Raça japonesa ganha espaço na pecuária de corte, enquanto os abates certificados crescem quase 30% em 2025
wagyu
Foto: Kenji Yamamoto/Flickr

A criação de gado Wagyu no Centro-Oeste chama a atenção para um segmento de maior valor agregado na pecuária brasileira. Originária do Japão, a raça se destaca pelo marmoreio, característica que corresponde à gordura distribuída entre as fibras musculares e contribui para a maciez e a suculência da carne.

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Além de atender consumidores interessados em cortes especiais, essa genética oferece uma alternativa de diversificação para a pecuária de corte. Entretanto, o produtor precisa avaliar os custos de criação e as exigências do mercado antes de investir na atividade.

Abates certificados crescem no Brasil

Os dados do Programa Carne Wagyu Certificada indicam avanço no número de animais abatidos. Em 2024, o programa registrou 1.749 bovinos. Já em 2025, esse total chegou a 2.272, um aumento de aproximadamente 30%.

O resultado reforça o interesse comercial por essa categoria de carne. Contudo, os números abrangem o mercado nacional e incluem animais puros e cruzados. Portanto, não demonstram, isoladamente, o ritmo de crescimento da produção no Centro-Oeste.

Ainda assim, o aumento dos abates certificados evidencia a importância da identificação dos animais e dos critérios de qualidade para o desenvolvimento desse segmento.

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Marmoreio diferencia a carne Wagyu

O principal diferencial da carne Wagyu é o marmoreio, formado pela gordura intramuscular distribuída no tecido. Quando associado a outros fatores de qualidade, esse atributo contribui para uma textura macia e uma experiência sensorial valorizada por consumidores de carnes especiais.

Entretanto, o grau de marmoreio varia conforme a genética, a alimentação e o manejo. Por isso, nem todo produto comercializado como Wagyu apresenta as mesmas características.

A procedência também influencia a percepção de qualidade. Nesse contexto, informações claras sobre a origem e a classificação ajudam o consumidor a comparar produtos e compreender as diferenças de preço.

Cortes premium podem alcançar preços elevados

O valor comercial é outro aspecto que distingue esse mercado. Determinados cortes Wagyu podem alcançar preços próximos de R$ 2 mil por quilo, dependendo da procedência, da genética, do marmoreio e do estabelecimento vendedor.

Esse valor, porém, não representa o preço médio da categoria nem comprova que a picanha produzida no Centro-Oeste seja comercializada por esse montante. Os preços variam entre fornecedores e conforme as características de cada produto.

Além disso, o valor cobrado no varejo não corresponde diretamente à remuneração do pecuarista. Para avaliar a rentabilidade, é necessário considerar os custos de alimentação, a duração do ciclo produtivo, o manejo e as condições de venda dos animais.

Wagyu brasileiro não é sinônimo de Kobe Beef

Embora tenham relação com a mesma origem genética, Wagyu e Kobe Beef não são denominações equivalentes. A raça japonesa também é criada em outros países, inclusive no Brasil, onde a produção pode envolver animais puros e cruzamentos.

Já o Kobe Beef autêntico segue requisitos específicos de origem e certificação no Japão, associados à região de Hyogo e a bovinos da linhagem Tajima.

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Por esse motivo, a carne produzida no Brasil a partir de genética Wagyu não pode receber automaticamente a denominação Kobe Beef. A distinção é importante para identificar corretamente o produto e evitar confusão na comercialização.

Planejamento é essencial para o produtor

A entrada no segmento de carne bovina premium exige uma avaliação cuidadosa da estrutura da propriedade e do mercado comprador. Antes de investir, o pecuarista precisa analisar a disponibilidade de genética adequada, os recursos para alimentação e manejo e os canais de comercialização.

Os cruzamentos também podem integrar a estratégia produtiva. Nesse caso, as características dos animais e da carne dependem das raças utilizadas e dos critérios de seleção adotados.

Assim, o Wagyu representa uma possibilidade de diversificação para a pecuária, desde que o investimento considere a realidade de cada propriedade. A combinação entre qualidade, rastreabilidade, eficiência produtiva e acesso a compradores especializados será determinante para a viabilidade do negócio.

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