Resumo da notícia
- A agropecuária na Amazônia ocupava 65,3 milhões de hectares em 2025, sendo 50,8 milhões em pastagens e 8,6 milhões em agricultura, representando 15,5% do bioma.
- Cerca de 13,6 milhões de hectares agropecuários ficam próximos a Unidades de Conservação, Terras Indígenas e quilombolas, intensificando a pressão sobre áreas protegidas.
- Em 2025, 40,2% das áreas até cinco quilômetros das estradas eram ocupadas por agropecuária, mostrando como vias facilitam a expansão e o desmatamento no entorno do bioma.
A agropecuária na Amazônia ocupava 65,3 milhões de hectares em 2025, o equivalente a 15,5% do bioma. Desse total, 50,8 milhões de hectares correspondiam a pastagens e 8,6 milhões de hectares eram destinados à agricultura. Os dados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, que reúne informações sobre a cobertura e o uso da terra entre 1985 e 2025.
Além da dimensão da área ocupada, o levantamento chama a atenção para a proximidade entre as atividades produtivas e os territórios protegidos. Cerca de 13,6 milhões de hectares ocupados pela agropecuária ficavam no entorno de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas.
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Esse cenário reforça a importância de acompanhar as mudanças no uso da terra. Afinal, a expansão das atividades econômicas nas proximidades dessas áreas pode aumentar a pressão sobre a vegetação nativa e os espaços destinados à conservação ambiental.
Estradas ampliam a pressão sobre a vegetação
A localização das vias de acesso também aparece como um fator importante no levantamento. Segundo o MapBiomas, 40,2% dos 157 milhões de hectares situados a até cinco quilômetros das vias mapeadas eram ocupados por atividades agropecuárias em 2025. Essa proporção corresponde a aproximadamente 63 milhões de hectares.
Além disso, o estudo identificou uma redução da participação agropecuária à medida que aumenta a distância das estradas. Nas áreas mais afastadas, essas atividades ocupavam 26,7% do território analisado.
As vias facilitam o acesso a regiões antes mais isoladas. Por isso, a abertura de estradas e ramais exige atenção ao planejamento territorial, especialmente quando ocorre perto de áreas protegidas. Segundo Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon que integra a equipe do MapBiomas Amazônia, essa proximidade pode favorecer a ocupação e a conversão da vegetação nativa para outros usos.
O levantamento também identificou um crescimento de 561% da agropecuária no entorno de áreas protegidas ao longo de 41 anos. O resultado mostra como a ocupação territorial mudou desde 1985 e reforça a necessidade de acompanhar a expansão das atividades produtivas nessas regiões.
Desmatamento mantém o bioma sob pressão
A Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento em 2025, segundo os dados divulgados pelo MapBiomas. Embora esse tenha sido o menor valor da série histórica apresentada no levantamento, a perda de vegetação nativa continua sendo um desafio ambiental.
Do total desmatado em 2025, 639 mil hectares correspondiam à vegetação primária, enquanto outros 54 mil hectares eram de vegetação secundária. A primeira categoria reúne áreas de vegetação nativa que não haviam sofrido alterações anteriores significativas, enquanto a segunda inclui ecossistemas que já passaram por intervenções.
Ao longo do período de 1985 a 2025, o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Somadas às áreas transformadas anteriormente, as áreas antropizadas chegaram a 74,6 milhões de hectares.
Diante desses números, acompanhar a expansão da agropecuária na Amazônia é importante para compreender as mudanças na paisagem e os desafios de conservação. Ao mesmo tempo, o planejamento do uso da terra e a proteção dos territórios legalmente protegidos permanecem essenciais para reduzir a pressão sobre a vegetação nativa.