Resumo da notícia
- Queijarias do Paraná ganham prêmios nacionais e internacionais, destacando a transformação do leite em produtos de valor agregado e fortalecendo a renda das famílias rurais.
- A assistência técnica e a regularização sanitária, oferecidas por IDR-Paraná e Adapar, aprimoram a produção de queijos e ampliam a comercialização das agroindústrias locais.
- O queijo Passionata de Toledo se destaca no World Cheese Awards e em competições brasileiras, evidenciando a inovação e a qualidade da produção paranaense no mercado global.
As queijarias do Paraná conquistam reconhecimento em competições nacionais e internacionais e mostram como a transformação do leite em produtos de maior valor agregado pode abrir novas oportunidades para as famílias rurais. Além de ampliar a visibilidade dos produtos, as premiações destacam o trabalho de produtores que investem em qualidade, técnicas de fabricação e diferenciação no mercado.
Nesse cenário, a assistência técnica e a regularização sanitária ajudam as agroindústrias a aprimorar os processos produtivos e ampliar as possibilidades de comercialização. O trabalho também fortalece a pecuária leiteira, ao criar alternativas para que os produtores agreguem valor à matéria-prima.
O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) acompanham diferentes etapas da produção. As orientações abrangem desde o manejo dos rebanhos e os cuidados com a qualidade do leite até a estruturação e a regularização das agroindústrias.
“Por trás de cada produto reconhecido estão famílias que encontraram na produção de queijos uma fonte de renda, propriedades que transformaram o leite em produtos de maior valor agregado, queijarias que avançaram na estruturação e regularização, além de um trabalho de assistência técnica que acompanha o produtor do campo ao mercado. O resultado aparece no pódio, mas é construído todos os dias, entre o manejo do rebanho, a produção do leite e o trabalho dentro da agroindústria”, afirma Karolline da Silva, assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná.
Queijos do Paraná conquistam reconhecimento internacional
Entre os destaques da produção estadual está o queijo Passionata, fabricado em Toledo, no Oeste do Paraná. Em 2024, o produto alcançou a nona posição entre os dez melhores do World Cheese Awards, competição internacional dedicada exclusivamente a queijos.
O Passionata utiliza leite de vaca pasteurizado e apresenta um processo de fabricação diferenciado. Durante a produção, os fabricantes lavam a coalhada com uma infusão de maracujá e decoram a casca com flores comestíveis e sementes da fruta.
Além disso, o queijo conquistou o terceiro lugar na categoria Campeão dos Campeões do Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, em abril de 2026. O resultado ampliou a visibilidade do produto e reforçou a presença paranaense em competições especializadas.
Em 2025, outros três queijos produzidos em Toledo também receberam reconhecimento no World Cheese Awards, realizado em Berna, na Suíça. São eles: Abaporu, Saint Marcellin e Garoa Tropical. Os produtos foram desenvolvidos em parceria entre o IDR-Paraná e o Biopark de Toledo.
Esses exemplos mostram a diversidade da produção estadual. Ao desenvolver receitas, técnicas e características próprias, as queijarias podem diferenciar seus produtos e buscar consumidores interessados em alimentos com identidade e qualidade.
Assistência técnica fortalece a produção de queijos
Embora as premiações aumentem a visibilidade dos produtos, o desenvolvimento de uma queijaria exige planejamento e cuidados em diferentes etapas. A qualidade do leite, a alimentação dos animais, o manejo das pastagens e o controle da fabricação influenciam as características do queijo.
Por isso, a assistência técnica tem papel importante na profissionalização das agroindústrias familiares. Os profissionais orientam os produtores sobre nutrição animal, conservação da matéria-prima, estrutura das instalações e adequação dos processos produtivos.
A experiência da Queijaria Vovó Zaine, em Tomazina, no Norte Pioneiro, ilustra essa contribuição. Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva receberam apoio técnico desde o planejamento do negócio, em 2020, até a estruturação e a regularização da agroindústria.
Com as orientações recebidas, a família aprimorou o manejo das pastagens, a nutrição do rebanho e os cuidados com a produção. As mudanças contribuíram para melhorar a qualidade dos queijos e fortalecer a atividade comercial.
Atualmente, a família vive da comercialização dos produtos e recebe visitantes de diferentes regiões do estado. Dessa forma, a queijaria transformou a produção leiteira em uma atividade capaz de sustentar o negócio familiar.
Regularização sanitária amplia oportunidades de mercado
Outro fator importante para o crescimento das agroindústrias familiares é a regularização sanitária. Além de contribuir para a segurança dos alimentos, a adequação às normas permite que os produtores comercializem seus produtos conforme as autorizações e os limites territoriais de cada serviço de inspeção.
Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a produtora Janete do Rocio Fila encontrou na regularização um caminho para fortalecer a comercialização dos queijos.
A produtora fabricava queijos artesanalmente antes de abrir sua queijaria, em 2022. Depois de uma viagem à Serra da Canastra, em Minas Gerais, viabilizada pelo IDR-Paraná, ela percebeu a importância de adequar o negócio às exigências sanitárias.
Com apoio técnico, Janete regularizou a atividade e ampliou as possibilidades de comercialização. Segundo os dados divulgados pelo governo estadual, o quilo do queijo, que antes era vendido por cerca de R$ 40, passou a custar aproximadamente R$ 55.
A diferença representa um aumento nominal de R$ 15 por quilo, equivalente a 37,5%. O dado ilustra como a estruturação do negócio pode contribuir para agregar valor ao produto, embora não represente, isoladamente, o lucro da produtora.
Atualmente, a queijaria possui cadastro no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte do Paraná (Susaf-PR) e acumula oito medalhas em premiações.
Para Mariza Koloda Henning, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal da Adapar, a regularização vai além da possibilidade de comercializar os produtos.
“A importância da regularização sanitária não está somente na segurança de poder vender um produto devidamente regular, mas também na garantia de que estes produtos são adequados para consumo”, afirma.
Valorização do leite fortalece a pecuária
O reconhecimento dos queijos paranaenses também reforça a importância de agregar valor à produção leiteira. Em vez de depender exclusivamente da venda do leite como matéria-prima, as famílias podem investir na fabricação de alimentos diferenciados e diversificar suas fontes de receita.
No entanto, essa estratégia exige controle de qualidade, planejamento financeiro, estrutura adequada e conhecimento das exigências sanitárias. Além disso, cada produtor precisa avaliar os custos de fabricação, armazenamento, transporte e comercialização para verificar a rentabilidade do negócio.
Nesse contexto, o acompanhamento técnico pode ajudar as famílias a aperfeiçoar os processos e identificar oportunidades de crescimento.
Assim, as queijarias do Paraná mostram como a integração entre pecuária leiteira, conhecimento técnico e processamento de alimentos pode fortalecer a agroindústria rural. As premiações ampliam o reconhecimento dos produtos, enquanto a profissionalização cria condições para que os produtores desenvolvam negócios mais estruturados e competitivos.