Resumo da notícia
- Municípios de Minas Gerais, como Araxá, Sacramento e Ibiá, adotam leis que restringem o plantio da murta, planta hospedeira do psilídeo-asiático, para prevenir o avanço do greening na citricultura.
- O greening, doença sem cura que afeta a produção de laranja, é transmitido pelo psilídeo-asiático-dos-citros e causa sintomas como amarelamento das folhas e queda na produção.
- O Cinturão Antigreening mobiliza regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas para fortalecer ações de prevenção e combate à doença, envolvendo população e autoridades locais.
Municípios de Minas Gerais adotam medidas para reforçar o combate ao greening, uma das doenças mais prejudiciais à citricultura. As iniciativas incluem restrições ao plantio da murta (Murraya paniculata), planta ornamental que pode hospedar o psilídeo-asiático-dos-citros (Diaphorina citri), inseto que transmite a bactéria causadora da doença.
Araxá, Sacramento e Ibiá estão entre as cidades que aderiram a medidas legislativas contra a planta. A iniciativa busca ampliar a prevenção e proteger os pomares, sobretudo em regiões que apresentam potencial para expandir a produção de laranja.
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Leis municipais restringem a murta
Em Araxá, a Lei Municipal nº 8.264, de 21 de agosto de 2024, estabelece a proibição do plantio, da comercialização, do transporte e da formação de mudas de murta em todo o município. O texto identifica a espécie como hospedeira do psilídeo, vetor associado à transmissão do greening.
Sacramento também integra a mobilização regional contra a planta. No entanto, sem a confirmação do texto integral da legislação municipal, não é possível detalhar com segurança todas as proibições, as penalidades ou as condições de fiscalização aplicáveis à cidade.
Ibiá igualmente adotou medidas para restringir a murta. As iniciativas municipais procuram reduzir a presença de hospedeiros do inseto transmissor e complementar outras ações de defesa sanitária vegetal.
A participação da população é importante para o cumprimento dessas medidas. Moradores, comerciantes e responsáveis por viveiros devem observar as regras locais e buscar orientação junto às prefeituras sobre o manejo das plantas.
Greening ameaça a produção de laranja
O greening, também conhecido como huanglongbing (HLB), é uma doença associada a bactérias do gênero Candidatus Liberibacter. O psilídeo-asiático-dos-citros transmite o agente causador ao se alimentar das plantas, favorecendo a disseminação da doença nos pomares.
Entre os sintomas estão o amarelamento irregular das folhas, a deformação dos frutos, a maturação desigual e a queda da produção. Com o avanço da infecção, as árvores perdem vigor e podem deixar de produzir de forma economicamente viável.
Além disso, a doença não tem cura para as árvores infectadas. Por isso, a prevenção, o monitoramento e o manejo do inseto transmissor são fundamentais para reduzir os riscos à citricultura.
A presença de plantas hospedeiras nas proximidades das lavouras também merece atenção. A murta pode servir de hospedeira ao psilídeo, embora sua retirada, isoladamente, não elimine o risco de transmissão da doença.
Cinturão Antigreening articula municípios
As medidas municipais integram um esforço regional de prevenção chamado Cinturão Antigreening, apresentado durante a Feira do Agronegócio Mineiro (Femec), em Uberlândia, em 2026.
A iniciativa busca mobilizar municípios do Triângulo Mineiro, do Alto Paranaíba e do Noroeste de Minas para fortalecer as ações contra a doença. A articulação envolve entidades do setor agropecuário e incentiva a adoção de medidas preventivas pelas administrações municipais.
A cooperação regional é importante porque o inseto transmissor pode se deslocar entre áreas e contribuir para a disseminação do greening. Assim, a atuação coordenada entre municípios pode complementar as medidas adotadas individualmente.
O projeto também procura ampliar a conscientização sobre os riscos da doença e incentivar a participação de diferentes setores na proteção dos pomares.
Prevenção exige cuidados nas propriedades
Além das medidas municipais, os produtores precisam adotar práticas de prevenção dentro das propriedades. O uso de mudas sadias, o monitoramento frequente das árvores e o controle do psilídeo conforme as recomendações técnicas ajudam a reduzir os riscos.
Os citricultores também devem acompanhar as orientações dos órgãos de defesa sanitária vegetal e comunicar suspeitas da doença pelos canais oficiais.
As restrições à murta representam uma frente adicional de defesa fitossanitária. Entretanto, a eficácia da estratégia depende da aplicação das regras, da fiscalização e da continuidade das ações de monitoramento.
Com a articulação entre municípios e produtores, Minas Gerais busca reforçar a proteção dos pomares e reduzir os riscos sanitários para a produção de laranja.