Mamão, melão e manga lideram a especialização exportadora, enquanto as vendas externas de abacate crescem mais de 430% em oito anos

A exportação de frutas brasileiras ganhou força no mercado internacional na última década. Mamão, melão e manga se destacam pela especialização exportadora do país. Além disso, o abacate ampliou significativamente sua participação nas vendas externas, abrindo novas oportunidades para a fruticultura nacional.

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Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), analisou o desempenho de nove frutas entre 2016 e 2024. Segundo os dados divulgados, sete delas ampliaram sua participação relativa no comércio mundial.

Mamão, melão e manga se destacam

O mamão, o melão e a manga aparecem entre as frutas com maior especialização exportadora brasileira. O indicador de Vantagem Comparativa Revelada (VCR) mede o peso de determinado produto nas exportações de um país em relação à participação desse produto no comércio mundial.

Além dessas frutas, limões e limas, melancia, uva e abacate também avançaram no indicador durante o período analisado.

Esse resultado mostra que a fruticultura brasileira ampliou sua presença relativa no mercado internacional. No entanto, conquistar compradores exige mais do que aumentar a produção. Os produtores também precisam atender aos padrões de qualidade, manter a regularidade dos embarques e controlar os custos.

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Exportações de abacate crescem mais de 430%

O abacate brasileiro registrou um dos avanços mais expressivos do levantamento. A receita com as exportações da fruta passou de US$ 6,8 milhões, em 2016, para US$ 36,2 milhões, em 2024.

Com isso, o faturamento aumentou aproximadamente 432% em oito anos, considerando os valores correntes. O resultado evidencia a expansão comercial da fruta no exterior, especialmente em um mercado que valoriza variedades como a Hass.

Entretanto, manter esse crescimento exige planejamento. Como o abacate é perecível, falhas no transporte, no armazenamento e no manuseio podem comprometer a qualidade e reduzir o aproveitamento comercial da produção.

Por essa razão, os investimentos em conservação pós-colheita e logística são importantes para preservar o produto até a chegada ao comprador.

Mercado interno influencia o desempenho das frutas

Enquanto sete frutas ampliaram sua especialização exportadora, banana e maçã registraram recuo no indicador analisado. Segundo a avaliação divulgada, a forte presença dessas frutas no mercado doméstico ajuda a explicar esse comportamento.

Além disso, a exportação de frutas enfrenta desafios como custos de transporte, concorrência internacional e exigências sanitárias e comerciais dos países compradores.

Por isso, cada cadeia precisa desenvolver estratégias próprias para ampliar as vendas externas. A organização da produção, a escolha dos mercados e o planejamento dos embarques ajudam a reduzir riscos e aproveitar oportunidades comerciais.

Logística e qualidade fazem diferença

Para ampliar a competitividade, os produtores precisam combinar produtividade, controle de custos e redução das perdas após a colheita. Da mesma forma, a diversificação dos destinos comerciais pode diminuir a dependência de determinados compradores.

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A escolha das variedades e o planejamento da oferta também influenciam os resultados. Quando os produtores conseguem atender à demanda com qualidade e regularidade, aumentam as condições para estabelecer relações comerciais duradouras.

Ainda assim, o crescimento das exportações não garante automaticamente maior rentabilidade no campo. O resultado econômico depende dos custos de produção, dos preços recebidos e das despesas com classificação, embalagem, transporte e comercialização.

O avanço das vendas externas demonstra o potencial da fruticultura brasileira no mercado mundial. Para transformar essa expansão em ganhos consistentes, o setor precisa fortalecer a eficiência produtiva, a qualidade dos frutos e a estrutura logística.