Medidas como proteção de bezerros, cercas elétricas e monitoramento ajudam produtores a diminuir perdas e reduzir conflitos com o felino
Foto: Reprodução Sesc Pantanal

Ataques de onças-pintadas podem transformar a presença do maior felino das Américas em um problema econômico para pecuaristas que mantêm rebanhos próximos a áreas de vegetação nativa. Bezerros estão entre os animais mais vulneráveis, o que torna o manejo uma ferramenta importante para reduzir perdas.

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Na prática, medidas como proteção de crias, uso de cercas elétricas, monitoramento do rebanho e mudança na localização dos animais podem diminuir as oportunidades de ataque. A estratégia busca proteger o gado sem ampliar o conflito com a fauna.

O desafio aumenta em propriedades onde as áreas de criação se sobrepõem às regiões utilizadas pelas onças para deslocamento, abrigo e busca por alimento. Nesses locais, identificar os pontos de maior risco permite direcionar melhor as medidas de prevenção.

Bezerros exigem proteção reforçada

Os bezerros apresentam maior vulnerabilidade porque ainda não têm a mesma capacidade de defesa e fuga dos animais adultos. Por isso, o manejo durante os primeiros dias e semanas de vida pode contribuir para reduzir as perdas.

Uma alternativa é concentrar vacas e crias em áreas de maternidade mais protegidas, especialmente nos períodos de maior risco. Quando esses locais ficam próximos à sede da propriedade, o produtor também consegue acompanhar o rebanho com maior frequência.

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Além disso, o registro das ocorrências ajuda a identificar os pontos mais vulneráveis. Se os ataques se concentram em determinada área, o produtor pode modificar o manejo e restringir o acesso dos animais ao local nos períodos críticos.

Cerca elétrica reforça a proteção

A cerca elétrica pode criar uma barreira adicional em pontos estratégicos da propriedade. A tecnologia pode ser utilizada em áreas destinadas aos bezerros e em locais onde o histórico da fazenda indica maior risco de ataques.

Uma experiência realizada em uma propriedade de Poconé, no Mato Grosso, registrou redução de 83% nas perdas atribuídas a ataques após a adoção de um sistema de proteção elétrica para bezerros durante a noite.

Esse resultado, porém, pertence a uma experiência específica e não representa uma taxa que possa ser aplicada a todas as propriedades. A eficiência da estrutura depende da instalação, da manutenção e das características do terreno.

Por isso, a cerca elétrica funciona melhor quando integra um conjunto de medidas preventivas.

Cães podem atuar como apoio

Algumas propriedades também utilizam cães de guarda de rebanho como recurso complementar. Com treinamento e manejo adequados, esses animais podem alertar para a presença de predadores e aumentar a vigilância sobre o gado.

No entanto, a estratégia depende das condições de cada criação. A escolha dos cães, a adaptação ao rebanho e o manejo diário influenciam os resultados.

Por isso, o uso de cães deve ser encarado como uma ferramenta complementar, e não como substituto para cercas, monitoramento e outras medidas de prevenção.

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Monitoramento ajuda a identificar áreas de risco

O acompanhamento do rebanho também pode revelar padrões importantes. Registros de ataques, localização das ocorrências, horário dos eventos e características das áreas ajudam a identificar os pontos de maior risco.

A pesquisa acrescenta outra ferramenta a esse monitoramento. Pesquisadores utilizam coleiras com GPS para acompanhar os deslocamentos das onças-pintadas e entender como os animais utilizam o território.

Esses dados permitem observar a sobreposição entre as áreas frequentadas pelos felinos e aquelas utilizadas pela pecuária. Com isso, equipes de pesquisa e produtores conseguem direcionar melhor as ações preventivas.

Compensação pode reduzir o impacto financeiro

Mesmo com medidas de prevenção, algumas perdas podem ocorrer. Nesse contexto, programas específicos de compensação por animais predados podem ajudar a reduzir o impacto econômico sobre os pecuaristas.

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Essas iniciativas dependem de regras próprias para comprovar a ocorrência da predação e definir os critérios de pagamento. Portanto, não se trata de uma indenização disponível automaticamente para qualquer produtor que registre a perda de um animal.

Quando existe um programa na região, a compensação pode complementar as ações de prevenção e reduzir parte do custo provocado pelo conflito.

Manejo reduz as oportunidades de ataque

A experiência em diferentes regiões mostra que não existe uma solução única para o conflito entre pecuária e onça-pintada. O resultado depende das características da propriedade, da presença de vegetação nativa, do tamanho do rebanho e do comportamento dos animais.

Por isso, proteger os bezerros, concentrar o gado em áreas mais seguras, instalar cercas em pontos estratégicos e acompanhar as ocorrências formam uma estratégia mais consistente.

Ao mesmo tempo, reduzir os ataques também contribui para a conservação da espécie. A onça-pintada exerce papel importante nos ecossistemas e enfrenta ameaças relacionadas à perda e à fragmentação de habitats.

Para o produtor, a prioridade é proteger o rebanho e reduzir prejuízos. Para a conservação, o objetivo é diminuir situações que transformem a presença do felino em conflito.

Nesse equilíbrio, o manejo preventivo pode aproximar dois interesses que, à primeira vista, parecem incompatíveis: a produção pecuária e a conservação da fauna.