Metade do reprodutor Q332 foi vendida por R$ 70 mil a criador de Roraima; negócio é apontado como recorde da temporada de primavera de 2026
touro Angus
Foto: Lucas Vieira/Divulgação

Um touro Angus da Fazenda da Barragem, de Dom Pedrito (RS), alcançou avaliação de R$ 140 mil durante leilão realizado na segunda-feira (12), na Farm Show. Na ocasião, um criador de Roraima comprou 50% do reprodutor Q332 por R$ 70 mil. Segundo os organizadores do remate, a negociação representa, até o momento, o recorde da temporada de primavera de 2026.

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O resultado destaca o interesse dos pecuaristas pela genética bovina e por animais capazes de contribuir para a eficiência dos rebanhos. Nesse contexto, a escolha dos reprodutores ganha importância, já que suas características genéticas podem influenciar os resultados da produção. Além disso, a primavera é tradicionalmente marcada pela comercialização de animais destinados à reprodução.

Genética influencia a valorização do touro Angus

O reprodutor Q332 está na central de inseminação CRV Lagoa e reúne características genéticas voltadas a diferentes sistemas de produção. De acordo com Fernando Cardoso, proprietário da Fazenda da Barragem, a valorização está relacionada à combinação de baixo peso ao nascer, alto potencial de crescimento, pelagem curta e aptidão para o cruzamento industrial, inclusive com rebanhos leiteiros.

Além dessas características, Cardoso relacionou o resultado ao aumento dos investimentos em melhoramento genético e à busca por maior eficiência na pecuária. Na avaliação do proprietário, a gestão e a escolha de genética de qualidade são fundamentais para aprimorar os sistemas produtivos. Dessa maneira, a integração entre agricultura e pecuária também ganha relevância no planejamento das propriedades rurais.

“Vivemos um momento muito especial para a pecuária, com muita gente investindo e entendendo que a atividade é fundamental para compor os sistemas de produção junto com a agricultura. Quem mede, tem gestão e investe em genética de qualidade percebe que ela é um componente fundamental dos sistemas de produção”, afirmou.

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Outro fator apontado pelo proprietário foi a presença do reprodutor em uma central de inseminação. Segundo Cardoso, a CRV Lagoa possui mercado para a genética nacional. Assim, a estrutura de comercialização, somada às características do animal, contribuiu para o interesse dos compradores e para a valorização alcançada no leilão.

Leilão reúne cerca de 80 touros de três raças

A negociação de maior valor fez parte de um remate que reuniu cerca de 80 touros das raças Angus, Braford e Hereford. Ao longo de pouco mais de três horas, os compradores negociaram os animais, principalmente, de forma individual.

Eduardo Knorr, leiloeiro rural da Knorr Remates, conduziu as vendas. Na avaliação dele, o evento apresentou desempenho consistente entre as raças ofertadas.

“Foi um leilão muito sólido, muito forte, que se sustentou do princípio ao fim. O Angus vendeu maravilhosamente bem, e o Braford e o Hereford também venderam bem”, destacou.

Além do desempenho comercial, Knorr chamou a atenção para a participação de compradores presenciais e virtuais. Segundo ele, as médias de comercialização ficaram acima das registradas em anos anteriores. Ao mesmo tempo, a agilidade das vendas e a disputa pelos animais indicaram interesse dos investidores por reprodutores de qualidade.

Pecuária de corte tem expectativa de recuperação

Na avaliação de Knorr, o resultado do remate ocorreu em um período de recuperação das perspectivas para a pecuária de corte. Entre os fatores que sustentam essa expectativa, ele citou a reação dos preços do terneiro e a sustentação das cotações do boi gordo.

Por outro lado, o leiloeiro também destacou a pressão sazonal de outubro. Nesse período, os produtores retiram animais das pastagens para abrir espaço às lavouras de soja. Com isso, a transição entre as atividades agrícolas e pecuárias influencia a dinâmica de uso das áreas rurais.

Por fim, Knorr relacionou a expectativa de recuperação dos preços à demanda internacional por carne brasileira e à qualidade da genética produzida no país. Na visão dele, a combinação desses fatores pode favorecer um novo ciclo para o setor. Se esse cenário se confirmar, os pecuaristas poderão encontrar condições mais favoráveis de remuneração.

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“Acho que as coisas estão alinhadas para começarmos um novo ciclo, com uma nova expectativa e preços mais remuneradores, que possam melhorar a situação desse segmento”, concluiu.