Embora sejam frequentemente tratadas como sinônimos, as frutas pertencem a variedades diferentes e apresentam características próprias
mexerica
Foto: Arquivo.

É comum encontrar ponkan, mexerica e outras tangerinas nas feiras e supermercados e ficar na dúvida se os nomes representam a mesma fruta. Embora os termos sejam próximos e muitas vezes apareçam como sinônimos, existem diferenças entre as variedades e os grupos de frutas cítricas.

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Além disso, o nome popular muda conforme a região do Brasil. No Sul, por exemplo, muitas pessoas chamam as tangerinas de bergamotas. Por isso, para entender a diferença, é preciso considerar tanto a classificação botânica quanto o uso regional dos nomes.

Tangerina é um termo mais amplo

De forma geral, o termo tangerina reúne diferentes frutas cítricas semelhantes. A Embrapa inclui nesse grupo materiais como Ponkan, Cravo, Mexerica do Rio, Satsuma e Clementina.

A Ponkan é uma das variedades mais conhecidas no Brasil. Ela pertence a Citrus reticulata e produz frutos arredondados, com achatamento nos polos e casca que se solta com facilidade.

Já a mexerica pode indicar diferentes variedades, dependendo da região. A Embrapa, por exemplo, identifica a Mexerica do Rio como Citrus deliciosa. A CEAGESP também apresenta variedades como Cravo, Dancy e Mexerica do Rio em seus materiais de identificação comercial.

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Portanto, dizer que ponkan e mexerica são exatamente a mesma fruta simplifica uma classificação que reúne diferentes materiais.

O que muda na aparência e no sabor?

As características dos frutos ajudam a perceber algumas diferenças.

A Ponkan costuma apresentar tamanho relativamente grande, formato arredondado e casca solta. Segundo a CEAGESP, o fruto tem coloração alaranjada, casca fina e solta e polpa também alaranjada.

Nas mexericas, entretanto, as características variam conforme a variedade. A Mexerica do Rio apresenta formato globoso-achatado, enquanto a Cravo tem formato arredondado, casca fina e solta e sabor doce-acidulado.

Por isso, não é seguro identificar qualquer tangerina apenas pelo tamanho, formato ou quantidade de sementes. Essas características mudam entre as variedades.

O aroma também ajuda. Algumas mexericas apresentam cheiro bastante marcante quando o consumidor descasca o fruto, característica associada aos óleos essenciais presentes na casca.

Por que os nomes mudam de uma região para outra?

A nomenclatura popular dos citros varia bastante no Brasil. Assim, uma fruta pode receber nomes diferentes dependendo do estado ou da região onde é comercializada.

O termo bergamota, por exemplo, é bastante usado no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Já “mexerica” aparece com frequência em outras partes do país.

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Além disso, os nomes populares nem sempre correspondem exatamente à classificação botânica. Por isso, para identificar uma variedade com precisão, o produtor ou consumidor precisa considerar as características do fruto e o material cultivado.

A produção de tangerina movimenta bilhões

A diferença entre as variedades também interessa diretamente à produção agrícola. Segundo dados do IBGE, o Brasil produziu 1,03 milhão de toneladas de tangerina em 2025, em uma área colhida de 53,2 mil hectares.

No mesmo ano, o valor da produção alcançou R$ 2,26 bilhões. São Paulo liderou a produção nacional em valor, seguido por outros estados com participação importante na citricultura, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.

Esses números mostram que a cultura vai muito além da dúvida sobre os nomes das frutas. A escolha das variedades também faz parte do planejamento dos pomares e da oferta ao mercado.

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A variedade interfere no cultivo

Para o produtor, conhecer o material cultivado é importante porque cada variedade apresenta características próprias de planta, fruto e maturação.

A Embrapa mantém diferentes materiais de citros em suas coleções. Entre eles está a BRSCAI Poncai, uma tangerineira do tipo Ponkan selecionada no Vale do Caí, no Rio Grande do Sul.

Além disso, o manejo precisa acompanhar as condições do pomar. Irrigação, nutrição, poda e controle fitossanitário devem considerar o clima, o solo, a variedade cultivada e o sistema de produção.

Por essa razão, não é correto atribuir a uma única prática, como a adubação, a garantia de maior doçura ou melhor coloração. A qualidade dos frutos resulta da combinação entre genética, ambiente e manejo.

E a bergamota?

No Sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, bergamota é um nome popular bastante associado às tangerinas e mexericas.

Essa diferença de nomenclatura explica parte da confusão encontrada pelos consumidores. Afinal, o mesmo tipo de fruta pode aparecer com nomes diferentes dependendo do local de venda.

Ainda assim, o nome popular não basta para determinar a variedade. Quando existe necessidade de identificação precisa, entram em cena características do fruto e a classificação da cultivar.

Afinal, qual é a diferença?

De maneira simples, tangerina é um termo amplo que reúne diferentes variedades e grupos de frutas cítricas. A Ponkan é uma dessas variedades, enquanto “mexerica” pode designar diferentes materiais, conforme a região e o uso do nome.

Por isso, ponkan, tangerina e mexerica não devem ser tratadas automaticamente como três frutas completamente diferentes, nem como nomes obrigatoriamente equivalentes.

Para o consumidor, conhecer essas diferenças ajuda a entender melhor o que aparece nas feiras e supermercados. Para o produtor, identificar corretamente a variedade é ainda mais importante, porque essa informação interfere no planejamento do pomar e na comercialização da produção.