Resumo da notícia
- As compras de arroz para exportação no RS foram retomadas com preço médio de R$ 90 por saca, após pausa causada pela oscilação do dólar, trazendo sustentação ao mercado.
As compras de arroz para exportação foram retomadas no Rio Grande do Sul (RS), com aquisições a um preço médio de R$ 90 por saca. O movimento ocorre após um período de menor atividade nas negociações, influenciado pela oscilação do dólar.
A avaliação feita pelo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Denis Dias Nunes, considera a variação cambial como um dos principais motivos que fez que compradores e vendedores reduzissem o ritmo dos negócios nas últimas semanas.
“O mercado deu uma parada, até porque, com a mudança do dólar, os players deram uma segurada nas negociações. Mas, a partir de ontem, entraram três tradings comprando arroz para exportação, em média a R$ 90, e isso deve segurar o mercado”, afirma Nunes.
Compradores voltam ao mercado
Para a Federarroz, a entrada das tradings deve dar mais sustentação às negociações nos próximos dias. Assim, o valor de R$ 90 por saca é uma média informada pela entidade, com base nas aquisições relatadas pelo presidente da federação.
Na prática, a retomada oferece uma referência para o produtor que ainda tem arroz para vender ou acompanha o mercado durante a implantação da safra. O preço final, porém, pode mudar de acordo com a qualidade do grão, a região, o volume negociado, a forma de pagamento e as condições logísticas.
Plantio avança, mas com atrasos regionais
No campo, as chuvas que atingem o RS, continuam dificultando o plantio em partes das regiões arrozeiras. No entanto, a Federarroz avaliou que a área semeada está à frente da safra anterior, no conjunto do estado. Essa média, na verdade, esconde atrasos importantes em regiões específicas.
“O plantio está avançado em relação à safra anterior no RS e, em algumas regiões, está muito atrasado. Embora, no total da média, comparando com o ano passado, nós tenhamos uma área maior plantada devido à Fronteira Oeste, que é uma área muito significativa, mas se formos comparar por regiões, tem regiões como Litoral Norte, Planície Costeira Interna, à própria região da Zona Sul, Arroio Grande, Pelotas e Rio Grande, que está muito atrasado”, detalha Nunes.
O frio também preocupa. Na Fronteira Oeste e em Santa Vitória do Palmar, onde o plantio começou mais cedo, as baixas temperaturas têm dificultado a emergência das plantas. Esse cenário pode reduzir o estande inicial da lavoura e exige atenção maior dos produtores nas áreas recém-semeadas.
Crédito segue como obstáculo
Outro ponto de preocupação é o financiamento. Produtores que dependem de crédito para custear a próxima safra, ainda encontram dificuldades para fechar as operações com os bancos.
A orientação da Federarroz é que, quem precisa de apoio procure as entidades representativas do setor. Segundo a entidade, a situação financeira para a próxima safra segue atrasada e o acesso ao financiamento permanece como um obstáculo para os arrozeiros.