Resumo da notícia
- A sarna da pereira, causada pelo fungo Venturia pyrina, provoca manchas escuras em folhas e frutos, afetando a aparência e o valor comercial das peras europeias.
- Condições de umidade e temperatura entre 16 °C e 20 °C favorecem a infecção, tornando fundamental o monitoramento climático e a inspeção regular das plantas.
- O manejo inclui remoção de restos culturais, uso de cultivares resistentes como a BRS Áurea e controle químico orientado por profissionais para reduzir a doença no pomar.
A sarna da pereira é uma doença fúngica que pode comprometer a aparência das frutas e reduzir seu valor comercial. No Brasil, pesquisas da Embrapa buscam fortalecer a produção nacional por meio de cultivares adaptadas às condições de cultivo e com resistência a doenças.
A doença é causada pelo fungo Venturia pyrina, que afeta folhas e frutos de cultivares de pera europeia. Por isso, reconhecer os primeiros sintomas e acompanhar as condições ambientais ajuda o produtor a orientar o manejo e proteger a qualidade da colheita.
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Manchas escuras são sinais da doença
Um dos principais sintomas da sarna da pereira é o aparecimento de lesões escuras nas folhas e nos frutos. Nas peras em desenvolvimento, as manchas podem aumentar e provocar deformações, prejudicando a aparência e a comercialização.
Nas folhas, as lesões podem apresentar coloração marrom e aspecto aveludado. Já nos frutos, as manchas comprometem a qualidade visual e podem reduzir o valor comercial da produção.
Diante de sinais suspeitos, o produtor deve observar a distribuição das lesões e buscar orientação técnica para confirmar o diagnóstico. Afinal, outros problemas fitossanitários também podem provocar manchas semelhantes.
Umidade e temperatura influenciam a infecção
As condições climáticas desempenham papel importante no desenvolvimento da sarna da pereira. De acordo com a publicação técnica 500 Perguntas, 500 Respostas: Pera, da Embrapa, o molhamento foliar favorece a infecção.
A faixa de 16 °C a 20 °C é considerada ótima para a infecção, embora a doença também possa ocorrer entre 5 °C e 28 °C. Fora da faixa ótima, o período de incubação tende a ser maior.
Por isso, o produtor deve considerar não apenas a ocorrência de chuvas, mas também o tempo durante o qual as folhas permanecem molhadas e as temperaturas registradas no pomar.
O acompanhamento das condições meteorológicas, combinado à inspeção regular das plantas, ajuda a identificar situações favoráveis à doença e a planejar as medidas de manejo.
Manejo ajuda a reduzir a fonte de infecção
O controle da sarna da pereira exige atenção ao histórico fitossanitário do pomar e às condições que favorecem a doença. Entre as medidas descritas pela Embrapa está a remoção de restos culturais, que contribui para reduzir fontes de inóculo.
Além disso, o monitoramento regular permite identificar sintomas e avaliar a necessidade de intervenções. Quando houver indicação de controle químico, o produtor deve buscar orientação de um profissional habilitado e utilizar somente produtos registrados para a cultura, seguindo as recomendações do rótulo e da bula.
A escolha de cultivares resistentes também pode integrar a estratégia de manejo. Nesse sentido, a pesquisa brasileira oferece alternativas que merecem atenção dos produtores de pera.
BRS Áurea apresenta resistência à sarna
Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, a BRS Áurea é uma cultivar de pera criada para ampliar as possibilidades de produção no Sul do Brasil. Resultado do cruzamento entre as cultivares Hosui e Abate Fetel, ela passou por cerca de 20 anos de seleção, avaliação agronômica e validação.
Nos testes realizados em Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, a BRS Áurea apresentou resistência à sarna da pereira e à entomosporiose, outra doença fúngica que afeta a cultura.
A Embrapa estima potencial produtivo entre 25 e 30 toneladas por hectare nas condições avaliadas. A cultivar também produz frutos médios a grandes, com casca que varia do amarelo-alaranjado ao dourado quando maduros e polpa branca, crocante e suculenta.
Outro diferencial é a adaptação a regiões produtoras que acumulam entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno.
A resistência observada nos experimentos, porém, não significa imunidade em qualquer ambiente. Portanto, mesmo com o plantio de cultivares resistentes, o produtor deve manter o acompanhamento fitossanitário e adotar práticas adequadas às condições locais.
Pesquisa busca fortalecer a produção brasileira
A produção nacional de peras ainda não é suficiente para atender à demanda interna, segundo a Embrapa. A disponibilidade limitada de cultivares adaptadas às condições brasileiras está entre os fatores que dificultam a expansão da cultura.
Nesse cenário, o desenvolvimento de variedades com resistência a doenças, potencial produtivo e qualidade comercial pode contribuir para fortalecer a fruticultura nacional. A BRS Áurea representa uma alternativa para regiões do Sul que atendam às exigências climáticas da cultivar.
Para os produtores, a combinação entre material vegetal adequado, monitoramento e manejo fitossanitário é fundamental para proteger as plantas e preservar a qualidade das frutas. Assim, a prevenção da sarna da pereira continua sendo parte importante dos cuidados necessários para uma produção consistente.