El Niño mantém a preocupação no campo, enquanto o Paraná registra avanço da semeadura abaixo da média histórica e previsão inicial de menor produção
batatas
Foto: Arquivo Agro em Campo

O excesso de chuva já interfere no calendário agrícola do Paraná e preocupa os produtores de batata. Com dificuldades para avançar no plantio de batata da primeira safra 2026/27, os agricultores precisam acompanhar as condições do solo e as previsões meteorológicas para organizar as próximas etapas do cultivo.

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Além disso, a atuação do El Niño aumenta a atenção sobre o comportamento do tempo nos próximos meses. A previsão de continuidade das chuvas exige cautela, principalmente nas áreas onde a umidade excessiva impede a entrada de máquinas e atrasa as operações no campo.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), o estado havia semeado 67% da área prevista para a primeira safra de batata até 15 de outubro. O índice ficou abaixo da média histórica de 83% registrada para o mesmo período.

Plantio de batata no Paraná fica abaixo da média histórica

O levantamento do Deral mostra que os produtores já haviam plantado 10,8 mil hectares de batata, de uma área estimada em 16,2 mil hectares. Portanto, ainda faltavam aproximadamente 5,4 mil hectares para concluir a semeadura prevista.

A diferença em relação ao ritmo histórico acende um alerta para o calendário de plantio da batata no Paraná. Afinal, quando as chuvas persistem, os agricultores perdem oportunidades de trabalhar no campo e precisam aproveitar os intervalos de tempo firme para dar continuidade às operações.

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Além disso, o excesso de umidade pode dificultar o preparo do solo e comprometer as condições necessárias ao estabelecimento das plantas. Em áreas com drenagem deficiente, o encharcamento também aumenta a preocupação com problemas sanitários.

Por isso, o acompanhamento das condições de cada propriedade será fundamental nas próximas semanas. Embora o atraso mereça atenção, seus efeitos sobre a produtividade da batata dependerão da evolução do clima, do estágio das lavouras e das condições encontradas pelos produtores durante a retomada dos trabalhos.

Safra 2026/27 tem previsão inicial de queda na produção

Além do atraso na semeadura, as primeiras estimativas apontam uma redução na produção de batata no Paraná.

De acordo com o Deral, a primeira safra 2026/27 deve alcançar 539,6 mil toneladas. Em 2025, a produção chegou a 566,2 mil toneladas. Dessa forma, a projeção inicial indica uma queda de aproximadamente 4,7% no volume, equivalente a 26,6 mil toneladas.

A produtividade média estimada também apresenta recuo. Para a safra atual, a projeção é de 33,3 toneladas por hectare, ante 33,6 toneladas por hectare no ano anterior.

Esses números representam estimativas iniciais, e não o resultado definitivo da colheita. Portanto, o comportamento das chuvas no Paraná, o avanço do plantio e o desenvolvimento das lavouras poderão influenciar as próximas avaliações.

Nesse cenário, os produtores precisam acompanhar tanto o calendário agrícola quanto as condições de desenvolvimento da cultura. A regularização do tempo poderá favorecer a retomada da semeadura; por outro lado, a persistência da umidade excessiva poderá prolongar as dificuldades operacionais.

El Niño mantém atenção sobre as chuvas no Paraná até dezembro

A previsão meteorológica também integra as preocupações do setor. Sob influência do El Niño, o Paraná enfrenta um período de instabilidade que pode manter os volumes de chuva elevados em parte do estado.

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O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) indicou, no início de outubro, a possibilidade de precipitação acima da média histórica no decorrer do mês. Já as informações reunidas pelo Deral apontam a expectativa de um período chuvoso até meados de dezembro.

Diante desse cenário, os agricultores precisam observar as condições locais antes de retomar as operações. Isso porque o volume de chuva, isoladamente, não determina quando uma área estará adequada ao plantio: a drenagem, a textura do solo e a umidade acumulada também influenciam essa decisão.

Além disso, o acompanhamento das previsões ajuda os produtores a organizar o uso de máquinas e o planejamento das atividades agrícolas. Ainda assim, a evolução do clima precisa ser monitorada continuamente, pois as condições podem variar entre as regiões produtoras.

Preços da batata sobem durante a entressafra

Enquanto os produtores enfrentam dificuldades no campo, os dados do Deral também mostram uma alta nos preços da batata no varejo durante setembro.

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O quilo da batata lisa chegou a R$ 7,01 no varejo paranaense, ante R$ 4,15 em agosto. A diferença representa um aumento de 69,1% no período.

No atacado, a saca de 25 quilos da batata lisa comum especial lavada alcançou R$ 130,14 em setembro, avanço de 60,1% em relação aos R$ 81,28 registrados no mês anterior.

Entretanto, é importante separar os movimentos de mercado. Os aumentos ocorreram durante a entressafra, quando a oferta costuma diminuir. Portanto, os dados não permitem atribuir a alta diretamente às chuvas que atrasam o plantio da safra 2026/27.

Da mesma forma, ainda não é possível afirmar que as dificuldades atuais provocarão novos aumentos nos supermercados. Para avaliar os possíveis efeitos sobre os preços, será necessário acompanhar a evolução da oferta de batata, o desenvolvimento das lavouras e os resultados da colheita.

Produtores de batata devem acompanhar a evolução da safra

Nas próximas semanas, o avanço da semeadura da batata, a regularização das chuvas e as condições de desenvolvimento das plantas serão pontos importantes para avaliar o cenário da produção agrícola paranaense.

Embora a estimativa inicial indique redução na produção, o resultado final ainda dependerá das condições enfrentadas ao longo do ciclo. Por isso, o monitoramento climático e o acompanhamento dos levantamentos agrícolas serão essenciais para dimensionar os efeitos do atraso.

Assim, a combinação entre chuvas intensas, El Niño e atraso no plantio mantém o setor em alerta. Para os produtores, o desafio será aproveitar as condições favoráveis para avançar no calendário agrícola e acompanhar os possíveis reflexos sobre a produtividade da batata e a oferta de batata nos próximos meses.