Seca reduz a produção europeia, amplia a demanda externa e abre espaço para fornecedores como Estados Unidos e Ucrânia
Milho em colheitadeira
Foto: Seapa/MG

A seca que atingiu as lavouras europeias aumentou a necessidade de importar milho e mudou a participação dos principais fornecedores no mercado internacional. Na safra 2026/27, as importações de milho da União Europeia cresceram 40% até 18 de outubro, na comparação com o mesmo período do ciclo anterior.

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Segundo dados divulgados pela Comissão Europeia, o bloco importou 6,64 milhões de toneladas do cereal desde o início de julho. Esse avanço reflete a busca por alternativas para compensar as perdas nas lavouras e atender à demanda de setores que dependem do grão, como a fabricação de ração animal e de amido.

Além disso, a redução da oferta interna aumenta a importância dos fornecedores internacionais. Nesse cenário, os Estados Unidos e a Ucrânia ampliaram seus embarques, enquanto o Brasil registrou queda nas vendas destinadas ao mercado europeu.

Seca compromete a produção de milho na Europa

O calor intenso e a falta de chuva prejudicaram o desenvolvimento das lavouras em diferentes regiões europeias durante o verão de 2026. Como consequência, algumas plantações amadureceram antes do tempo, o que reduziu seu potencial produtivo.

A situação preocupa o mercado porque a colheita europeia de milho pode registrar seu menor volume desde pelo menos 2000, conforme as avaliações citadas na divulgação dos dados comerciais.

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Além de afetar a produção de grãos, a estiagem também prejudica a disponibilidade de alimentos para os animais. Por isso, fabricantes de ração e outras indústrias que utilizam o cereal precisam buscar alternativas para manter o abastecimento.

Dessa forma, a quebra da safra europeia de milho ajuda a explicar o aumento das compras externas. No entanto, a demanda adicional não beneficia todos os países exportadores na mesma proporção.

Estados Unidos ampliam as vendas de milho

Os Estados Unidos ganharam espaço entre os fornecedores da União Europeia. Até 18 de outubro, os embarques norte-americanos somaram 2,9 milhões de toneladas, contra aproximadamente 900 mil toneladas no mesmo período do ano anterior.

Portanto, o volume mais que triplicou em um ano. Esse avanço reforça a presença dos Estados Unidos em um mercado que precisa compensar a redução da oferta doméstica.

A Ucrânia também ampliou as vendas para o bloco. Os embarques ucranianos passaram de 770 mil toneladas para 1,62 milhão de toneladas na comparação anual, mais que dobrando no período.

Os números mostram que os dois países aproveitaram o aumento da demanda europeia. Ao mesmo tempo, a disputa entre os exportadores ficou mais evidente, já que compradores buscam fornecedores capazes de atender às necessidades de abastecimento e às condições comerciais de cada operação.

Brasil perde espaço no mercado europeu

Apesar de continuar como o segundo maior fornecedor de milho da União Europeia no período analisado, o Brasil registrou redução nos embarques. As compras europeias de milho brasileiro caíram de 2,74 milhões de toneladas para 1,82 milhão de toneladas até 18 de outubro, em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior.

A queda chama a atenção porque ocorreu justamente quando o bloco ampliou as importações para compensar as perdas na produção. Ou seja, o aumento da demanda europeia por milho não resultou em maiores compras do produto brasileiro nesse período.

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Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram significativamente os embarques, e a Ucrânia também avançou. Essa mudança mostra que o Brasil enfrenta concorrência em um mercado que se tornou ainda mais dependente das compras externas.

Para os exportadores brasileiros, acompanhar a evolução das importações europeias será importante para identificar oportunidades comerciais ao longo da safra. Entretanto, os dados até 18 de outubro representam apenas um recorte do ciclo 2026/27 e não permitem antecipar o resultado final das vendas brasileiras.

Mercado internacional acompanha a oferta de cereais

O movimento do milho contrasta com o desempenho do trigo mole, cujas exportações da União Europeia permaneceram relativamente estáveis na comparação anual. Até 18 de outubro, os embarques desse cereal somaram 8,47 milhões de toneladas na safra 2026/27.

Essa diferença evidencia como as condições de oferta variam entre as culturas. No caso do milho, a seca e as perdas nas lavouras aumentaram a necessidade de abastecimento externo, alterando a participação dos fornecedores.

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Nas próximas semanas, o andamento da colheita europeia, as condições climáticas e o ritmo das compras internacionais continuarão no radar do mercado. Para o Brasil, será importante observar se a demanda adicional abrirá novas oportunidades de exportação ou se a concorrência dos Estados Unidos e da Ucrânia continuará limitando os embarques.

Assim, o mercado internacional de milho segue condicionado à disponibilidade do cereal, à evolução da produção e à capacidade dos exportadores de atender à demanda europeia.