Resumo da notícia
- O Brasil exportou 203,2 mil toneladas de suco de laranja entre julho e setembro, 9,6% a mais que na safra anterior, mas a receita caiu 34,4%, totalizando US$ 489,7 milhões no período.
- Os embarques ainda estão 14% abaixo da média das últimas cinco safras, indicando que o aumento atual não representa recuperação total do setor.
- Estados Unidos, Canadá e Europa lideram as compras, enquanto a China dobrou o volume importado, mas a receita chinesa caiu 4,7%; óleo essencial de laranja teve crescimento de 138,6% nas exportações.
O Brasil aumentou os embarques de suco de laranja no início da safra 2026/27, mas o faturamento com as vendas externas recuou. Entre julho e setembro, o país exportou 203,2 mil toneladas, volume 9,6% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior.
Apesar do avanço nos embarques, a receita caiu 34,4% e ficou em US$ 489,7 milhões. Assim, o setor iniciou a nova safra com maior volume comercializado, porém com resultado financeiro menor.
Os dados foram compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
- Por que a laranja tem cheiro tão forte ao descascar?
- Clima pode limitar queda nos preços de laranja e limão
Embarques ainda ficam abaixo da média
Mesmo com a alta anual, o volume exportado ainda ficou abaixo da média das cinco últimas safras. No primeiro trimestre da temporada 2026/27, os embarques ficaram 14% abaixo da média, de aproximadamente 237 mil toneladas.
Portanto, o crescimento registrado agora ainda não representa uma recuperação completa do ritmo observado nas últimas temporadas.
Além disso, o contraste entre volume e faturamento chama atenção. O Brasil comercializou uma quantidade maior de produto, mas arrecadou menos com as vendas externas.
Estados Unidos e Europa lideram destinos
Estados Unidos, Canadá e países europeus continuam entre os principais mercados para o produto brasileiro.
Juntos, Estados Unidos e Canadá responderam por 47,2% dos embarques realizados entre julho e setembro. A Europa, por sua vez, concentrou 45,2% do volume exportado.
A China também apresentou forte crescimento nas compras. O volume adquirido pelo país asiático aumentou 111,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
Entretanto, o avanço dos embarques não veio acompanhado de aumento da receita. O faturamento obtido com as vendas para a China caiu 4,7%.
Óleo essencial tem forte alta
O crescimento das exportações também apareceu em outro produto da cadeia citrícola. O volume de óleo essencial de laranja enviado ao exterior aumentou 138,6% no período analisado.
Esse resultado reforça a importância dos diferentes derivados da fruta para o comércio exterior brasileiro. Além da indústria de bebidas, esses produtos abastecem outros segmentos que utilizam componentes da laranja em suas atividades.
Mais volume, menor faturamento
Os números do primeiro trimestre mostram que o aumento da quantidade embarcada não foi suficiente para sustentar a receita obtida pelo setor.
Por isso, a evolução dos preços, da demanda internacional e dos embarques será importante para o desempenho da cadeia ao longo da safra 2026/27.
Ao mesmo tempo, a presença de grandes compradores ajuda a manter o Brasil entre os principais fornecedores mundiais de suco de laranja.
China amplia participação
A forte alta das compras chinesas se destaca no resultado do período. O país mais que dobrou o volume adquirido do Brasil, com crescimento de 111,5%.
Ainda assim, a receita caiu 4,7%. O dado mostra que o aumento da quantidade vendida, isoladamente, não garante crescimento do faturamento.
Dessa forma, o desempenho do mercado chinês deve ser acompanhado ao longo da temporada, especialmente diante da diferença entre volume comercializado e valor obtido.
Próximos meses serão decisivos
O Brasil mantém posição de destaque no mercado internacional de suco de laranja. Por isso, mudanças na oferta, na demanda e nos preços externos podem influenciar os resultados da cadeia ao longo da safra.
Neste início de temporada, o cenário combina dois movimentos distintos: os embarques avançaram 9,6%, enquanto a receita recuou 34,4%.
O desempenho dos próximos meses vai mostrar se o aumento do volume exportado ganhará força ou se o setor continuará enfrentando pressão sobre o faturamento.