Resumo da notícia
- A dificuldade de contratar profissionais qualificados no agronegócio brasileiro preocupa, pois o setor exige mão de obra preparada para acompanhar a modernização e avanço tecnológico.
- Pesquisa apresentada no XIII Congresso Paulista de Agronomia destaca a desconexão entre o ensino universitário e as reais necessidades do mercado agro, evidenciando a necessidade de aproximação entre educação e setor produtivo.
- Estudo aponta que 94,8% dos produtores enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores, tornando a qualificação profissional um desafio estratégico para garantir eficiência e inovação no campo.
A dificuldade para contratar profissionais qualificados preocupa o agronegócio brasileiro. No entanto, o problema vai além da falta de trabalhadores. O setor também precisa de pessoas preparadas para acompanhar a modernização das propriedades e o avanço das tecnologias.
Nesse cenário, surge uma questão importante: as universidades estão preparando os estudantes para atender às necessidades do agro? Para responder a essa pergunta, é necessário aproximar o ensino superior das demandas do mercado de trabalho.
É justamente essa relação que estará em debate nesta quinta-feira, 22 de outubro, durante o XIII Congresso Paulista de Agronomia, em Ribeirão Preto. Na ocasião, o professor Luís Reynaldo Ferracciú Alleoni, titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), apresentará os resultados de uma pesquisa.
Para realizar o levantamento, o professor ouviu dezenas de profissionais da iniciativa privada, universidades e centros de pesquisa. A partir dessas contribuições, investigou a percepção dos entrevistados sobre a falta de mão de obra qualificada no setor.
Entre os pontos identificados, destaca-se a distância entre o conteúdo ensinado nas universidades e as necessidades do mercado de trabalho no agro. Assim, a pesquisa coloca em discussão o papel das instituições de ensino na preparação de profissionais para um setor em constante transformação.
“Fiz um levantamento com dezenas de profissionais da iniciativa privada, universidades e centros de pesquisa para conhecer a opinião deles sobre a escassez de mão de obra qualificada. Um dos pontos identificados foi a desconexão entre o que a universidade ensina e as necessidades reais do mercado. Vamos discutir essa questão a partir dos resultados do levantamento”, explica Alleoni.
Falta de profissionais qualificados preocupa o setor
A dificuldade de contratação também aparece em levantamentos sobre o trabalho no campo. Nesse sentido, um estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), apontou que 94,8% dos produtores rurais consultados enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores.
Além disso, 44,5% dos entrevistados indicaram a disponibilidade de mão de obra como o principal desafio da atividade. Em conjunto, os dados mostram a relevância da contratação de trabalhadores para o setor rural. Entretanto, os percentuais e a data de divulgação precisam ser confirmados no estudo original antes da publicação.
Na prática, a falta de profissionais preparados pode comprometer as operações e elevar os custos. Ao mesmo tempo, pode dificultar a adoção de novas tecnologias e limitar o aproveitamento de oportunidades de modernização.
Por esse motivo, a qualificação profissional no agronegócio tornou-se um tema estratégico para produtores, empresas e instituições de ensino. Afinal, a capacidade de inovar depende também de pessoas que saibam aplicar conhecimentos e utilizar ferramentas tecnológicas.
Diante desse cenário, aproximar a formação acadêmica das necessidades do setor pode ajudar a preparar profissionais para os desafios da produção. Além disso, essa integração pode contribuir para aprimorar a gestão e ampliar o uso de soluções inovadoras no campo.
Universidade e mercado de trabalho em debate
Além da apresentação da pesquisa, o congresso promoverá uma mesa-redonda dedicada à formação dos engenheiros agrônomos. O encontro terá como tema “Estamos formando o engenheiro agrônomo que o Brasil precisa? Universidade, mercado e inovação em debate”.
Para ampliar a discussão, participarão Thiago Nogueira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal; Eliana Scaloppi, coordenadora do curso de Agronomia do Centro Universitário Moura Lacerda; e David de Almeida Pereira, professor da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).
A moderação ficará a cargo de Marco Antonio Jacomazzi, diretor da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP).
Por outro lado, as oportunidades de atuação profissional também ganharão espaço na programação. O painel sobre Agronomia Urbana abordará atividades como manejo de árvores, controle integrado de pragas em ambientes urbanos e uso de plantas medicinais, fitoterápicos e temperos.
Dessa forma, o evento ampliará o debate sobre as possibilidades da profissão para além das atividades tradicionalmente ligadas à produção rural. Essas áreas, por sua vez, aproximam a Agronomia de questões presentes no cotidiano das cidades.
Congresso debate inovação e futuro do agronegócio
O congresso é realizado pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP) e pela Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP). Com essa parceria, as entidades buscam fortalecer a integração entre profissionais, universidades e setor produtivo.
Nesse contexto, os presidentes das duas associações, Glauco Eduardo Pereira Cortez, da AEASP, e Fernando Paoliello Junqueira, da AEAARP, destacam a importância do diálogo para acompanhar as transformações da profissão.
“A inovação só se converte em produtividade quando há pessoas preparadas para aplicar o conhecimento, resolver problemas e acompanhar as novas demandas do mercado. Nosso papel é fortalecer o diálogo entre instituições de ensino, empresas e profissionais, para que a formação acompanhe a evolução das profissões”, afirma Fernando Junqueira, presidente da AEAARP.
O encerramento contará com a participação de Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV Agro e ex-ministro da Agricultura. Na ocasião, ele fará uma palestra magna sobre os rumos do agronegócio brasileiro.
Quanto à programação, o XIII Congresso Paulista de Agronomia ocorrerá em 22 de outubro, das 9h às 19h30. O credenciamento começará às 8h, na sede da AEAARP, situada na Rua Gago Coutinho, 333, Jardim São Luiz, em Ribeirão Preto.
A participação é gratuita. No entanto, as vagas são limitadas. Por isso, os interessados devem consultar a programação e realizar a inscrição pelo site oficial: https://cpagronomia.com.br/.
Por fim, o congresso terá como tema central “Agronomia em Transformação: conhecimento, inovação e protagonismo para o agro brasileiro”. A organização está a cargo da Araiby.


