Relação de troca com fertilizantes piora para a laranja industrial, enquanto valorização do tahiti favorece os citricultores paulistas
laranja e limão
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

O poder de compra dos citricultores paulistas apresentou movimentos opostos entre agosto e a primeira quinzena de outubro de 2026. Enquanto a laranja destinada à indústria perdeu força diante dos fertilizantes, a valorização da lima ácida tahiti favoreceu os produtores da fruta.

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O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (‘), da Esalq-USP, mostra que os fertilizantes tiveram pouca oscilação de preços no período. Por isso, as mudanças nas cotações das frutas influenciaram diretamente a quantidade necessária para comprar os insumos utilizados nos pomares.

Laranja industrial exige mais caixas para comprar fertilizantes

Em agosto, o produtor precisava de 75,88 caixas de laranja industrial para comprar uma tonelada do fertilizante formulado 20-00-20. Em setembro, essa quantidade subiu para 81,46 caixas. Já na parcial de outubro, até o dia 14, chegou a 86,31 caixas por tonelada.

Com isso, a quantidade necessária aumentou 13,8% em relação a agosto. Na prática, o citricultor precisou entregar mais caixas de laranja para adquirir a mesma quantidade de fertilizante.

Essa mudança pressiona o orçamento da propriedade, pois a adubação integra o manejo nutricional dos pomares. Além disso, o produtor precisa conciliar a compra de insumos com outras despesas, como mão de obra, controle de pragas e doenças e operações de campo.

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Por esse motivo, acompanhar a relação de troca entre laranja e fertilizantes ajuda o citricultor a avaliar os custos e planejar as compras ao longo da safra.

Limão-tahiti apresenta cenário mais favorável

Para os produtores de limão-tahiti, a relação de troca seguiu um caminho diferente. Em agosto, eram necessárias 22,47 caixas da fruta para comprar uma tonelada do fertilizante 20-00-20. Em setembro, o volume caiu para 18,56 caixas e, na parcial de outubro, avançou para 19,86 caixas.

Apesar da alta em relação a setembro, a quantidade permaneceu 11,6% abaixo do patamar de agosto. Portanto, o produtor ainda precisava de menos caixas de tahiti para adquirir a mesma tonelada de fertilizante na comparação entre os dois períodos.

Esse resultado indica uma melhora no poder de compra do produtor de limão-tahiti. Entretanto, a relação de troca mais favorável não significa, por si só, aumento do lucro, já que a rentabilidade também depende dos demais custos da atividade.

Cotações das frutas mostram comportamentos distintos

As cotações registradas entre 13 e 16 de outubro também evidenciaram diferenças entre os produtos. A laranja pera destinada ao consumo in natura, negociada na árvore, apresentou média de R$ 30,88 por caixa de 40,8 quilos, com recuo de 0,14% em relação à semana anterior.

Por outro lado, a laranja hamlin alcançou R$ 34 por caixa, alta de 15,25% no período. A laranja lima também avançou, com média de R$ 50,87 por caixa e valorização de 4,72%.

Já a lima ácida tahiti registrou média de R$ 157,16 por caixa de 27,2 quilos, com aumento de 20,21% na comparação semanal.

Esses valores, contudo, correspondem a variedades, pesos de caixa e condições de comercialização diferentes. Por isso, o produtor deve considerar as particularidades de cada mercado antes de comparar as cotações.

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Relação de troca ajuda no planejamento da citricultura

Os dados mostram como as oscilações nos preços das frutas podem alterar a capacidade de compra dos citricultores, mesmo quando os fertilizantes apresentam pouca variação.

No caso da laranja industrial, a piora da relação de troca indica que o produtor precisa destinar uma quantidade maior de fruta à compra de adubo. Em contrapartida, a valorização do tahiti favoreceu a aquisição do mesmo insumo em termos relativos.

Ainda assim, o poder de compra na citricultura representa apenas uma parte da análise econômica. Para avaliar a rentabilidade, o produtor também precisa considerar os gastos com mão de obra, manejo fitossanitário, colheita, transporte e demais operações da propriedade.

Dessa forma, acompanhar os preços das frutas e dos fertilizantes permite identificar mudanças nas condições de mercado e tomar decisões de compra mais adequadas à realidade de cada pomar.

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