Com técnica, gestão e cooperativismo, 54 famílias agricultoras ampliam vendas e conquistam preço 80% maior que o praticado no Ceasa
Foto: FAEMG

No sítio de Victor Abrantes, em Tocantins, município da Zona da Mata de Minas Gerais, os pés de mexerica ponkan estão carregados e prometem uma das melhores safras dos últimos anos. A colheita começa em abril, e a expectativa é que a produção do município chegue a 3 mil toneladas. Ou seja, até três vezes mais do que no ano anterior.

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O bom momento não é obra do acaso. Victor integra um grupo de 30 produtores atendidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), oferecido gratuitamente pelo Sindicato Rural de Tocantins. Desde 2023, o técnico de campo Gil Pedro Lara visita as propriedades mensalmente, orientando os agricultores em questões técnicas, de gestão e planejamento. Os resultados já aparecem nos números.

Qualidade valoriza a fruta e eleva o preço pago ao produtor

A melhoria nas práticas agrícolas foi determinante para o salto financeiro do grupo. Segundo Gil, os produtores passaram a fazer um controle mais rigoroso de mato, adubação e pulverização, com adoção crescente de calcário e adubos ricos em cálcio, insumos que aumentam a qualidade dos frutos.

O efeito prático aparece na comparação entre os dois últimos anos: a renda coletiva do grupo saltou de R$ 1,378 milhão em 2024 para R$ 1,706 milhão em 2025, crescimento de aproximadamente 23,8%. O dado é ainda mais expressivo quando se observa que a produção caiu no mesmo período, de 989 mil quilos para 880 mil quilos. Uma variação considerada normal no ciclo da cultura de mexerica.

Cooperativa nacional abre mercado mais lucrativo para os ponkaneiros

A qualidade reconhecida abriu portas que antes estavam fechadas. Em 2024, os produtores de Tocantins firmaram contrato com a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e forneceram cerca de 7 mil caixas de ponkan. A parceria trouxe um diferencial competitivo importante. Enquanto o quilo da fruta era negociado a R$ 1,39 no Ceasa, a Unicafes pagou R$ 2,50/kg,um preço 80% superior.

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Outro ponto vantajoso foi a aceitação das frutas menores, que costumam ter pouca saída no mercado convencional, mas são preferidas no fornecimento para merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Para 2026, a estimativa é vender mais de 10 mil caixas a R$ 2,60/kg.

Associação reativada dobra número de produtores na venda coletiva

A conquista da Unicafes como compradora só foi possível graças à retomada da Associação de Produtores Rurais de Tocantins (Asprut), entidade que havia interrompido suas atividades. Victor Abrantes, atual presidente da associação, foi o responsável por mobilizar os colegas e demonstrar na prática os benefícios do trabalho coletivo: compra conjunta de insumos, acesso à assistência técnica e capacidade de abastecer grandes instituições.

Para a safra de 2025, o grupo mais que dobrou o número de produtores participantes da venda para a Unicafes, de 23 para 54 agricultores. E com meta de comercializar 20 mil quilos. “Com isso, vendemos a fruta média com valor agregado e valorizamos também a fruta grande”, explica Victor.

A colheita da ponkan em Tocantins se estende de abril a agosto, com pico de produção em junho.