Resumo da notícia
- A produção de azeite brasileiro atingiu 1,434 milhão de litros em 2026, recorde histórico impulsionado pelo Rio Grande do Sul, que responde por 81% do total nacional.
- Produtores do Rio Grande do Sul estão preocupados com as chuvas previstas para a primavera de 2027, que podem prejudicar o florescimento das oliveiras e reduzir a próxima colheita.
- O Ibraoliva destaca a importância da pesquisa e tecnologia, fortalecendo parcerias com universidades para desenvolver soluções que aumentem a produtividade e a qualidade do azeite brasileiro.
A produção de azeite brasileiro pode diminuir em 2027, após atingir um recorde histórico neste ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), a perspectiva de chuvas durante a primavera no Rio Grande do Sul preocupa os produtores e pode comprometer a próxima colheita. A entidade apresentou essa avaliação durante a Expointer, em agosto de 2026.
O Brasil produziu 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem em 2026, ante 240,3 mil litros no ano anterior. O volume também superou em 123,98% o recorde anterior, de 640.228 litros, registrado em 2023.
O Rio Grande do Sul concentrou 81% do total nacional. Por isso, o desempenho dos olivais gaúchos tem grande influência nos resultados brasileiros.
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Produção se recupera após anos difíceis
O resultado de 2026 representou uma recuperação após safras prejudicadas pelo excesso de chuva, segundo o Ibraoliva. A diferença entre os volumes anuais evidencia a influência do clima sobre o cultivo de oliveiras.
Além do Rio Grande do Sul, a Serra da Mantiqueira, que abrange áreas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, destaca-se entre os polos produtores. A região registrou 250 mil litros em 2026.
Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo também participam da atividade. Dessa forma, o cultivo alcança diferentes regiões do país, embora o Rio Grande do Sul mantenha a liderança nacional.
Chuvas preocupam produtores para 2027
A primavera exige atenção porque o excesso de precipitação pode prejudicar o florescimento das oliveiras e a formação dos frutos. Consequentemente, essas condições podem reduzir o volume colhido nos meses seguintes.
No entanto, a chuva não determina sozinha o resultado da próxima safra. A distribuição das precipitações, as condições das plantas e as práticas de manejo também influenciam a produtividade.
Por enquanto, a expectativa de uma colheita menor em 2027 representa uma projeção do Ibraoliva, não um resultado confirmado. O volume efetivo dependerá da evolução do clima e da resposta dos olivais durante o ciclo.
Pesquisa e tecnologia ganham importância
Para enfrentar essas oscilações, o Ibraoliva defende a ampliação das pesquisas e o fortalecimento das parcerias com universidades.
Entre as instituições citadas pela entidade estão a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A colaboração busca aproximar o conhecimento científico das necessidades dos produtores e desenvolver soluções adaptadas às condições brasileiras.
Além disso, o aprimoramento do manejo e das etapas de colheita e processamento pode contribuir para melhorar a eficiência dos olivais e preservar a qualidade do produto.
Cadeia produtiva busca ampliar a competitividade
O Brasil reúne mais de 620 produtores e 77 lagares em operação, distribuídos por cerca de 280 municípios de oito estados. A área plantada com oliveiras alcança aproximadamente 10,3 mil hectares, dos quais 7,1 mil ficam no Rio Grande do Sul.
Diante desse cenário, os produtores procuram ampliar o reconhecimento dos azeites nacionais e fortalecer sua presença no mercado. A cooperação entre empresas, a divulgação da qualidade e o ganho de escala estão entre as estratégias para competir com os produtos importados.
Entretanto, expandir os olivais não basta. A cadeia também precisa investir em conhecimento técnico, aperfeiçoar o cultivo e se preparar para as variações que afetam cada temporada.
Próxima safra será acompanhada de perto
Após o recorde de 2026, os olivicultores entram em uma nova etapa de planejamento, com atenção especial às previsões meteorológicas e ao desenvolvimento das plantas.
Nesse contexto, pesquisa e tecnologia podem ajudar a aprimorar o manejo e reduzir as oscilações entre as colheitas. O resultado de 2027 ainda dependerá das condições observadas ao longo do ciclo, enquanto os produtores buscam maior estabilidade e competitividade para a olivicultura nacional.