Diferença está na produção de um hormônio vegetal que controla o amadurecimento e influencia o sabor e a conservação das frutas
Bananas verdes e maduras ao lado de morangos ilustram diferenças no amadurecimento das frutas após a colheita
Foto: Rodarte/Agência Agro

Comprar bananas verdes e esperar alguns dias até que fiquem amarelas é um hábito comum. O mesmo acontece com mangas, mamões e abacates, que podem chegar firmes do supermercado e atingir o ponto ideal de consumo dentro de casa.

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Foto de morangos
Foto: Sistema CNA/Senar/Wenderson Araujo

Mas tente fazer isso com um morango verde ou uma uva colhida antes da hora. Mesmo depois de vários dias, essas frutas não desenvolverão a mesma doçura e qualidade que teriam se permanecessem na planta.

A explicação está em uma diferença natural entre as espécies. Algumas frutas continuam amadurecendo depois da colheita, enquanto outras precisam completar esse processo ainda ligadas à planta.

O fenômeno envolve um hormônio vegetal chamado etileno, responsável por desencadear transformações que alteram a cor, a textura, o aroma e o sabor dos frutos.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), essa característica divide as frutas em dois grandes grupos: climatéricas e não climatéricas.

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Por que algumas frutas continuam amadurecendo?

As chamadas frutas climatéricas apresentam um aumento característico na respiração e na produção de etileno durante o amadurecimento.

Esse hormônio funciona como um sinal químico que desencadeia uma série de mudanças no interior do fruto.

Na banana, por exemplo, o amido presente na polpa começa a se transformar em açúcares. Ao mesmo tempo, a casca perde a coloração verde, a polpa fica mais macia e o aroma se intensifica.

banana
Foto: Rodarte/Agro em Campo.

Por isso, uma banana colhida verde, desde que tenha atingido o desenvolvimento fisiológico adequado, consegue amadurecer durante o transporte ou mesmo na fruteira de casa.

O mesmo princípio explica por que um abacate pode permanecer duro durante vários dias e depois amolecer rapidamente.

Entre as principais frutas climatéricas estão:

  • Banana;
  • Manga;
  • Mamão;
  • Abacate;
  • Maçã;
  • Pera;
  • Pêssego;
  • Caqui;
  • Kiwi;
  • Tomate.

A capacidade de continuar amadurecendo depois da colheita representa uma vantagem comercial. Ela permite que produtores colham determinados frutos ainda firmes, facilitando o transporte e reduzindo danos durante a distribuição.

Entretanto, colher uma fruta verde demais não garante que ela desenvolverá o mesmo sabor de outra colhida no ponto adequado.

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O fruto precisa atingir um estágio mínimo de maturidade fisiológica para completar satisfatoriamente o amadurecimento.

Por que morango, uva e abacaxi não amadurecem da mesma forma?

O segundo grupo reúne as chamadas frutas não climatéricas.

Diferentemente das climatéricas, elas não apresentam o mesmo aumento acentuado na produção de etileno e na atividade respiratória durante o amadurecimento.

Isso significa que dependem muito mais da planta para desenvolver características como doçura, aroma e qualidade de consumo.

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Entre os exemplos estão:

  • Morango;
  • Uva;
  • Abacaxi;
  • Laranja;
  • Limão;
  • Tangerina;
  • Cereja.

Um morango colhido antes de atingir o ponto adequado pode até apresentar mudanças na aparência depois da colheita. Entretanto, não continuará acumulando açúcares da mesma maneira que faria enquanto estivesse ligado à planta.

abacaxi
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

A situação também ocorre com o abacaxi. Depois da colheita, ele pode amolecer e apresentar alterações na casca, mas isso não significa que esteja ficando mais doce.

A diferença é importante: mudar de cor ou perder firmeza não significa necessariamente amadurecer com qualidade.

De acordo com a Embrapa, frutas não climatéricas precisam chegar à colheita com características próximas às ideais para o consumo.

Por que colocar banana e abacate juntos acelera o amadurecimento?

Existe um truque doméstico que tem explicação científica: colocar uma banana madura perto de um abacate ainda firme pode fazer com que ele amadureça mais rapidamente.

Isso acontece porque a banana libera etileno no ambiente.

Ao entrar em contato com esse gás, o abacate, que também pertence ao grupo das frutas climatéricas, pode acelerar seu processo natural de amadurecimento.

O mesmo princípio explica por que colocar determinadas frutas em um saco de papel pode ajudar a antecipar o ponto de consumo.

Foto: arquivo Agro em Campo

O papel permite alguma circulação de ar, mas também favorece a concentração do etileno ao redor dos frutos.

A técnica pode funcionar com bananas, abacates, peras e outras frutas climatéricas.

Por outro lado, colocar um morango verde ao lado de uma banana madura não fará com que ele desenvolva a mesma doçura de um morango que amadureceu na planta.

Embora o etileno possa provocar algumas alterações em frutas não climatéricas, ele não reproduz integralmente o amadurecimento natural dessas espécies.

Guardar todas as frutas juntas pode ser um erro

O etileno também ajuda a explicar por que algumas frutas estragam mais rapidamente quando ficam armazenadas próximas umas das outras.

Uma banana madura pode liberar etileno suficiente para acelerar o amadurecimento de outras frutas sensíveis ao hormônio.

Isso pode ser útil quando a intenção é consumir um abacate nos próximos dias, mas representa um problema quando o objetivo é conservar os alimentos por mais tempo.

A temperatura também interfere nesse processo.

Em condições adequadas, a refrigeração reduz a velocidade das reações metabólicas e ajuda a prolongar a conservação de muitas frutas.

Entretanto, nem todas toleram temperaturas muito baixas. Algumas espécies tropicais podem sofrer danos pelo frio, especialmente quando ainda estão verdes.

Por isso, a melhor forma de armazenamento depende da espécie e do estágio de amadurecimento.

Para evitar desperdícios, o consumidor pode adotar alguns cuidados:

  • Comprar bananas, mangas e abacates em diferentes estágios de maturação quando não pretende consumir tudo imediatamente;
  • Manter frutas climatéricas afastadas de outras que precisam permanecer firmes por mais tempo;
  • Escolher morangos e uvas com aparência e maturação adequadas para o consumo;
  • Utilizar a refrigeração conforme as necessidades de cada fruta;
  • Evitar comprar grandes quantidades de frutas muito maduras quando não houver previsão de consumo rápido.

O amadurecimento também influencia o preço e as perdas no campo

A diferença entre frutas climatéricas e não climatéricas vai muito além da fruteira.

Para produtores, distribuidores e comerciantes, conhecer o comportamento de cada espécie ajuda a definir o momento da colheita, as condições de transporte e o tempo disponível para a comercialização.

No caso da banana, por exemplo, o setor utiliza técnicas de climatização para controlar e uniformizar o amadurecimento.

Nesse processo, câmaras apropriadas permitem regular a exposição ao etileno e as condições ambientais, fazendo com que lotes de frutas atinjam padrões semelhantes de maturação.

A tecnologia facilita o abastecimento do mercado e ajuda a organizar a distribuição.

Já frutas como morango e uva exigem cuidados diferentes. Como não apresentam amadurecimento climatérico, precisam sair da propriedade com qualidade adequada e receber atenção especial durante o transporte e o armazenamento.

A Embrapa destaca que o manejo pós-colheita, incluindo temperatura, umidade e controle da respiração, desempenha papel fundamental na manutenção da qualidade dos alimentos.

Erros nessa etapa podem provocar perda de firmeza, alterações de aparência e deterioração precoce, reduzindo o valor comercial da produção.

Afinal, uma fruta pode ficar mais doce depois de colhida?

A resposta depende da espécie.

Em frutas climatéricas, como a banana, parte do amido acumulado durante o desenvolvimento se transforma em açúcares durante o amadurecimento. Por isso, a polpa fica mais doce mesmo depois da colheita.

Já frutas como morango e uva dependem principalmente dos açúcares acumulados enquanto permanecem ligadas à planta.

Foto: Arquivo Agro em Campo

Depois da colheita, elas podem continuar passando por transformações fisiológicas, mas não apresentam o mesmo processo de amadurecimento das climatéricas.

Isso ajuda a explicar uma situação bastante comum: uma banana verde pode ficar doce depois de alguns dias, mas um morango colhido cedo demais dificilmente terá o sabor esperado.

No fim das contas, o segredo de uma fruta saborosa começa muito antes de ela chegar à mesa. Está no desenvolvimento na planta, no momento certo da colheita e nos cuidados durante todo o caminho até o consumidor.