquinas comercializadas em julho.
Apesar da recuperação mensal, as vendas para usuários finais continuaram abaixo do resultado de um ano antes. As empresas venderam 112 colheitadeiras para esse público, enquanto 141 unidades seguiram para fábricas.
Por fim, as exportações somaram 17 colheitadeiras em agosto, três unidades a mais do que em julho.
Assim, os dados da Abimaq mostram uma retração importante no mercado doméstico de máquinas agrícolas, enquanto as exportações mantêm crescimento no acumulado do ano.