Introduzida nos Estados Unidos para combater pragas agrícolas, Harmonia axyridis se espalhou e passou a competir com espécies nativas
joaninha devorando pulgoes
Foto: Neil Kelley/Flickr

A joaninha asiática (Harmonia axyridis) chegou aos Estados Unidos com uma missão considerada positiva para a agricultura: ajudar no controle de pulgões, cochonilhas e outros insetos que atacam as plantas. A partir de 1916, pesquisadores e órgãos agrícolas promoveram diferentes liberações da espécie como alternativa ao uso de inseticidas.

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No entanto, a estratégia produziu um efeito inesperado. Embora as primeiras introduções tenham ocorrido no início do século 20, populações estabelecidas só foram registradas nos Estados Unidos em 1988, na Louisiana. Depois disso, o inseto se espalhou rapidamente por diferentes regiões.

Um predador eficiente contra pragas

Originária da Ásia, a joaninha asiática se alimenta principalmente de pulgões e outros artrópodes de corpo mole. Por isso, pesquisadores demonstraram interesse pela espécie quando buscavam alternativas naturais para proteger lavouras, pomares, florestas e plantas ornamentais.

joaninha devorando pulgoes
Foto: Neil Kelley/Flickr

Na prática, adultos e larvas consomem grande quantidade de presas. Dessa forma, a espécie pode reduzir populações de determinados insetos prejudiciais às plantas e contribuir para o controle biológico.

Por outro lado, essa eficiência também trouxe um novo desafio. Ao ocupar ambientes diferentes de sua área de origem, a Harmonia axyridis passou a disputar alimento e espaço com joaninhas nativas.

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Expansão rápida favoreceu a espécie

A joaninha asiática apresenta características que favorecem sua adaptação a diferentes ambientes. O inseto consegue viver em áreas agrícolas, florestas, jardins e regiões urbanas. Além disso, aproveita diferentes fontes de alimento.

Outro fator importante envolve sua capacidade de reprodução e mobilidade. Com condições ambientais favoráveis, a espécie encontrou oportunidades para ocupar novos territórios e formar populações numerosas.

joaninha na folha
Foto: Neil Kelley/Flickr

Assim, essa combinação ajuda a explicar por que a Harmonia axyridis se tornou uma das espécies invasoras mais bem-sucedidas entre os coccinelídeos.

Competição preocupa pesquisadores

O avanço da joaninha asiática também levantou preocupações sobre a biodiversidade. Estudos registraram mudanças na composição das comunidades de joaninhas em áreas onde a espécie se estabeleceu.

Além disso, pesquisas apontam que o inseto pode competir com outras joaninhas por alimento e praticar predação intraguilda. Nesse comportamento, um predador consome outro predador que utiliza recursos semelhantes.

joaninha nas folhas
Foto: Neil Kelley/Flickr

Entretanto, os cientistas fazem uma ressalva importante. A presença da Harmonia axyridis não explica sozinha todas as reduções observadas entre as espécies nativas. Mudanças no uso da terra e outras alterações ambientais também podem influenciar essas comunidades.

Uma lição para o controle biológico

O caso mostra que o controle biológico pode oferecer benefícios importantes para a agricultura. Ao mesmo tempo, a estratégia exige uma avaliação cuidadosa dos riscos ecológicos antes da introdução de uma espécie.

Por isso, pesquisadores precisam analisar não apenas a capacidade de um organismo controlar determinada praga. Também devem avaliar possíveis efeitos sobre espécies nativas, cadeias alimentares e equilíbrio dos ecossistemas.

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No caso da Harmonia axyridis, uma estratégia criada para reduzir a presença de insetos prejudiciais acabou acompanhando a expansão de uma espécie exótica em diferentes regiões.

Mais de um século depois das primeiras liberações nos Estados Unidos, a joaninha asiática continua desempenhando um papel ambíguo. De um lado, pode ajudar no controle de algumas pragas agrícolas. De outro, sua expansão representa um desafio para a conservação de espécies nativas.

O episódio reforça, portanto, uma lição importante para a agricultura: antes de introduzir um organismo para combater uma praga, é preciso avaliar também os efeitos que ele poderá produzir no longo prazo sobre o ambiente.