Resumo da notícia
- As vendas da Nissan Frontier no Brasil despencaram em setembro, com apenas 5 unidades emplacadas, queda de 73,7% em relação a agosto e 98,7% em comparação anual.
- A queda ocorre devido ao fim da produção da Frontier na Argentina em 2025, reduzindo a disponibilidade do modelo no mercado brasileiro.
- Apesar da queda, a Nissan não abandonou a Frontier, mas passa por uma reorganização industrial e de estratégia para a picape na América Latina.
A Nissan Frontier praticamente desapareceu do mercado brasileiro de veículos novos em setembro. A tradicional picape média registrou somente 5 unidades emplacadas no país, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O número representa uma nova etapa de uma queda que já vinha chamando atenção. Em agosto, foram 19 unidades. Portanto, em apenas um mês, os emplacamentos recuaram 73,7%.
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A comparação anual é ainda mais forte. Em setembro de 2025, a Frontier havia registrado 386 unidades. Em 12 meses, portanto, a queda chegou a 98,7%.
O desempenho, porém, não significa simplesmente que os brasileiros deixaram de querer a Frontier. A picape atravessa uma mudança importante de ciclo, depois do encerramento da produção na Argentina.
Para quem encontra uma unidade zero-quilômetro disponível, surge outra questão: vale a pena comprar uma Frontier justamente agora?
Quantas Nissan Frontier foram vendidas em setembro?

O Levantamento do Agro em Campo, com base nos números da Fenabrave, mostra o tamanho da desaceleração.
A Frontier terminou setembro com apenas 5 emplacamentos, contra 19 em agosto, 34 em julho e 123 em junho.
A trajetória ao longo de 2026 deixa a mudança ainda mais clara:
- Janeiro: 99
- Fevereiro: 83
- Março: 306
- Abril: 171
- Maio: 186
- Junho: 123
- Julho: 34
- Agosto: 19
- Setembro: 5
No acumulado de janeiro a setembro, são 1.026 unidades.
A Frontier ficou, assim, na 13ª posição entre as picapes médias em setembro. Sua participação no segmento foi de apenas 0,04%.
Enquanto isso, a Ford Ranger liderou o mês com 3.465 unidades, seguida pela Toyota Hilux, com 3.310, e pela Chevrolet S10, com 2.684.
Por que as vendas da Frontier caíram tanto?

A explicação passa principalmente pela mudança industrial da Nissan na América Latina.
A geração conhecida pelo consumidor brasileiro era produzida na fábrica de Córdoba, na Argentina. A Nissan encerrou essa produção em 2025 dentro da reorganização de sua operação regional.
Com isso, a disponibilidade do modelo foi diminuindo gradualmente. Os números brasileiros ajudam a mostrar esse esvaziamento: depois de 306 unidades em março, os emplacamentos caíram para 171 em abril, reagiram para 186 em maio e passaram a despencar nos meses seguintes.
Chegar a cinco unidades em setembro indica, portanto, um mercado praticamente restrito aos veículos remanescentes.
É uma situação bem diferente da vivida pela Frontier alguns anos atrás. Levantamento do Agro em Campo mostrou anteriormente que a picape terminou quatro anos consecutivos, entre 2021 e 2024, na quinta colocação entre as médias mais vendidas do Brasil.
Em 2021, por exemplo, foram cerca de 11,8 mil unidades.
A Nissan Frontier saiu de linha?
A resposta exige uma distinção.
A Frontier produzida na Argentina encerrou seu ciclo industrial, mas isso não significa o abandono da picape pela Nissan.
A fabricante reorganizou sua estratégia de produção para a América Latina, enquanto prepara a continuidade do produto em uma nova etapa.
Por isso, a queda atual dos emplacamentos não deve ser interpretada apenas como perda de competitividade diante de Hilux, Ranger ou S10. Existe um componente relevante de oferta e transição de produto.
Ainda assim, para quem pretende comprar uma Frontier da geração atual, é preciso considerar que se trata de um veículo no fim de seu ciclo comercial.
Ainda vale a pena comprar uma Frontier zero-quilômetro?

Pode valer, mas o preço passa a ser decisivo.
A geração atual continua oferecendo características importantes para quem procura uma picape média diesel. A Frontier utiliza motor 2.3 turbodiesel, e as versões automáticas contam com transmissão de sete marchas.
Outro ponto relevante é a garantia. A Nissan informa que a Frontier a partir do ano-modelo 2024 possui seis anos de garantia.
Para pessoa física, a cobertura é de seis anos sem limite de quilometragem. Para veículos adquiridos por pessoa jurídica, são seis anos ou 100 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro, conforme as condições estabelecidas pela fabricante.
As revisões são previstas a cada 10 mil quilômetros ou um ano.
Portanto, o fim da fabricação argentina não significa que o comprador ficará imediatamente sem cobertura de fábrica ou manutenção na rede.
O desconto pode decidir a compra
O maior cuidado está no valor pedido pela unidade remanescente.
Comprar uma picape no final de seu ciclo pelo mesmo preço de um modelo com produção regular e maior disponibilidade tende a ser menos atraente. Nesse cenário, Hilux, Ranger, S10 e outras concorrentes entram diretamente na comparação.
Por outro lado, uma Frontier com desconto relevante pode mudar a equação.
O comprador recebe um veículo conhecido pelo mercado, com conjunto mecânico já consolidado e longa garantia de fábrica. Em contrapartida, precisa considerar uma possível pressão maior sobre o valor de revenda quando uma Frontier mais nova estiver plenamente estabelecida no mercado.
Por isso, mais do que perguntar se a Frontier ainda é uma boa picape, o consumidor deve perguntar: quanto estou economizando para comprar uma geração que está encerrando seu ciclo?
Se a diferença for pequena, esperar ou escolher uma concorrente pode fazer mais sentido. Se a concessionária oferecer uma redução significativa de preço, entretanto, as últimas unidades podem se transformar em oportunidade.
Os cinco emplacamentos de setembro mostram que a Frontier atual está desaparecendo rapidamente das estatísticas brasileiras. Para o consumidor, isso não torna automaticamente a picape uma compra ruim — mas torna o preço da negociação mais importante do que nunca.