Resumo da notícia
- A soja fechou a semana com alta de 0,5%, sustentada pela demanda chinesa, apesar da pressão da colheita americana que acelerou e aumentou a oferta no mercado.
- Milho e trigo terminaram a semana em queda, influenciados pela colheita americana que pressiona os preços, com perdas de cerca de 0,6% e 1,8%, respectivamente.
- O mercado começa a incorporar a safra brasileira, que deve crescer em ritmo menor devido a custos elevados e clima, influenciando diretamente os preços internacionais em Chicago.
A Bolsa de Chicago encerrou a semana nesta sexta-feira, 18 de setembro, com um recado dividido para o produtor. A soja conseguiu preservar uma pequena alta semanal, enquanto milho e trigo terminaram o período no campo negativo.
No fechamento, o contrato de novembro da soja ficou próximo de US$ 13,03 por bushel. Já o milho para dezembro encerrou ao redor de US$ 5,27, enquanto o trigo de dezembro terminou próximo de US$ 7,13.
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Na comparação semanal, a soja avançou cerca de 0,5%. Por outro lado, o milho perdeu aproximadamente 0,6%, enquanto o trigo caiu perto de 1,8%.
O movimento mostra que, depois da forte valorização registrada pelos grãos desde agosto, Chicago começa a enfrentar uma disputa entre dois fatores: a entrada da safra americana e um cenário mundial de oferta mais apertado.
Soja sente colheita, mas China sustenta mercado
A soja sofreu forte pressão nesta sexta-feira e perdeu cerca de 16 centavos no contrato de novembro. Mesmo assim, conseguiu terminar a semana acima do fechamento anterior.
A colheita americana ganhou velocidade e colocou mais produto no mercado. Esse movimento costuma pressionar as cotações nesta época do ano.
Entretanto, a demanda chinesa ajudou a limitar as perdas durante a semana.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, informou nesta sexta-feira uma nova venda privada de 111 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista para o ano comercial 2026/27.
Além disso, as vendas semanais americanas de soja da nova safra chegaram a aproximadamente 1,7 milhão de toneladas, com participação importante dos compradores chineses.
Assim, Chicago terminou a semana dividida entre a pressão imediata da colheita e a sustentação trazida pelas exportações.
Brasil já entra nas contas de Chicago
Enquanto as máquinas avançam pelas lavouras americanas, o mercado começa a olhar cada vez mais para o Brasil.
A expectativa de uma nova safra recorde brasileira de soja adicionou pressão aos contratos no fim da semana. Afinal, qualquer crescimento relevante da produção brasileira aumenta a oferta disponível no mercado mundial.
No entanto, existe um detalhe importante.
As projeções iniciais indicam que a área brasileira de soja deverá crescer em ritmo menor do que o observado nos últimos anos. Crédito caro, custos elevados e margens mais apertadas começam a limitar a expansão.
Além disso, o clima brasileiro passará a ocupar espaço crescente nas negociações de Chicago conforme o plantio avançar.
Por isso, o produtor brasileiro deixa de acompanhar apenas o preço internacional e passa também a influenciá-lo diretamente.
Milho fecha semana no vermelho

O milho para dezembro encerrou a sexta-feira perto de US$ 5,27 por bushel, com perda de aproximadamente três centavos no dia.
Na semana, o recuo ficou próximo de 0,6%.
Mais uma vez, a colheita americana exerceu pressão. Entretanto, quando o mercado amplia o horizonte, o cenário muda.
As projeções mais recentes do USDA indicam que o consumo mundial de milho poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
Caso se confirme, será o maior déficit entre produção e consumo em mais de três décadas.
Esse dado ajuda a explicar por que o milho acumulou uma forte recuperação nos últimos meses, mesmo com os Estados Unidos caminhando para colher uma safra muito grande.
Ou seja, existe milho entrando no mercado agora, mas o mundo também está consumindo mais.
Trigo registra a maior queda

Entre os três principais produtos acompanhados pelo Agro em Campo, o trigo apresentou o pior desempenho da semana.
O contrato de dezembro terminou próximo de US$ 7,13 por bushel, acumulando queda de aproximadamente 1,8%.
Chuvas previstas para áreas produtoras de trigo de inverno dos Estados Unidos ajudaram a pressionar os contratos. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha a disponibilidade global e as exportações.
O quadro mundial, porém, continua longe de confortável.
Dados do USDA mostram que a produção global de trigo também deverá ficar abaixo do consumo em 2026/27. Além disso, as dificuldades comerciais relacionadas à região do Mar Negro continuam adicionando incerteza à oferta internacional.
O que o produtor deve acompanhar agora?
O fechamento desta semana mostra que Chicago entrou em uma fase diferente.
No curto prazo, a colheita americana tende a continuar exercendo pressão sobre soja e milho. Quanto mais produto chegar ao mercado, maior poderá ser a resistência para novas altas.
Por outro lado, a demanda chinesa pela soja, o déficit mundial projetado para o milho e a situação dos estoques globais impedem uma leitura simplesmente baixista.
Para o Brasil, outro fator ganha importância rapidamente: o início da nova safra.
A partir de agora, cada mudança nas previsões de chuva, ritmo de plantio e expectativa de produtividade brasileira poderá mexer com Chicago.
O Levantamento Agro em Campo, com base nos fechamentos da Bolsa de Chicago, mostra justamente essa divisão: soja em alta de cerca de 0,5% na semana, milho em queda de aproximadamente 0,6% e trigo recuando perto de 1,8%.
Chicago terminou a semana pressionada pela safra que chega aos armazéns americanos. Porém, por trás dessa pressão de curto prazo, o mercado mundial de grãos continua operando com uma margem de segurança menor.
E essa combinação promete manter os preços voláteis nas próximas semanas.


