Resumo da notícia
- A qualidade do trigo brasileiro em 2026 apresenta queda, com aumento dos tipos 2 e 3 e redução do tipo 1, afetando peso, glúten e Falling Number, segundo Cepea.
- No Rio Grande do Sul, a colheita é atrasada por chuvas intensas, dificultando o avanço das máquinas e aumentando o risco de perdas em lavouras maduras.
- Lavouras no RS mostram desenvolvimento desigual e incidência de doenças, mas controle está dentro do esperado; mercado acompanha oferta e qualidade para moagem.
Os problemas climáticos enfrentados pelo trigo brasileiro em 2026 já aparecem na qualidade comercial dos primeiros lotes colhidos. No Paraná e em São Paulo, há relatos de maior presença de trigos dos tipos 2 e 3, enquanto a oferta de trigo tipo 1 diminui.
Segundo o Cepea, os lotes também apresentam redução do peso hectolitro (PH), da força do glúten e do Falling Number. Esses indicadores ajudam a classificar o cereal e avaliar sua utilização na produção de farinha.
Além disso, a menor disponibilidade de trigo tipo 1 pode aumentar a necessidade de importações para atender ao consumo interno. Assim, o mercado acompanha não apenas o volume produzido, mas também a qualidade do cereal disponível para moagem.
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Chuva atrasa colheita no Rio Grande do Sul
Enquanto Paraná e São Paulo já registram problemas de qualidade em parte dos lotes, o Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades para avançar com a colheita.
Por enquanto, ainda é cedo para afirmar que o mesmo problema de qualidade já atingiu os lotes comerciais gaúchos. No entanto, o excesso de chuva reduz as janelas para a entrada das máquinas justamente quando muitas lavouras se aproximam do ponto de retirada.
O diretor técnico da Emater/RS, Mateus Rocha, afirmou que a colheita ainda ocorre de forma pontual. Na região de Santa Rosa, menos de 1% havia sido colhido, enquanto aproximadamente 15% das áreas estavam em maturação.
Já em Porto Xavier e Doutor Maurício Cardoso, municípios mais adiantados, a colheita chegava a cerca de 4%.
“Tivemos muita chuva até o dia 21 e há previsão para esta semana. Existe a necessidade de um tempo firme para que a cultura atinja um ponto adequado de colheita, mas também para que a maquinaria consiga entrar nas lavouras”, afirmou.
Rocha também alertou para a necessidade de retirar o trigo assim que as lavouras atingirem o ponto adequado.
“O produtor tem sempre aquela máxima de que produto garantido é produto estocado. Precisamos evoluir com a colheita, à medida que as lavouras vão ficando prontas, para evitar perdas neste momento final”, destacou.
Safra tem desenvolvimento desuniforme
Além da chuva, o Rio Grande do Sul apresenta lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento. O plantio ocorreu em períodos distintos, conforme as condições climáticas permitiram.
No aspecto sanitário, o ambiente úmido favoreceu a ocorrência de oídio e giberela. Segundo Rocha, porém, os produtores vêm controlando os problemas e, até agora, a situação não foge do esperado para uma temporada mais úmida.
Enquanto a colheita avança, o mercado acompanha os novos lotes e a disponibilidade de trigo adequado para a indústria de moagem.


