Resumo da notícia
- As rosetas na pelagem da onça-pintada são padrões únicos que permitem a identificação individual dos felinos por meio de fotografias, auxiliando no monitoramento científico da espécie.
- Pesquisadores usam registros fotográficos para estudar a presença, distribuição e conservação das onças-pintadas, desde que as imagens tenham qualidade e ângulos adequados.
- Onças-pretas são onças-pintadas com melanismo, que mantém as rosetas mesmo com a pelagem mais escura, mostrando que a variação genética não altera esses padrões característicos.
As rosetas na pelagem da onça-pintada (Panthera onca) são mais do que marcas características da espécie. Esses desenhos apresentam combinações que variam entre os indivíduos e ajudam pesquisadores a reconhecer os felinos por meio de fotografias. Dessa forma, uma característica natural da pelagem se transforma em uma ferramenta importante para o monitoramento científico das onças-pintadas.
Além de chamar a atenção pela aparência, esses padrões ajudam a investigar a presença dos felinos em diferentes ambientes. Quando pesquisadores comparam registros fotográficos obtidos em períodos distintos, podem reunir informações sobre os animais observados e contribuir para estudos sobre a distribuição e a conservação da espécie. A precisão dessa análise, contudo, depende da qualidade das imagens e da possibilidade de visualizar as marcas com clareza.
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Como são as rosetas da onça-pintada?
As rosetas da onça-pintada são manchas escuras que formam desenhos semelhantes a anéis, geralmente com áreas mais claras no centro e, em muitos casos, pequenos pontos escuros internos. O conjunto dessas marcas cria um padrão visual característico na pelagem do felino.

Martien Uiterweerd/Flickr
Além disso, a disposição das rosetas varia conforme a região do corpo. Nos flancos e nas costas, elas costumam aparecer maiores e mais evidentes. Já na cabeça e nas extremidades, predominam manchas menores e mais compactas.

Embora todas as onças-pintadas compartilhem características semelhantes, a combinação dos desenhos varia entre os indivíduos. Por isso, a análise dessas marcas naturais pode ajudar na identificação de cada animal, desde que as fotografias apresentem qualidade e ângulos adequados.
O que determina os padrões da pelagem?
A formação dos padrões da pelagem dos felinos envolve processos biológicos que regulam a distribuição dos pigmentos durante o desenvolvimento. Esses mecanismos contribuem para a organização das manchas e das áreas de diferentes tonalidades no corpo dos animais.
Pesquisas sobre a formação de padrões de cor em felinos investigam os mecanismos moleculares envolvidos nesse processo. No entanto, os resultados gerais dessa área não devem ser interpretados como uma explicação completa de todos os fatores que determinam as rosetas da onça-pintada.

A coloração também contribui para a aparência característica da espécie. O pelo apresenta, em geral, tons amarelados ou castanho-avermelhados, com manchas escuras e regiões mais claras na parte inferior do corpo.
Onças-pretas também têm rosetas
As chamadas onças-pretas não pertencem a uma espécie diferente. Elas são onças-pintadas que apresentam melanismo, uma condição genética associada ao aumento da pigmentação escura.

Mesmo quando a pelagem parece quase totalmente preta, as rosetas continuam presentes, embora o contraste entre as manchas e o fundo do pelo seja menor. Sob determinadas condições de iluminação, esses desenhos podem ficar mais perceptíveis.

Estudos sobre o melanismo em felinos sul-americanos ajudam a compreender a ocorrência dessa característica em diferentes espécies. No caso da onça-pintada, a pigmentação escura modifica a aparência do animal, mas não elimina o padrão de manchas que caracteriza a espécie.
Como as rosetas ajudam a identificar os animais?
A variação natural dos desenhos permite usar fotografias para reconhecer indivíduos sem precisar capturá-los. Pesquisadores comparam imagens de diferentes momentos e procuram combinações de manchas que correspondam ao mesmo animal.
Um estudo publicado em 2023 na revista científica Mammalia avaliou o uso do programa HotSpotter para reconhecer onças-pintadas a partir de fotografias obtidas na Amazônia Oriental. Na amostra analisada, os pesquisadores trabalharam com 217 imagens e identificaram indivíduos em 131 delas. A análise das fotografias do lado esquerdo permitiu reconhecer 25 animais distintos.

Martien Uiterweerd/Flickr
Esses números se referem exclusivamente às imagens e aos indivíduos avaliados no estudo. Portanto, não representam a quantidade total de onças-pintadas existentes na Amazônia nem demonstram, isoladamente, o tamanho da população regional.
Ferramentas de reconhecimento de padrões podem agilizar a comparação entre fotografias, mas os resultados dependem da qualidade das imagens, do ângulo de registro e da visibilidade das marcas. Por isso, a tecnologia funciona como apoio ao trabalho científico, e não como garantia de identificação em todas as situações.
Por que esse monitoramento é importante?
Reconhecer indivíduos ao longo do tempo ajuda pesquisadores a estudar a movimentação dos animais, a utilização dos ambientes e a presença da espécie em determinadas áreas. Quando combinadas com outros métodos de campo, essas informações também podem contribuir para avaliar populações e orientar ações de conservação.

A identificação fotográfica apresenta uma vantagem importante: permite acompanhar animais livres na natureza sem exigir a captura de cada indivíduo. Ainda assim, os resultados precisam ser interpretados dentro dos limites de cada levantamento e em conjunto com outras evidências.
Assim, as rosetas da onça-pintada vão além de um traço visual marcante. Seus desenhos oferecem uma ferramenta natural para a pesquisa e ajudam a ampliar o conhecimento sobre um dos principais predadores das Américas. Ao contribuir para o monitoramento científico da espécie, essa característica também pode apoiar iniciativas de conservação da fauna silvestre e da biodiversidade brasileira.